Em um mundo marcado por relações cada vez mais breves, instáveis e superficiais, o TelaCast estreia nesta terça-feira (23), às 19h, com um episódio que parte de uma pergunta incômoda, mas necessária: por que os relacionamentos não duram mais? O convidado é o médico Braz Gondim, pós-graduado em Psiquiatria e especialista em trauma emocional. Ao […]
Em um mundo marcado por relações cada vez mais breves, instáveis e superficiais, o TelaCast estreia nesta terça-feira (23), às 19h, com um episódio que parte de uma pergunta incômoda, mas necessária: por que os relacionamentos não duram mais?
O convidado é o médico Braz Gondim, pós-graduado em Psiquiatria e especialista em trauma emocional. Ao longo da carreira, ele se dedicou a compreender como experiências emocionais moldam comportamentos, decisões e padrões afetivos. Autor de três livros e palestrante em diversas instituições, o especialista defende que a crise dos vínculos está diretamente ligada ao avanço do sofrimento psíquico.
Segundo Braz Gondim, a forma como as pessoas se relacionam hoje reflete uma transformação estrutural. Em vez de conexões profundas, ganham espaço relações marcadas pelo imediatismo, pela baixa tolerância ao conflito e pela pouca disposição para investir emocionalmente. Nesse contexto, os vínculos se tornam mais frágeis e mais descartáveis.
“Você não consegue se amar se você não estabelecer limites. Uma pessoa que sabe impor limites é uma pessoa que vale a pena se relacionar”, afirma o médico em um dos trechos centrais da entrevista.
O episódio também amplia a discussão ao conectar o tema a um cenário global. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo. Juntas, depressão e ansiedade provocam um impacto econômico estimado em cerca de US$ 1 trilhão por ano. O problema atinge especialmente os mais jovens e aparece ligado a afastamentos do trabalho, burnout e rupturas familiares.
Ao longo da conversa, Braz Gondim explica como o trauma emocional interfere diretamente no comportamento e na tomada de decisões. Em muitos casos, segundo ele, a pessoa entende racionalmente o que deveria fazer, mas não consegue transformar esse entendimento em atitude.
Outro ponto abordado é o aparente paradoxo da geração Z, que fala com mais abertura sobre saúde mental, mas nem sempre consegue colocar esse conhecimento em prática. A entrevista levanta uma questão central: o sofrimento emocional foi banalizado ou apenas se tornou mais visível?
Ao analisar a superficialidade das relações, o especialista também chama atenção para um padrão recorrente nas dinâmicas afetivas atuais.
“As pessoas se apaixonam por aquilo que gostariam que o outro fosse, não por quem o outro é de fato. Quando esse desejo não se concretiza, o descarte acontece de forma rápida, ainda mais em um tempo marcado por tanta superficialidade”, diz.
O episódio ainda explora como padrões emocionais se repetem ao longo dos anos, a influência de mecanismos inconscientes nas escolhas afetivas e os primeiros passos para reorganizar a vida emocional de forma prática. Em um dos momentos mais diretos da conversa, Braz Gondim alerta para os riscos de manter relações com pessoas narcisistas ou emocionalmente indisponíveis, classificando esse tipo de vínculo como destrutivo.
Com apresentação de Juliana Dariva, o TelaCast estreia com a proposta de traduzir conceitos complexos da saúde mental em reflexões acessíveis e aplicáveis ao cotidiano. A ideia é oferecer caminhos para quem busca compreender melhor as próprias emoções em meio a um cenário de instabilidade afetiva.
Assista e siga o TelaCast
O episódio vai ao ar nesta terça-feira (23), às 19h, nas plataformas oficiais do Portal Tela. Além da entrevista completa, o público também poderá acompanhar cortes e conteúdos extras nas redes sociais, pelo perfil @telacast_.
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