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600 mil pessoas protestam na França contra alta no custo de vida

Manifestantes cobram melhores salários; primeiro-ministro anuncia reunião com sindicatos na segunda

Manifestante carrega um cartaz retratando o personagem Elmo, da Vila Sésamo, com a mensagem "Revolution" durante o dia nacional de mobilizações na França (Foto: Ludovic Marin/ AFP)

Centenas de milhares de trabalhadores em greve e estudantes participaram de manifestações em diversas cidades da França nesta quinta-feira (5) para protestar contra o aumento do custo de vida e reivindicar melhores salários.

Segundo a Confederação Geral do Trabalho (CGT), uma das centrais sindicais organizadoras, cerca de 1,6 milhão de pessoas foram às ruas em todo o país. Já o Ministério do Interior estimou o público em quase 600 mil manifestantes. As duas estimativas superam os números das três mobilizações anteriores: 550 mil participantes em 17 de outubro, 410 mil em 24 de outubro e 320 mil em 31 de outubro.

Os atos reuniram trabalhadores dos setores público e privado, estudantes, professores e aposentados. As reivindicações incluem aumentos salariais, reajuste do salário mínimo, distribuição mais justa da carga tributária, defesa dos serviços públicos e melhores condições de estudo e trabalho.

“Nada vai nos deter. A única coisa que vai acabar com a mobilização é a resposta às reivindicações”, afirmou a líder da central sindical CGT, Sophie Binet, na capital.

A perda do poder de compra, agravada pelo aumento dos preços dos combustíveis, está no centro do descontentamento. Segundo um levantamento divulgado na quarta-feira (4) por organizações francesas e centrais sindicais, uma em cada duas pessoas declara ter dificuldade para se sustentar com a renda familiar.

“Queremos viver do nosso trabalho, ganhar um salário digno”, acrescentou, em Lyon, o viticultor Martin Thiberge, para quem as manifestações são um ponto de encontro para pessoas de todos os setores da sociedade.

Em Brest, o músico Yann Tiersen, autor da trilha sonora do filme mundialmente conhecido “Amélie”, levou música ao ato a partir do caminhão da CGT, celebrando “um momento importante” para “a convergência de lutas”

As paralisações também afetaram pontos turísticos de Paris. A Torre Eiffel, o Arco do Triunfo e algumas salas do Museu do Louvre permaneceram fechadas nesta quinta-feira.

Após as manifestações, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou uma reunião com representantes dos sindicatos e das organizações patronais na próxima segunda-feira (9), para discutir propostas relacionadas ao poder de compra e aos salários.

Confrontos e novas manifestações

Embora a maior parte dos atos tenha ocorrido pacificamente, houve confrontos com a polícia em cidades como Paris e Lyon. Na segunda maior cidade francesa, pelo menos um veículo foi incendiado. Perto de Toulouse, pessoas mascaradas provocaram um incêndio nas instalações de uma escola de ensino médio.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, havia anunciado a mobilização de 70 mil policiais e integrantes das forças de segurança em todo o país, com a promessa de uma resposta firme a possíveis atos de violência.

Na educação, o governo informou que 81 das 3,7 mil escolas de ensino médio do país sofreram bloqueios. A União Sindical de Estudantes do Ensino Médio (USL), por sua vez, estimou que cerca de mil instituições foram fechadas.

Os protestos devem continuar nos próximos dias. Os coletes amarelos (gilets jaunes), movimento popular francês que surgiu em 2018 contra a alta dos combustíveis, convocaram uma concentração para sábado (7), na Praça da Concórdia, em Paris, apesar da proibição das autoridades. Para o fim de novembro, sindicatos e organizações de defesa do direito à moradia de sete países também preparam manifestações coordenadas contra o aumento do custo de vida.

 

 

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