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Brasil lidera expansão de data centers na América Latina na corrida pela IA

Brasil lidera a expansão de data centers na América Latina, concentrando quase metade da capacidade regional em operação e investimentos bilionários em infraestrutura

Data center da Ascenty em Vinhedo, na região de Campinas; empresa é uma joint venture entre Digital Realty e Brookfield Infrastructure, no Brasil; e planeja investir R$ 5 bilhões em 13 projetos na América Latina
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  • Brasil lidera a América Latina em data centers, com cerca de 48% da capacidade instalada em operação e 71% da capacidade em construção.
  • A região soma aproximadamente 1.105 MW de capacidade instalada, com 683 MW em construção e um pipeline superior a 3,8 GW.
  • Em 2025 houve entrega recorde de 184 MW de nova capacidade no segmento de colocation.
  • No Ceará, projeto de 200 MW envolve Omnia e Casa dos Ventos, com investimento de R$ 50 bilhões e ocupação prevista pela ByteDance.
  • Campinas surge como novo polo de expansão, impulsionado pela disponibilidade de área, energia e custosAtrativos.

O Brasil continua na dianteira da expansão de data centers na América Latina, impulsionado pela demanda por computação em nuvem e por aplicações de inteligência artificial. Dados do mercado indicam que o país concentra quase metade da capacidade instalada em operação na região e a maioria da capacidade ainda em construção.

Segundo o relatório JLL Latin America Data Center, o Brasil responde por cerca de 48% da capacidade instalada em operação na região e por 71% de toda a capacidade atualmente em desenvolvimento. Em 2025, a região registrou a entrega recorde de 184 MW em projetos de colocation, marco que superou o antigo recorde de 141 MW em 2022.

O mercado mede a escala dos projetos pela capacidade energética, em megawatts, não apenas pela área construída. A visão geral aponta amadurecimento do setor, com projetos maiores, continuidade de expansão e alto nível de pré-contratação, o que sustenta novos investimentos, segundo Bruno Porto, da JLL.

A América Latina não depende apenas do Brasil. Porto aponta que o México, Chile e Colômbia começam a mostrar maior escala regional e diversificação de hubs, mantendo o Brasil na liderança continental, mas com maior distribuição de atividades.

A região soma aproximadamente 1.105 MW de capacidade instalada e mantém vacância em torno de 9%, demonstrando demanda aquecida. Em construção, há 683 MW, enquanto o pipeline de novos projetos supera 3,8 GW, segundo o relatório.

Investimentos bilionários

Um exemplo de liderança brasileira surge no Ceará, fruto de uma parceria entre Omnia e Casa dos Ventos. O projeto prevê 200 MW de capacidade inicial, com investimento de cerca de R$ 50 bilhões. A construção teve início em 6 de janeiro, com expectativa de gerar 20 mil empregos diretos e indiretos ao longo do ciclo. A ByteDance, proprietária do TikTok, deve ocupar o megaempreendimento, conforme apuração da Reuters.

A Ascenty, joint venture entre Digital Realty e Brookfield Infrastructure, anunciou investimentos de US$ 1 bilhão para 2026 no Brasil, México e Chile, onde opera 25 data centers e continua desenvolvendo novos projetos. Entre os 13 ativos em desenvolvimento, o SPO05, na Grande São Paulo, receberá aproximadamente R$ 300 milhões, com 47 MW de capacidade e área construída de cerca de 40 mil m².

Campinas desponta como novo polo de expansão, deslocando-se do eixo tradicional da região metropolitana de São Paulo. A disponibilidade de terrenos, energia e preços mais competitivos favorece o crescimento regional, especialmente diante de custos elevados em áreas como Barueri. A cidade paulista oferece várias subestações com capacidade relevante para novos empreendimentos.

A demanda por IA está moldando a escala dos data centers. Instalações voltadas a IA podem exigir 300 a 500 MW, bem acima dos 30–50 MW de centros voltados a serviços de nuvem comuns, refletindo o aumento de aplicações de IA generativa e do processamento necessário.

De acordo com análises globais, o investimento em infraestrutura de data centers pode chegar a entre US$ 3 trilhões e US$ 4 trilhões por ano até o fim da década, com o Brasil estimulado a receber cerca de US$ 33 bilhões até 2030, parte relevante em infraestrutura e outra em equipamentos.

O setor tende a adotar modelos híbridos, combinando infraestrutura própria com locação de operadores especializados. Isso facilita a expansão rápida e oferece redundância operacional, uma vez que quedas de energia podem afetar operações sem redundância.

Entretanto, energia e transmissão continuam desafios. O Brasil se destaca pela matriz elétrica, com cerca de 90% de renováveis, mas o sistema de transmissão ainda apresenta gargalos que limitam o escoamento de energia de fontes solar e eólica. O custo de investimento, em grande parte, recai sobre os equipamentos internos aos data centers, não apenas na construção física.

Apesar do avanço, o Brasil ainda ocupa posição intermediária no ranking global, estimando-se em 14º lugar entre os maiores mercados. O país deve manter a liderança na América Latina, com perspectivas de melhoria no cenário global conforme a expansão avança.

Além da infraestrutura, incentivos fiscais também entram no centro do debate. O regime Redata perdeu validade após não ser votado no Senado, levando o governo a avaliar alternativas para apoiar a soberania digital. O Ministério da Fazenda, representado por Fernando Haddad, sinalizou estudos sobre novas estratégias fiscais para Atrair investimentos, incluindo para equipamentos de alto valor como GPUs e servidores.

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