A imagem do Supremo Tribunal Federal (STF) atravessa um dos momentos mais delicados dos últimos anos. Pesquisa divulgada pela AtlasIntel nesta sexta-feira (20) mostra que a avaliação da maioria dos ministros da Corte caiu de forma expressiva, em meio às suspeitas de envolvimento de integrantes do tribunal com o caso do Banco Master. Segundo o […]
A imagem do Supremo Tribunal Federal (STF) atravessa um dos momentos mais delicados dos últimos anos. Pesquisa divulgada pela AtlasIntel nesta sexta-feira (20) mostra que a avaliação da maioria dos ministros da Corte caiu de forma expressiva, em meio às suspeitas de envolvimento de integrantes do tribunal com o caso do Banco Master.
Segundo o levantamento, sete dos dez ministros são hoje mais mal avaliados do que bem avaliados pela população, evidenciando um desgaste que vai além da instituição e atinge diretamente seus membros.
Mendonça apresenta a melhor avaliação, enquanto Toffoli tem a pior
A principal exceção é o ministro André Mendonça, único a apresentar saldo positivo de imagem. Ele registra 43% de avaliações favoráveis, contra 36% negativas, enquanto 20% dos entrevistados dizem não conhecê-lo o suficiente para opinar. Especialistas atribuem o desempenho ao seu perfil mais reservado e à menor exposição em embates políticos.
No extremo oposto está Dias Toffoli, que concentra a maior rejeição entre os colegas. Sua avaliação negativa disparou para 81%, com apenas 9% de aprovação, uma mudança brusca em relação ao cenário registrado no ano passado. O aumento coincide com sua atuação no inquérito do Banco Master e com revelações sobre relações com pessoas ligadas ao caso, o que ampliou questionamentos sobre sua conduta.
Alexandre de Moraes também viu sua popularidade recuar, embora em menor intensidade. Sua rejeição subiu para 59%, enquanto a aprovação caiu para 37%. Ainda assim, analistas apontam que sua atuação em temas relacionados à defesa institucional ajuda a preservar parte de sua base de apoio.
Outros ministros seguem a mesma tendência de desgaste. Gilmar Mendes teve aumento significativo na avaliação negativa, que chegou a 67%, acompanhado de queda na aprovação. Já Kassio Nunes Marques, apesar de ser um dos menos conhecidos pelo público, também registra mais avaliações negativas do que positivas.
Entre os demais integrantes da Corte, nomes como Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin e o presidente do STF, Edson Fachin, também apresentaram piora nos índices de aprovação. No caso de Fachin, o recuo ocorre mesmo diante de sua defesa de medidas para reforçar a credibilidade do tribunal, como a criação de um código de ética para os ministros.
Os dados refletem o impacto das recentes crises sobre a percepção pública do Judiciário, especialmente em um contexto de forte polarização política e crescente desconfiança nas instituições. Para especialistas, a associação entre o STF e disputas políticas, somada a suspeitas de conflitos de interesse, contribui para enfraquecer a confiança da população na Corte.
A pesquisa ouviu 2.090 pessoas entre os dias 16 e 19 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
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