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Quem é “Adisinho”, classificado pela PF como “o mais sanguinário dos capos do jogo do bicho”

Adilson Oliveira Coutinho Filho foi preso pela Polícia Federal após anos foragido, acusado de crimes como homicídios e tentativas de assassinatos.

Imagem: Reprodução / X

Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, foi preso nesta quinta-feira (26) em Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Ele era um dos nomes mais procurados do estado, apontado como peça central do jogo do bicho na cidade e como o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados na região, com mandados de prisão por homicídio […]

Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, foi preso nesta quinta-feira (26) em Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Ele era um dos nomes mais procurados do estado, apontado como peça central do jogo do bicho na cidade e como o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados na região, com mandados de prisão por homicídio e por organização criminosa. Mas afinal, quem é Adilsinho?

Infância no crime

Adilsinho nasceu em maio de 1970, em Duque de Caxias, quando os pontos do jogo do bicho na cidade passaram a ser dominados pela banca Paratodos, da qual seu pai era sócio. A família enriqueceu com a jogatina e se mudou para o Leblon, onde ele passou a infância, já como herdeiro de um sistema que funciona na base de território, influência e controle.

O primeiro registro policial em seu nome foi realizado em 1991, por dirigir sem documentos. Com o tempo, seguindo os passos do pai, seu nome começou a aparecer em bingos e máquinas caça- níquel fraudulentas. A Polícia Federal teve acesso a uma conversa de novembro de 2006, em que Adilsinho combinava maneiras de estimular a “compulsividade” dos apostadores.

A operação também não ficou presa ao Rio. As conversas citadas indicaram atuação com bingos e máquinas em Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Amazonas. Ao fim do processo, ele chegou a ser condenado a 3 anos e meio, mas acabou livre de cumprir a pena porque o prazo legal para o Estado executar a condenação expirou.

Veja a lista de crimes cometidos por Adilsinho:

  • Homicídio (apontado como mandante, com referência a mandados/ordens de prisão em aberto)
  • Organização criminosa
  • Jogo do bicho (contravenção)
  • Envolvimento com produção e distribuição de cigarros falsificados e comércio ilegal de cigarros
  • Exploração de jogos ilegais (como caça níqueis e bingos)

Futebol e a noite no Copacabana Palace

Enquanto a vida no crime avançava, Adilsinho construiu uma vitrine pública que chamava atenção por outro motivo. Em 2010, ele fundou o Clube Atlético Barra da Tijuca, que disputou as divisões inferiores do Campeonato Carioca e tinha uniforme com as cores do Fluminense, seu time do coração. 

Ele não só ficou no cargo de presidente, como atuou pelo clube, sendo o atacante e principal batedor de pênaltis. Entre 2011 e 2018, disputou 63 partidas e marcou 10 gols, chegando a ser citado como o jogador mais velho em atividade no país. Ele continuou como presidente do clube, e funcionários foram acusados de integrar a organização criminosa.

Em maio de 2021, essa vitrine ficou grande demais. Ele fez uma festa no Copacabana Palace com tema “máfia”, 500 convidados e shows de grandes artistas. O convite usou a trilha de “O Poderoso Chefão”. A fila na porta viralizou porque a comemoração aconteceu no auge da pandemia. Um mês depois, a Operação Fumus da PF colocou o nome dele como chefe de uma quadrilha ligada ao monopólio da fabricação e da venda de cigarros ilegais. A prisão foi decretada, mas ele não foi encontrado naquela época.

Da era dos cigarros ao “reinado” no bicho

A partir de 2018, ele passou a ser associado ao reinvestimento do dinheiro do jogo ilegal na comercialização de cigarros clandestinos. A lógica era controlar o território, os ponto de venda e impedir a concorrência. Não se tratava de “competir” com outra marca; a ideia era não deixar nenhuma concorrente existir na área.O esquema também atuava nas fábricas clandestinas. A Polícia Federal afirmou que, desde 2022, 70 paraguaios foram resgatados de condições análogas à escravidão em fábricas clandestinas instaladas em três cidades do Rio. Eles teriam sido aliciados no Paraguai, trazidos ilegalmente com promessa de R$5 mil e submetidos a jornadas de 12 horas diárias, sem folga, sob vigilância de um segurança armado. Também foram citadas ramificações em Minas Gerais, para onde os cigarros falsificados eram enviados, e no Espírito Santo, onde a organização mantinha outra fábrica.

Apesar da forte atuação com cigarros falsificados, o jogo do bicho continuou a ser o principal negócio do grupo. No início de 2022, Adilsinho apareceu articulando uma “nova cúpula” para mudar o mapa da contravenção no Rio. 

Sua influência impactou até o carnaval carioca, costume entre bicheiros da região. Desde 2024, passou a ser citado como “homem forte do Salgueiro”, anunciado como patrono em evento na quadra. O posto costuma designar alguém que investe recursos na agremiação em troca de prestígio e apoio popular na área de atuação da escola.

No fim, Adilsinho deixou de ser só um nome ligado a operações em que nunca era localizado e passou a enfrentar as acusações que o colocaram como peça central do bicho e do cigarro clandestino no Brasil.

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