A festa de Purim, uma das datas mais populares do calendário judaico, começa ao pôr do sol desta segunda feira, 2 de março de 2026, e termina na noite de terça feira, 3 de março. Em um ano marcado por uma nova escalada militar envolvendo Israel e Irã, a celebração não foi cancelada, mas mudou […]
A festa de Purim, uma das datas mais populares do calendário judaico, começa ao pôr do sol desta segunda feira, 2 de março de 2026, e termina na noite de terça feira, 3 de março. Em um ano marcado por uma nova escalada militar envolvendo Israel e Irã, a celebração não foi cancelada, mas mudou de lugar. Em vez de eventos grandes e leituras públicas lotadas, comunidades em Tel Aviv e em outras regiões passaram a concentrar as atividades dentro de casas, abrigos e áreas protegidas, seguindo orientações de segurança que restringem aglomerações.
O que é Purim e por que ele é tão celebrado
Purim relembra a história do Livro de Ester, ambientada no antigo Império Persa. Segundo a tradição, um decreto que previa o extermínio dos judeus é revertido com a intervenção da rainha Ester e de Mordecai, e a data se consolida como símbolo de sobrevivência, reviravolta e continuidade do povo judeu.
Em Israel, é uma das festas mais populares e ganha um clima que mistura fé e celebração coletiva. Além de fantasias e festas de rua, o feriado tem práticas centrais, como a leitura da meguilá, o envio de porções de alimentos a amigos e familiares, doações a pessoas em situação de vulnerabilidade e uma refeição festiva durante o dia.
Em Jerusalém e em outras cidades consideradas muradas desde a Antiguidade, a comemoração ocorre no dia seguinte, em Shushan Purim, conforme a tradição do calendário judaico.
Por que a festa mudou de endereço em 2026

Nos últimos dias, Israel entrou em um novo estágio de conflito após o início de uma operação militar contra o Irã, descrita por autoridades israelenses como Operação Roaring Lion, com sirenes e alertas afetando a rotina em várias cidades.
Com o risco de novos ataques e a necessidade de resposta rápida aos alertas, o Comando da Frente Interna reforçou diretrizes que proíbem reuniões e mantêm escolas fechadas e parte dos serviços funcionando apenas como essenciais. Segundo a imprensa israelense, a política de defesa civil foi mantida ao menos até a noite de quarta feira, 4 de março, com restrições a aglomerações em todo o país.
Na prática, isso muda a cara de Purim, especialmente em centros urbanos. Leituras coletivas, festas comunitárias e eventos com grande público deixam de ser viáveis. O resultado é uma celebração mais dispersa e concentrada em locais protegidos, como porões, estacionamentos subterrâneos, hotéis com áreas reforçadas e abrigos públicos.
Tel Aviv, evento cancelado e ação mantida em abrigo
Um retrato dessa adaptação veio de Tel Aviv. De acordo com relato publicado na imprensa local, um grande evento comunitário de montagem e distribuição de kits de Purim foi cancelado por orientações de segurança. Ainda assim, doações enviadas à North Central Synagogue permitiram que a ação continuasse em escala reduzida, com voluntários se reunindo em um abrigo para montar pacotes a tempo do feriado.
O rabino Joe Wolfson disse à imprensa local que a comunidade costuma preparar kits para pessoas em situação de rua em Tel Aviv, para sobreviventes do Holocausto que vivem na cidade e, nos últimos anos, também para famílias de reféns libertados. Segundo ele, a prioridade de apoio comunitário é mantida mesmo sob sirenes e restrições.
Meguilá com sirene, como comunidades ajustaram a prática
Com a guerra, um dos pontos mais sensíveis é a leitura da meguilá, o rolo com o Livro de Ester, tradicionalmente lido na noite e no dia de Purim. Reportagens em Israel indicam que a orientação geral é priorizar segurança, com leituras em ambiente doméstico e, quando possível, próximas a um local protegido.
O tema também reacendeu discussões sobre o que pode ou não ser feito em situações excepcionais, como transmissões e recitações remotas, embora autoridades religiosas ressaltem que decisões desse tipo variam conforme comunidade, tradição e contexto de risco.
Solidariedade ampliada e cautela na refeição festiva
Outra mudança prática é o peso ainda maior da solidariedade. Em textos recentes sobre Purim durante o conflito, rabinos e lideranças têm enfatizado doações e redes de ajuda como forma de sustentar o sentido comunitário do feriado quando deslocamentos e encontros públicos ficam limitados.
Até a refeição festiva, geralmente marcada por celebração e consumo de álcool em algumas tradições, entrou no radar de recomendações por prudência. A imprensa israelense relatou orientações para moderação, com o argumento de que a alegria não deve comprometer a capacidade de responder a alertas e chegar rapidamente a abrigos.
O que permanece, mesmo com a festa diferente
A combinação entre guerra e feriado criou um Purim de contrastes, com fantasias e meguilá em espaços protegidos, doações embaladas sob risco de sirenes e celebrações concentradas no ambiente doméstico. Ainda assim, o núcleo do feriado permanece ligado à memória de sobrevivência narrada no Livro de Ester, agora celebrada em um momento em que Israel volta a enfrentar uma ameaça associada ao Irã, desta vez no cenário contemporâneo.
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