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Ataque cibernético atinge refrigeração de supermercados em nove países

UE fala em tentativa deliberada de afetar a cadeia de alimentos; lojas descartam produtos após alta da temperatura

Na Suécia, funcionária de supermercado retira produtos estragados de freezer depois que ataque hacker elevou a temperatura no interior do aparelho para 50 graus Celsius.
Na Suécia, funcionária de supermercado retira produtos estragados de freezer depois que ataque hacker elevou a temperatura no interior do aparelho para 50 graus Celsius (Johan NILSSON/AFP)

Supermercados de pelo menos nove países europeus tiveram falhas nos sistemas de refrigeração nesta segunda-feira (2), no que empresas e autoridades tratam como um ataque cibernético. Com o aumento da temperatura durante a noite, algumas lojas precisaram jogar alimentos fora. Até agora, ninguém assumiu a autoria do ataque.

Os problemas atingiram lojas na Bélgica, na Estônia, na Finlândia, na Irlanda, na Itália, em Luxemburgo, na Holanda, em Portugal e na Suécia. O caso ocorre apenas três semanas depois de um ataque semelhante a supermercados da França, que obrigou centenas de lojas a descartar produtos estragados.

Diante desse cenário, o comissário europeu de Alimentação e Agricultura, Christophe Hansen, afirmou que a União Europeia leva os incidentes “muito a sério”.

“Trata-se de uma tentativa deliberada de interromper nossa cadeia de abastecimento alimentar e minar a confiança dos consumidores nela”, afirmou.

Quais foram os países afetados?

A Bélgica foi um dos países mais atingidos. Lá, dezenas de lojas de várias redes registraram falhas na refrigeração. Diante da situação, a Procuradoria federal abriu uma investigação.

“Trata-se de um ciberataque, não há outra explicação”, disse Mich Vergauwen, porta-voz do Carrefour Bélgica, que teve problemas em cerca de 15 de suas 700 lojas.

As redes Delhaize, Colruyt e Intermarché também relataram falhas. Além disso, a Ikea informou que os congeladores de sua loja em Mons esquentaram por causa de um ataque cibernético.

Na Itália, o problema atingiu pelo menos quatro supermercados na Sicília e uma empresa na Toscana. Em resposta, o governo italiano marcou para esta terça-feira (3) uma reunião sobre segurança cibernética com os serviços de inteligência.

Já na Irlanda, a rede Musgrave informou que 13 lojas Supervalu foram afetadas pelo que chamou de incidente cibernético. Em Portugal, por sua vez, o grupo Mosqueteiros confirmou problemas em sete lojas Intermarché. Segundo o grupo, o ataque teve como alvo, aparentemente, uma empresa externa responsável pelos sistemas de refrigeração.

Na Suécia, também houve registros de falhas. A rede Coop confirmou que seis de suas cerca de 800 lojas tiveram problemas.

“Podemos confirmar que se trata de um incidente cibernético. O problema já foi resolvido”, disse o porta-voz Carlos Cancino.

Ainda segundo ele, as lojas afetadas usavam uma rede de internet móvel 4G, e não a 5G, mais atual, o que as deixava “mais expostas” a hackers.

Além desses casos, houve problemas em quatro lojas Delhaize em Luxemburgo, em algumas lojas de bairro na Holanda e em pequenos mercados do grupo Kesko na Finlândia. Na Estônia, por sua vez, segundo a emissora pública ERR, hackers elevaram a 50 °C a temperatura das câmaras frias de pelo menos um supermercado.

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Fornecedores em comum

Parte das lojas atingidas usava sistemas do mesmo fornecedor. Segundo Helena Johansson, porta-voz da rede sueca Ica, todas as lojas da rede que tiveram problemas estavam conectadas a um sistema de controle de refrigeração da fabricante dinamarquesa Danfoss.

A mesma empresa foi o alvo do ataque de 12 de outubro contra supermercados franceses. Até a publicação da reportagem da AFP, a Danfoss não havia respondido ao pedido de comentário.

Na Estônia, segundo Jann Mutso, diretor da fabricante de sistemas de refrigeração Kitman Coldtech, as câmaras atingidas eram modelos antigos da Danfoss, parecidos com os da França.

Na Bélgica, por sua vez, a empresa de refrigeração Sabcobel afirmou que começou a reforçar a segurança de seus sistemas depois do ataque na França. Alguns, porém, ainda não tinham sido atualizados e foram afetados nesta segunda.

Nesse contexto, Roni Kokkola, especialista do Centro Nacional de Segurança Cibernética da Finlândia, afirmou que o avanço dos ataques era esperado.

“Temos visto isso na Europa nos últimos meses, então era esperado que se espalhasse para além da França e para outros países”, disse.

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