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“Raras, mas não exatamente terras”: saiba o que são os minerais que estão no centro da disputa entre Lula e Trump

Minerais estratégicos estão por trás de celulares, carros elétricos e sistemas militares, e transformaram recursos naturais em instrumentos de poder no século XXI.

Imagem: CNN.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará nesta quinta-feira (7) sua primeira visita oficial a Donald Trump desde o retorno do republicano à Casa Branca. Após meses de embates ideológicos e declarações atravessadas, os dois líderes ensaiam uma reaproximação diplomática e devem se reunir em Washington para discutir temas econômicos estratégicos. Embora a agenda […]

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará nesta quinta-feira (7) sua primeira visita oficial a Donald Trump desde o retorno do republicano à Casa Branca. Após meses de embates ideológicos e declarações atravessadas, os dois líderes ensaiam uma reaproximação diplomática e devem se reunir em Washington para discutir temas econômicos estratégicos.

Embora a agenda oficial ainda não detalhe os assuntos da conversa, fontes ouvidas pela imprensa brasileira e americana afirmam que o encontro deve girar em torno de três temas principais: o Pix, tarifas de importação e exportação e o acesso a terras raras, minerais considerados essenciais para setores como tecnologia, defesa e transição energética.

Não é a primeira vez que esses minerais entram no centro do debate geopolítico global. Nos últimos anos, as terras raras se tornaram peças estratégicas na disputa econômica entre grandes potências, especialmente diante da corrida por semicondutores, baterias, inteligência artificial e equipamentos militares. Esses metais estão no centro do embate internacional entre Estados Unidos e China. 

O próprio Flávio Bolsonaro chegou a afirmar que “o Brasil é a solução para que os Estados Unidos não dependam mais da China em terras raras e minerais críticos”.

A declaração trouxe para o debate público um tema que, até poucos anos atrás, permanecia restrito a círculos técnicos: a importância estratégica das terras raras. A declaração, feita durante um EUA, gerou reação imediata de adversários políticos, com acusações de alinhamento excessivo aos interesses americanos.

Mais do que a disputa política, o episódio evidencia uma transformação geopolítica mais ampla: a corrida global por minerais considerados essenciais para tecnologia, defesa, inteligência artificial e transição energética.

No centro dessa transformação está um grupo de elementos químicos pouco conhecidos do público, mas absolutamente decisivos para o mundo contemporâneo.

Lula e Trump terão reunião para tratar de terras raras. Imagem: CNN.

O que são terras raras

As chamadas terras raras formam um conjunto de 17 elementos químicos da tabela periódica. Entre eles estão os 15 lantanídeos, além do escândalo e do ítrio.

Apesar do nome, esses elementos não são raros no sentido geológico. Estão presentes em diferentes regiões do planeta e podem ser encontrados em diversos tipos de solo e minerais.

O que os torna estratégicos e, na prática, escassos é outra característica:
eles aparecem em baixas concentrações e misturados a outros materiais, o que torna sua exploração difícil, cara e tecnicamente complexa .

Na prática, grandes volumes de terra precisam ser processados para extrair pequenas quantidades utilizáveis desses elementos.

Além disso, o processo de separação exige técnicas químicas sofisticadas, frequentemente associadas a alto custo e impacto ambiental.

Pequenos elementos, impacto gigantesco

Embora utilizados em quantidades mínimas, as terras raras são fundamentais para o funcionamento de tecnologias modernas.

Elas estão presentes em:

  • smartphones e computadores;
  • telas, LEDs e equipamentos eletrônicos;
  • turbinas eólicas e painéis solares;
  • veículos elétricos;
  • equipamentos médicos;
  • sistemas militares avançados.

“Sem a exploração destes minerais para serem usados na indústria moderna, não teríamos os avanços tecnológicos de que hoje dispomos. Eles podem fazer cadeias produtivas inteiras podem pararem”, afirma o especialista em direito público Gustavo Ribeiro. Explica ainda que o Brasil seria o detentor da segunda maior reserva mineral de ETR no mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, o que representa 23% das reservas mundiais. O levantamento foi realizado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos(USG). 

Em 2025, restrições de exportação impostas pela China chegaram a provocar interrupções em linhas de produção da indústria automotiva global, evidenciando a dependência desses insumos.

Um dos usos mais importantes está na produção de ímãs permanentes de alta potência, essenciais para motores elétricos e equipamentos eletrônicos.

Esses ímãs permitem fabricar dispositivos:

  • menores,
  • mais leves,
  • mais eficientes.

Foi justamente essa característica que possibilitou a miniaturização da tecnologia nas últimas décadas — transformando computadores do tamanho de salas em dispositivos portáteis.

Minerais críticos: a base da nova economia

As terras raras fazem parte de um grupo mais amplo conhecido como minerais críticos,  ou seja, considerados essenciais para a economia e a segurança nacional.

Esse grupo inclui também:

  • lítio,
  • cobalto,
  • níquel,
  • manganês,
  • nióbio.

Tais minerais estão diretamente ligados a duas grandes transformações em curso:

  • a transição energética,
  • e a digitalização da economia.

O avanço de carros elétricos, baterias, semicondutores e equipamentos de defesa aumentou de forma acelerada a demanda global por esses insumos .

Um recurso no centro da geopolítica

Nos últimos anos, as terras raras deixaram de ser apenas um tema técnico e passaram a ocupar um espaço central nas relações internacionais.

A disputa envolve principalmente duas potências: Estados Unidos e China.

A China domina grande parte da cadeia global, especialmente as etapas de processamento e refino, o que lhe confere uma vantagem estratégica significativa.

Já os Estados Unidos buscam reduzir essa dependência, ampliando a produção interna e tentando garantir acesso a reservas em outros países.

Esse movimento tem ampliado o interesse internacional por regiões ricas em minerais, entre elas, o Brasil.

O papel do Brasil

O Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do mundo, concentrando cerca de 23% dos depósitos globais, segundo dados citados por especialistas .

Além disso, o país também se destaca em outros minerais estratégicos, como o nióbio — do qual detém mais de 90% das reservas mundiais.

Apesar desse potencial, o Brasil ainda participa pouco da cadeia global:

  • produz em escala limitada;
  • exporta matéria-prima;
  • e tem baixa capacidade de refino e industrialização.

Isso significa que o país possui o recurso, mas ainda não captura todo o valor econômico que ele pode gerar.

As terras raras ajudam a revelar uma mudança silenciosa no funcionamento da economia global.

Os recursos são encontrados em pequenas quantidades, dispersos no solo, incorporados a tecnologias que sustentam desde a comunicação digital até sistemas de defesa.

O valor passa a ser definido pela raridade e importância econômica. 

No novo mapa do poder global, não é apenas quem possui esses recursos que importa.
É quem domina sua transformação, sua tecnologia e sua cadeia produtiva.

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