Os Estados Unidos realizaram nesta quinta-feira (7) ataques contra os portos iranianos de Qeshm e Bandar Abbas, regiões localizadas próximas ao Estreito de Ormuz, uma das áreas mais estratégicas do planeta para o comércio global de petróleo. A informação foi divulgada pela emissora americana Fox News e rapidamente elevou a tensão entre Washington e Teerã. […]
Os Estados Unidos realizaram nesta quinta-feira (7) ataques contra os portos iranianos de Qeshm e Bandar Abbas, regiões localizadas próximas ao Estreito de Ormuz, uma das áreas mais estratégicas do planeta para o comércio global de petróleo. A informação foi divulgada pela emissora americana Fox News e rapidamente elevou a tensão entre Washington e Teerã.
Apesar da ofensiva, autoridades americanas indicaram que a ação não representa oficialmente o rompimento do cessar-fogo nem o reinício formal da guerra. Ainda assim, o episódio intensificou o clima de instabilidade em uma região considerada vital para a economia mundial.
Poucas horas antes dos ataques, agências iranianas já relatavam movimentação militar no sul do país. A agência Fars informou que explosões foram ouvidas em Bandar Abbas e na ilha de Qeshm. Já a agência estatal Mehr afirmou que sistemas de defesa aérea foram ativados em Teerã.
Após os bombardeios, o comando militar conjunto do Irã declarou que responderá “de forma poderosa e sem a menor hesitação” a qualquer nova ação americana. O governo iraniano também afirmou que três navios de guerra dos EUA que operam próximos ao Estreito de Ormuz passaram a ser monitorados pela Marinha iraniana.
O confronto ganhou novas versões ao longo do dia. A imprensa estatal iraniana informou que forças do país lançaram mísseis contra embarcações militares americanas na região, em resposta a um suposto ataque dos EUA contra um petroleiro iraniano. Segundo a mídia local, navios americanos teriam sofrido danos e sido obrigados a recuar.
Washington apresentou outra narrativa. Em comunicado, as Forças Armadas dos Estados Unidos afirmaram que três destróieres americanos foram alvo de ataques “não provocados” enquanto navegavam em direção ao Golfo de Omã. Segundo os militares, o Irã utilizou mísseis, drones e pequenas embarcações na ofensiva.
Os EUA afirmam que nenhuma embarcação foi atingida e que responderam com operações classificadas como “ações de autodefesa”. Segundo o comunicado, os contra-ataques tiveram como alvo instalações militares iranianas usadas para lançamento de drones e mísseis, além de estruturas de inteligência e vigilância.
Por que o Estreito de Ormuz é tão importante
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estreita localizada entre o Irã e Omã. Apesar de relativamente pequeno, ele concentra parte significativa do transporte mundial de petróleo e gás natural.
Diariamente, milhões de barris de petróleo passam pela região rumo à Ásia, Europa e Estados Unidos. Por isso, qualquer escalada militar na área costuma provocar preocupação imediata nos mercados internacionais, no preço do petróleo e na estabilidade global.
Controlar ou ameaçar bloquear o estreito sempre foi uma das principais armas estratégicas do Irã em momentos de tensão com o Ocidente.
Ataques acontecem em meio a negociações frágeis
A nova escalada ocorre justamente enquanto EUA e Irã tentam negociar uma saída para a guerra iniciada em fevereiro deste ano. O governo americano aguarda uma resposta oficial de Teerã sobre uma proposta de acordo apresentada recentemente.
Na quarta-feira (6), Donald Trump afirmou que o conflito pode terminar caso o Irã “cumpra o combinado”. Segundo o presidente americano, o acordo exigiria que Teerã entregasse todo o estoque de urânio enriquecido e encerrasse operações nucleares subterrâneas.
O governo iraniano, porém, considera partes da proposta “inaceitáveis”. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, afirmou que o país segue “com o dedo no gatilho”.
Embora um cessar-fogo tenha sido prorrogado no fim de abril para viabilizar as negociações, os confrontos indiretos entre os dois países nunca deixaram de ocorrer totalmente. O Estreito de Ormuz, mais uma vez, tornou-se o principal palco dessa disputa.
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