Entre sexta-feira (20) e domingo (22), o Lollapalooza Brasil chega a São Paulo, no Autódromo de Interlagos, com cerca de 12 horas de shows por dia que reúnem mais de 70 atrações nacionais e internacionais para todos os gostos. Entre os artistas que vão subir ao palco, o Rock divide espaço com bandas veteranas e […]
Entre sexta-feira (20) e domingo (22), o Lollapalooza Brasil chega a São Paulo, no Autódromo de Interlagos, com cerca de 12 horas de shows por dia que reúnem mais de 70 atrações nacionais e internacionais para todos os gostos.
Entre os artistas que vão subir ao palco, o Rock divide espaço com bandas veteranas e nomes em ascensão, em uma mistura de gêneros.
Interpol
A banda mais antiga desse gênero no festival, com início das atividades em 1997, é a Interpol, formada por Paul Banks, nos vocais e guitarra, Daniel Kessler, na guitarra, e Sam Fogarino, na bateria.
A banda mistura Rock Alternativo e Pós-punk Revival, com forte influência do Pós-punk britânico dos anos 1980.
Sua sonoridade é marcada por guitarras limpas, linhas de baixo muito presentes, bateria seca e um clima mais sombrio e atmosférico.
As músicas costumam ter estrutura minimalista e progressiva, que se desenvolve ao longo da faixa em vez de apostar em refrões explosivos. O vocal grave e distante de Paul Banks reforça essa atmosfera melancólica.
A banda ganhou relevância principalmente no início dos anos 2000 e se tornou um dos nomes mais importantes da onda de revival do Post-punk, ao lado de bandas como The Strokes, Editors e Franz Ferdinand.
The Warning
Passando do Pós-punk masculino para o Hard Rock feminino, The Warning é uma banda mexicana formada pelas irmãs Daniela, Paulina e Alejandra Villarreal Vélez.
A banda se baseia principalmente em Hard Rock, Rock Alternativo e também Heavy Metal, sendo uma das bandas de sonoridade mais pesada da lista.
Na prática, The Warning mistura riffs pesados, baixo bem marcado, bateria agressiva e vocais melódicos, sem soar como uma banda presa ao rock clássico.
The Warning virou um dos maiores casos de banda de rock latina com alcance mundial nos últimos anos.
As irmãs assinaram com a Lava/Republic Records em 2020 e lançaram o EP Mayday em 2021, quando passaram a abrir shows para nomes como Foo Fighters e Stone Temple Pilots.
Em 2022, o single “Money” entrou na Billboard Mainstream Rock Airplay e chegou ao 31º lugar.
Viagra Boys
Com um nome bastante sugestivo, que cumpre seu papel de chamar atenção na lineup, Viagra Boys é uma banda sueca de Pós-punk com uma energia que reflete bem esse nome: caótica e bem humorada.
O grupo ficou conhecido por combinar um som agressivo com humor ácido, letras absurdas e uma estética muito caótica.
Sua sonoridade mistura Pós-punk, Punk, Noise Rock e Garage Rock, com baixo muito marcado, bateria pesada, saxofone e guitarras repetitivas.
As músicas costumam ter um groove hipnótico e sujo, que lembra bandas de Pós-punk dos anos 1980, mas com uma abordagem mais sarcástica. Esse tom satírico nas letras é um dos traços mais característicos do Viagra Boys.
As músicas frequentemente exploram personagens decadentes, vícios, paranoia, cultura conspiratória e os absurdos da vida moderna.
O disco que colocou o grupo no radar internacional foi Street Worms (2018), com faixas como “Sports” e “Just Like You”. Depois vieram Welfare Jazz (2021), com músicas como “Ain’t Nice”, e Cave World (2022), álbum que satiriza teorias conspiratórias e a cultura da internet.
Cidade Dormitório
O primeiro nome nacional da lista é a joia do Nordeste brasileiro, a banda sergipana Cidade Dormitório, em atividade desde 2015. O grupo começou apenas com Yves Deluc e Fabio Aricawa, que depois incorporou João Mário e Lucas Rocha.
A banda faz uma ótima mistura de Pós-punk e Rock Alternativo, com um toque de psicodelia. Na prática, isso aparece em meio a guitarras dissonantes, um clima meio tenso e arrastado, mas também em músicas que parecem se desmontar e se reconstruir no meio do caminho.
Eles não são um grupo de refrão óbvio nem de som “limpinho”; em vez disso, apostam em um tom dramático, às vezes irônico, às vezes mais quebrado e confessional.
A Cidade Dormitório virou um dos nomes mais conhecidos da cena alternativa de Sergipe, e sua ida ao Lollapalooza representa muito, não só para os integrantes, mas também para a região como um todo, ao jogar luz sobre uma cena pouco difundida no mainstream do local.
Hurricanes
Seguindo na leva nacional, mas com nome em inglês, Hurricanes é uma banda que nasceu no Sul com Leo Mayer e Rodrigo Cezimbra, mas depois se estabeleceu em São Paulo com Guilherme Moraes e Henrique Cezarino.
O grupo bebe direto do Rock inglês dos anos 1970, apostando com força no Blues Rock, em guitarras cheias de groove e em uma pegada de palco bem energética, o que faz da banda um dos principais nomes independentes desse ramo no país.
Sua sonoridade tem um peso clássico e uma execução quente, mais voltada para o impacto ao vivo do que para um rock excessivamente polido. Em resumo, é uma banda para quem gosta de um som com cara de estrada.
Papangu
Finalizando com um som mais pesado, temos outra banda nordestina: a Papangu, de João Pessoa, na Paraíba, que chama atenção por misturar uma sonoridade puxada para o Metal com características nordestinas.
É difícil explicar rapidamente o som do grupo, já que eles misturam riffs pesados de Metal, mudanças bruscas de ritmo, teclados psicodélicos e elementos de jazz em estruturas complexas.
Essa abordagem ficou evidente no álbum Holoceno (2021), que ajudou a colocar a banda no radar internacional. O disco mistura Metal Progressivo, Space Rock e elementos da música brasileira.
As letras e os conceitos da banda costumam dialogar com história, cultura nordestina, surrealismo e ficção. No álbum mais recente, Lampião Rei (2024), aparecem imagens e referências dessa cultura, como “carcará”, “mandacaru”, “Serra Talhada” e o próprio Lampião.
Rock no Lollapalooza: Confira a grade de horários
Sexta – 20 de Março
15h50 – Viagra Boys (Palco Samsung Galaxy)
18h00 – Interpol (Palco Samsung Galaxy)
Sábado – 21 de Março
12h00 – Hurricanes (Palco Samsung Galaxy)
14h45 – Cidade Dormitório (Palco Flying Fish)
16h55 – The Warning (Palco Flying Fish)
Domingo – 22 de Março
12h45 – Papangu (Palco Flying Fish)
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