A madrugada de segunda-feira (2) terminou em tragédia no Rio de Janeiro. Duas casas desabaram na região do Maracanã, na área conhecida como antiga favela do Metrô, após uma noite marcada por chuva intensa e ventos fortes. A mãe da menina, Michelle Martins, faleceu às 6h41. A filha dela, Ágatha, de apenas 7 anos, foi […]
A madrugada de segunda-feira (2) terminou em tragédia no Rio de Janeiro. Duas casas desabaram na região do Maracanã, na área conhecida como antiga favela do Metrô, após uma noite marcada por chuva intensa e ventos fortes. A mãe da menina, Michelle Martins, faleceu às 6h41. A filha dela, Ágatha, de apenas 7 anos, foi resgatada com vida depois de cinco horas de um trabalho delicado e silencioso entre lajes, concreto e destroços.
O colapso das estruturas ocorreu na avenida Rei Pelé, próximo à rua Oito de Dezembro, em uma área de ocupação densa e construções antigas. O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta da 1h33. Quando as primeiras equipes chegaram, o cenário era de destruição: paredes ao chão, lajes sobrepostas e moradores em estado de choque tentando entender o que havia acontecido em questão de segundos.
Viúvo diz não saber como continuará a viver
Entre os soterrados estavam Michelle Martins, de 40 anos, e sua filha Ágatha Valentina, de 7. As duas ficaram presas sob os escombros no momento do desabamento. A mulher não resistiu aos ferimentos e morreu no local. A criança, localizada a poucos metros da mãe, permaneceu presa por cerca de cinco horas até ser retirada com vida.
Após a morte de Michele, o viúvo, Alessandro de Souza, afirmou, muito abalado:
“Eu perdi minha companheira aqui. Não sei o que vou fazer com a minha vida”.
O resgate da menina mobilizou dezenas de bombeiros e exigiu uma operação complexa. As equipes avançaram centímetro por centímetro, retirando blocos de concreto manualmente para evitar novos deslizamentos. Em vários momentos, o trabalho precisou ser interrompido para avaliação da estabilidade das estruturas remanescentes.
A criança foi retirada consciente, com fraturas, mas sem lesões expostas, segundo os bombeiros. Ela foi encaminhada a uma unidade hospitalar para atendimento médico. O estado de saúde não foi detalhado, mas os socorristas afirmaram que o resgate com vida foi resultado de uma combinação de rapidez no acionamento e cautela extrema na operação.
Feridos, atendimento e mobilização de equipes
Além da mulher morta e da criança resgatada, outras oito pessoas ficaram feridas. Uma adolescente de 14 anos foi levada ao Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier. As demais vítimas receberam atendimento no local e foram liberadas após avaliação médica, com escoriações e ferimentos leves.
Nos últimos anos, o Rio de Janeiro tem enfrentado episódios recorrentes de alagamentos, deslizamentos e colapsos estruturais, especialmente em áreas de encosta ou regiões densamente ocupadas sem infraestrutura adequada. Mesmo com sistemas de alerta e monitoramento, a prevenção ainda esbarra em problemas históricos, como déficit habitacional, falta de reassentamento e demora em obras de contenção.
O desabamento também levanta questionamentos sobre a efetividade dos alertas emitidos pelas autoridades e a capacidade de resposta da população em situações de risco. Em muitos casos, moradores afirmam não receber orientações claras ou não ter para onde ir quando alertas são emitidos, o que limita a eficácia das medidas preventivas.
O Corpo de Bombeiros informou que seguirá no local até a completa estabilização da área e a conclusão das buscas. A Polícia Civil abriu investigação para apurar as circunstâncias do desabamento e avaliar se havia irregularidades estruturais ou negligência na manutenção dos imóveis.
A Prefeitura do Rio afirmou, em nota, que presta assistência às famílias atingidas, incluindo acolhimento emergencial e apoio social. O município também declarou que fará uma avaliação técnica mais ampla da região para identificar outros pontos de risco.
O desabamento ocorreu após o município do Rio de Janeiro ter sido colocado em Estágio 2 na noite de domingo, 1º, em razão das chuvas intensas e dos ventos fortes registrados em diversos pontos da cidade. A informação foi confirmada pelo Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura (COR-Rio).
O Estágio 2 corresponde ao segundo nível de uma escala municipal de cinco estágios e indica a possibilidade de impactos na rotina urbana, especialmente no trânsito, além do aumento do risco de ocorrências associadas às condições climáticas adversas, como alagamentos, deslizamentos de terra e desabamentos.
Apesar do alerta, as chuvas continuaram ao longo da madrugada, período em que ocorreu o colapso das estruturas, reacendendo o debate sobre a vulnerabilidade de áreas ocupadas irregularmente e a necessidade de ações preventivas mais eficazes por parte do poder público.
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