O Ministério Público do Paraguai abriu uma investigação penal contra o presidente renunciante Santiago Peña nesta quinta-feira (5), para apurar suspeitas de irregularidades relacionadas ao Ueno Bank. A instituição financeira encerrou as atividades na terça-feira (3), após o Banco Central do país identificar problemas de solvência.
A investigação foi determinada pelo procurador-geral do Estado, Emiliano Rolón. Foram designados agentes fiscais da Unidade Especializada em Crimes Econômicos e Anticorrupção.
A abertura do procedimento decorre de uma denúncia apresentada por parlamentares em 22 de outubro de 2025 e ampliada nesta quarta-feira (4). As acusações envolvem a supervisão e a liquidação do Ueno Bank, além da aplicação de recursos públicos na instituição.
Entre os pontos questionados estão possíveis falhas na fiscalização do Banco Central, depósitos de recursos de órgãos públicos no banco e suspeitas de conflitos de interesse. A oposição também aponta possíveis irregularidades envolvendo autoridades do Instituto de Previdência Social (IPS) e do sistema financeiro paraguaio.
Peña foi acionista do grupo proprietário do Ueno Bank até março de 2025. Em 2023, quando assumiu a Presidência, declarou participação na Ueno Holding avaliada em 6,144 bilhões de guaranis. Segundo a denúncia, seu irmão também teria vínculos societários com empresas relacionadas ao grupo.
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O Ueno Bank tinha aproximadamente 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do IPS. A instituição teve o processo de liquidação iniciado pelo Banco Central após a identificação de problemas de solvência relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.
A investigação ocorre em meio à crise política provocada pelo fechamento do banco. Nesta quinta, Peña apresentou sua renúncia à Presidência do Paraguai, mas a decisão ainda depende de aceitação do Congresso. A Câmara dos Deputados também aprovou a abertura de um processo de impeachment contra ele.
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