A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta quarta-feira (28) uma resolução que pede o fim do embargo dos Estados Unidos contra Cuba. O apoio ao texto, porém, foi o menor desde 1995: foram 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções.
Desde 1992, a Assembleia aprova resoluções semelhantes quase todos os anos. A resolução não obriga os Estados Unidos a mudar sua política, mas é usada por Cuba como sinal de apoio internacional.
A votação ocorreu em meio a uma nova campanha de pressão do governo americano contra Cuba, que inclui um bloqueio ao envio de petróleo e sanções que afetaram a economia da ilha. Nas últimas semanas, o governo cubano acusou Washington de pressionar outros países a retirar o apoio à resolução.
“O mundo se manifestou mais uma vez de forma esmagadora contra o bloqueio, mesmo diante da pressão e chantagem mais flagrantes dos EUA para mudar o rumo desta votação”, afirmou o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, nas redes sociais.
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Já o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, acusou os Estados Unidos de tentar “determinar o destino da nação” e “apoderar-se” das riquezas do país.
Por outro lado, o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, negou que Cuba esteja sob bloqueio.
“A situação difícil do povo cubano é culpa exclusiva deste regime comunista corrupto”, disse antes da votação.
Segundo ele, os portos cubanos estão abertos e continuam recebendo carregamentos de todo o mundo.
Bate-boca na ONU
Na terça-feira (27), um dia antes da votação, representantes de Cuba e dos EUA discutiram no plenário da Assembleia Geral.
Em um momento, Rodríguez se aproximou de Waltz e gritou: “Você é um mentiroso!”. Waltz, por sua vez, gritou para que ele se afastasse. O presidente da sessão interrompeu brevemente os trabalhos e pediu que os dois voltassem aos seus lugares.
Durante o discurso, Waltz mostrou fotos de líderes cubanos, entre eles Díaz-Canel, usando relógios de luxo, o que levou a delegação cubana a bater na mesa em protesto. O embaixador também exibiu imagens de satélite de imóveis, barcos e viagens que, segundo ele, a família Castro e autoridades cubanas aproveitam.
“O regime nunca consegue encontrar combustível suficiente para as ambulâncias cubanas […]. Mas quando a família Castro […] quer andar de iate, de repente, não há problema nenhum”, afirmou.
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