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Cresce resistência a grandes centros de dados em cidades australianas

Crescimento de datacentros na Austrália provoca oposição local, questionando impactos ambientais, barulho e consumo de energia perto de residências

Melbourne resident Sean Brown with his son walking past the NextDC datacentre – ‘Australia’s largest hyperscale AI factory’ – in West Footscray.
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  • Em Melbourne, o datacentro M3 da NextDC, considerado o maior fábrica de IA de grande escala, deve expandir para até dez hectares e 225 MW de demanda até o fim de 2027, se aprovações rápidas forem concedidas.
  • A obra, com geradores a diesel passando de 40 para 100, gera preocupações de barulho, poluição e impacto ambiental entre moradores próximos, como Sean Brown.
  • A prefeitura de Maribyrnong é contrário à expansão, e o governo de Victoria avalia o projeto; a NextDC afirma seguir processos locais e estaduais e ouvir feedback.
  • Em Lane Cove, Sydney, o projeto Project Mars de 90 MW é alvo de resistência e deve ocupar quase 22 mil m² em três pavimentos; o conselho local diz que excede limites de altura e fica próximo a áreas residenciais e a escolas.
  • Em Hazelmere, Oeste da Austrália, há oposição a um datacentro de 15 mil m² e até 120 MW por ficar perto de rios e wetlands; a empresa GreenSquareDC diz que o empreendimento fica em região industrial e está sujeito a consulta pública.

Sean Brown vive a poucos quilômetros do M3, datacenter de West Footscray, próximo ao centro de Melbourne. Ele e outros moradores relatam ruídos de construção, torres imponentes e geração de diesel que movem os servidores, enquanto o empreendimento se expande.

O M3 é apresentado pela NextDC como a maior fábrica de IA de hyperscale da Austrália, com expansão prevista para dobrar de tamanho e alcançar 10 hectares e 225 MW de potência até o fim de 2027, caso o governo vete o processo de aprovação rápido. O complexo já passou por várias ampliações.

  • Brown diz que o zoneamento original não previu a escala atual.
  • A NextDC afirma seguir processos locais e regulatórios, com mecanismos para gerenciar feedback.
  • A Prefeitura de Maribyrnong tem expressado oposição, enquanto o governo estadual ainda não terminou a avaliação.

Nova batalha em Lane Cove

A NSW planeja avaliar o Projeto Mars, um datacenter de 90 MW e cerca de 22 mil m², que seria o quarto no entorno do rio Lane Cove, a 9 km do CBD de Sydney. A prefeitura local aponta que a construção pode exceder limites de altura e ficar muito visível junto a áreas residenciais e de bushland.

Moradores de Lane Cove dizem que o datacenter ficaria próximo ao Blackman Park, um espaço usado pela comunidade nos fins de semana, e questionam o impacto visual e energético. A chefe de planejamento estadual afirma que a participação pública é incentivada e que a avaliação ocorrerá com base em mérito, incluindo demanda de energia.

A Goodman Property, desenvolvedora do projeto, não respondeu a pedidos de comentário. A NSW planning minister, Paul Scully, mantém que datacentres são parte crítica da infraestrutura e que o processo de consulta pública será conduzido com rigor.

Outras frentes e resistência local

Em Hazelmere, a leste de Perth, moradores contestam um datacenter de até 120 MW em área industrial, com 15 mil m². Localmente, ativistas destacam preocupações com o impacto ambiental próximo ao Helena River e aos wetlands.

Representantes de grupos ambientais e da comunidade afirmam que grandes centros de dados devem ficar em áreas industriais, longe de áreas residenciais, rios e habitats sensíveis. GreenSquareDC sustenta que o empreendimento fica em área industrial já estabelecida e que o planejamento será conduzido de forma responsável.

A indústria de datacenters australianos sustenta que o setor oferece oportunidades econômicas e de empregos para comunidades vizinhas, desde que cumpram padrões ambientais rigorosos. Em audiência pública, executivos ressaltaram a importância estratégica de investir no infraestrutura de IA para evitar depender de tecnologias de outros países.

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