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Cerco de El Fasher, no Sudão, com indícios de genocídio, aponta missão da ONU

Missão da ONU afirma que o cerco a El Fasher teve “marcas de genocídio”, com destruição dirigida a comunidades Zaghawa e Fur durante dezoito meses

A Sudanese child, who fled El Fasher city with family after Sudan's paramilitary forces attacked the western Darfur region, receives treatment at a camp in Tawila, Sudan.
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  • Uma missão da ONU concluiu que o cerco e a tomada de El Fasher, capital do norte de Darfur, pelos RSF e milícias aliadas tem “caráter de genocídio” e ocorreu ao longo de dezoito meses de ocupação.
  • O ataque visou deliberadamente comunidades étnicas Zaghawa e Fur, com milhares de pessoas mortas, estupradas ou desaparecidas, especialmente entre a população zaghawa.
  • O relatório descreve “três dias de horror” após a tomada de El Fasher e aponta que os crimes foram coordenados, apoiados publicamente pela liderança sênior dos RSF e não foram excessos de guerra.
  • Investigadores entrevistaram 320 testemunhas e vítimas, visitaram Chade e Sudão do Sul, autenticaram 25 vídeos e documentaram violência sexual generalizada, incluindo estupros em locais de mass killings.
  • Nos Estados Unidos, sanções foram impostas a três comandantes dos RSF por seu papel no cerco e na captura de El Fasher, com acusações de assassinatos étnicos, tortura, fome e violência sexual.

O cerco e a captura de El Fasher, capital de Darfur Norte, pelo grupo paramilitar RSF em outubro passado, foram avaliados por uma missão de apuração da ONU como tendo “hallmarks de genocídio”. A operação envolveu milícias aliadas e visou comunidades étnicas Zaghawa e Fur.

O relatório descreve 18 meses de ocupação da cidade, com destruição deliberada de infraestruturas e restrições a civis. Segundo a missão, houve escala, coordenação e apoio público da liderança do RSF para crimes que não seriam excessos de guerra.

Investigadores entrevistaram 320 testemunhas em El Fasher e arredores, e visitaram Chad e Sudão do Sul. O documento aponta violência sexual generalizada, assassinatos, rapto e desaparecimentos, com ataques ocorrendo em locais como o hospital El Saudi e a universidade de El Fasher.

Repercussões internacionais

Os autores pedem responsabilização dos autores e enfatizam que as ações configuram crime de genocídio. O texto destaca a necessidade de cooperação internacional para investigar e responsabilizar os envolvidos, conforme a gravidade dos fatos relatados.

As informações chegam dias após a divulgação de sanções dos EUA contra três comandantes do RSF, por envolvimento no cerco e na captura de El Fasher. Washington descreveu o ocorrido como assassinatos étnicos, tortura, fome e violência sexual.

Contexto regional

O relatório reforça que, com o foco do conflito mudando de Darfur para Kordofan, é essencial que a comunidade internacional atue com firmeza para deter o uso de violência contra civis. O documento cita riscos de novas ofensivas na região.

As conclusões foram acompanhadas pela imprensa internacional e coincidem com relatos de violações generalizadas no país, incluindo ataques em áreas vizinhas. Autoridades locais não comentaram oficialmente o conteúdo do relatório.

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