A primeira bomba atômica da história foi desenvolvida pelos Estados Unidos há mais de 60 anos. Foi o começo da era da ameaça nuclear como instrumento de poder. Mas afinal, quais países possuem ogivas nucleares atualmente? Antes disso, é importante falar sobre o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), um acordo internacional criado […]
A primeira bomba atômica da história foi desenvolvida pelos Estados Unidos há mais de 60 anos. Foi o começo da era da ameaça nuclear como instrumento de poder. Mas afinal, quais países possuem ogivas nucleares atualmente?
Antes disso, é importante falar sobre o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), um acordo internacional criado para evitar que mais países desenvolvam bombas atômicas, reduzir gradualmente os arsenais existentes e permitir o uso pacífico da energia nuclear, sob regras e inspeções.
Ele separa, na prática, os países em dois grupos: os que já tinham armas nucleares quando o tratado foi negociado e os que se comprometem a não adquirir, em troca de cooperação tecnológica para fins civis e do compromisso de desarmamento pelos que já possuem.
No entanto, alguns países da lista não estão no TNP ao alegarem razões de segurança nacional, falta de equidade no tratado ou para consolidar poder regional.
Segundo o último relatório do SIPRI, em junho de 2025, são nove países, entre eles: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, China, Índia, Paquistão, Coreia do Norte e Israel. Os últimos quatro, fora do TNP.
Estados Unidos: Construíram o primeiro arsenal nuclear do mundo durante a Segunda Guerra, ao transformar uma pesquisa científica em programa estatal e industrial no famoso Projeto Manhattan, que culminou no teste Trinity em 16 de julho de 1945 e abriu a era das armas nucleares. No pós-guerra, desenvolveram um complexo de laboratórios, produção e forças estratégicas como pilar de dissuasão nuclear.
Indicação de filme: Oppenheimer, 2023. Mostra a história do cientista que liderou a criação da bomba atômica e as consequências humanas e políticas dessa decisão.
Rússia: A então União Soviética desenvolveu armas nucleares como resposta direta ao monopólio inicial dos EUA e testou sua primeira arma em 1949, abrindo a corrida armamentista da Guerra Fria. Após o fim da URSS, a Rússia herdou a maior parte do arsenal e manteve o componente nuclear como pilar de sua doutrina de segurança.
Reino Unido: Construiu uma força nuclear própria no pós guerra para garantir autonomia estratégica e credibilidade de dissuasão no ambiente da Guerra Fria. Ao longo do tempo, o Reino Unido estabilizou o arsenal como instrumento de defesa nacional e de integração à arquitetura de segurança do Ocidente, com o núcleo da dissuasão concentrado em capacidades estratégicas.
França: Apostou em soberania e independência estratégica, criando uma dissuasão nacional que não dependesse integralmente de aliados. O arsenal se consolidou como elemento de “última garantia” da defesa francesa, dentro da categoria de Estado com armas nucleares reconhecida pelo TNP, e segue como componente estruturante da estratégia do país.
China: Desenvolveu armas nucleares no contexto da Guerra Fria para criar uma dissuasão própria e reduzir vulnerabilidades estratégicas. Desde então, mantém e amplia capacidades, e o SIPRI aponta que o país está entre os que vêm modernizando forças nucleares e vetores, numa tendência que se intensificou com o enfraquecimento de regimes de controle de armas.
Índia: Construiu sua capacidade nuclear fora do enquadramento do TNP, impulsionada por cálculos de segurança regional e rivalidades no entorno. O programa evoluiu ao longo de décadas até sustentar um arsenal com doutrina de dissuasão, integrado a sistemas militares e vetores, em uma dinâmica estratégica marcada por competição no Sul da Ásia.
Paquistão: Estruturou seu programa nuclear principalmente como resposta estratégica à Índia, buscando equilibrar a correlação de forças na região. O resultado foi a consolidação de um arsenal voltado para dissuasão regional, com integração crescente a meios de entrega e modernização acompanhada por centros internacionais de pesquisa.
Coreia do Norte: Desenvolveu armas nucleares em confronto aberto com o regime internacional de não proliferação e usa o arsenal como instrumento de sobrevivência do regime e barganha estratégica. O SIPRI a lista entre os nove Estados com armas nucleares, e a evolução do programa aparece ligada a ciclos de sanções, negociações e escaladas de tensão.
Israel: Listado pelo SIPRI como Estado com armas nucleares, mas é o caso mais sensível do ponto de vista político porque o país adota uma política de não confirmação pública, frequentemente descrita como “opacidade”. Na prática, isso significa que há pouca transparência oficial sobre números e detalhes, mesmo quando centros de referência tratam o país como possuidor de ogivas.
O caso Irã
O Irã não é listado pelo SIPRI como país que possui ogivas nucleares. O impasse atual gira em torno do enriquecimento de urânio, transparência e verificação, já que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) relatou limitações para inspecionar e verificar as informações sobre estoques no país. A discussão sobre o nível de enriquecimento é importante porque, quanto mais alto ele fica, mais perto o material chega de poder ser usado em uma arma nuclear. Para ter uma ideia, urânio perto de 90% de enriquecimento costuma ser considerado “grau armamentista”, ou seja, um patamar associado à fabricação de armas.
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