- O escritório Sullivan & Cromwell informou ao tribunal que uma petição no caso Prince Group continha erros causados por alucinações geradas por inteligência artificial.
- Andrew Dietderich, co-líder do grupo de reestruturação global, pediu desculpas ao juiz Martin Glenn por citações imprecisas e conclusões mal resumidas atribuídas à IA.
- Os equívocos foram constatados pela firma Boies Schiller Flexner, que atua no caso, incluindo citações do código de falências dos EUA e trechos mal interpretados.
- A S&C enviou uma versão corrigida ao tribunal e afirmou que as políticas de uso de IA existem, mas não foram seguidas, nem a revisão adicional detectou as citações incorretas.
- O caso envolve a liquidação de administradores nomeados nas Ilhas Virgens Britânicas contra o Prince Group, entidade ligada ao empresário Chen Zhi; autoridades dos EUA também buscaram quase 9 bilhões de dólares em bitcoin relacionados à operação.
O escritório de advocacia Sullivan & Cromwell admite falhas em uma apresentação judicial de alto perfil, feita em um caso envolvendo o Prince Group. A firma informou à Justiça federal de Nova York que o documento continha erros resultantes de alucinações geradas por inteligência artificial. A retratação ocorreu após a identificação de equívocos que incluíram citações incorretas ao código de falências dos EUA.
Andrew Dietderich, co-líder do grupo global de reestruturação da empresa, assinou a carta enviada ao juiz federal Martin Glenn na última semana, detalhando os erros encontrados. A BSF (Boies Schiller Flexner), também atuante no caso, detectou as falhas ao revisar a filing de 9 de abril, apontando citações incorretas de casos jurídicos e passagens mal resumidas.
Correção e apuração
A firma afirmou manter políticas e treinamentos abrangentes sobre o uso de ferramentas de IA no trabalho jurídico, mas admitiu que tais diretrizes não foram seguidas e que a revisão secundária não identificou as citações inexatas. Sullivan & Cromwell pediu uma versão corrigida ao tribunal e ressaltou que advogados podem usar IA desde que assegurem a precisão das informações apresentadas.
Contexto do caso
O caso envolve a representação de liquidadores designados por autoridades nas Ilhas Virgens Britânicas, que atuam em ações contra o Prince Group. O grupo é controlado pelo empresário Chen Zhi, originário da China. No ano passado, autoridades americanas acusaram Chen de fraude eletrônica e lavagem de dinheiro, alegando que o Prince Group operava esquemas de trabalho forçado em Camboja, desviando bilhões de dólares.
Situação atual
A investigação também envolve a ação para bloqueio de quase US$ 9 bilhões em bitcoins, considerados, pelas autoridades dos EUA, como produto de atividades criminosas do Prince Group. Chen foi preso no Camboja e foi extraditado para a China a pedido das autoridades chinesas. O estado do caso permanece em andamento, com a empresa jurídica ajustando procedimentos internos para evitar novas falhas.
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