“É preciso encarar o problema.” A frase da pastora Helena Raquel viralizou nas redes sociais e abriu uma discussão que atravessa fé, silêncio e proteção de vítimas dentro de comunidades religiosas. A partir dessa repercussão, o novo episódio do TelaCast vai ao ar nesta terça-feira (12), às 19h, com uma pergunta central: como as igrejas […]
“É preciso encarar o problema.” A frase da pastora Helena Raquel viralizou nas redes sociais e abriu uma discussão que atravessa fé, silêncio e proteção de vítimas dentro de comunidades religiosas.
A partir dessa repercussão, o novo episódio do TelaCast vai ao ar nesta terça-feira (12), às 19h, com uma pergunta central: como as igrejas devem agir quando denúncias de violência doméstica, abuso sexual, pedofilia e sofrimento emocional chegam até suas lideranças?
Com apresentação de Juliana Dariva, o programa recebe a Dra. Veruska Ghendov, cristã evangélica, bacharel em Teologia, palestrante e perita em saúde mental. A conversa aprofunda temas sensíveis que muitas vezes ficam presos ao silêncio, à vergonha ou ao medo de expor pessoas e instituições.
Durante o episódio, a especialista defende que situações graves não podem ser tratadas apenas como questões espirituais. Para ela, a fé precisa caminhar ao lado da responsabilidade, da escuta qualificada, da saúde mental e da proteção real de quem está em risco.
“Chegou o tempo da gente parar de espiritualizar tudo. Nós precisamos observar as questões emocionais, as questões físicas. Não dá para ter uma vida espiritual plena se não tivermos cuidado com a nossa saúde física e emocional. A fala da pastora Helena Raquel vai libertar muita gente que está aprisionada”, afirma Veruska.
O alerta que saiu das redes e chegou ao debate público

Pastora Helena Raquel
A fala da pastora Helena Raquel ganhou força porque tocou em um tema difícil, mas urgente: o que acontece quando uma vítima procura ajuda em um ambiente de fé e encontra medo, culpa ou silêncio?
No TelaCast, a discussão parte desse incômodo para tratar do papel das igrejas diante de denúncias graves. O episódio não coloca a fé como problema. Pelo contrário, mostra que comunidades cristãs podem ser espaços de acolhimento, desde que saibam reconhecer quando uma situação exige ação, proteção e encaminhamento adequado.
Veruska afirma que é preciso separar a fé das condutas individuais de quem usa posições de influência para esconder abusos, manipular vítimas ou escapar de responsabilização.
“As coisas acontecem dentro das igrejas, mas são pessoas que as praticam. Por isso, é preciso discernimento para reconhecer quem é joio e quem realmente é trigo”, diz a especialista.
A frase resume um dos pontos centrais do episódio. O problema não está na espiritualidade, mas no uso da religião como escudo para minimizar denúncias, proteger agressores ou pressionar vítimas a permanecerem caladas.
Quando denunciar parece ainda mais difícil
Um dos momentos mais fortes da conversa trata do medo de denunciar quando o agressor ocupa uma posição de liderança, respeito ou influência dentro da comunidade. Nesses casos, a vítima pode se sentir ainda mais isolada.
Além da violência sofrida, muitas pessoas enfrentam vergonha, culpa, pressão familiar, medo de não serem acreditadas e receio de serem julgadas por aqueles que deveriam oferecer apoio. Esse silêncio pode se tornar ainda mais perigoso quando a preservação da imagem de uma instituição passa a pesar mais do que a segurança de mulheres, crianças e adolescentes.
O episódio também aborda a confusão entre perdão cristão e permanência em uma situação de risco. Veruska reforça que perdoar não significa aceitar violência, ignorar crimes ou continuar exposta a um agressor.
Em casos de violência doméstica, abuso sexual e pedofilia, a prioridade deve ser proteger a vítima. Isso envolve acolhimento, escuta, orientação e, quando houver suspeita de crime, encaminhamento às autoridades competentes.
Saúde mental também faz parte do cuidado cristão
A conversa também amplia o debate sobre saúde mental dentro das igrejas. Para Veruska, nem todo sofrimento deve ser tratado apenas como falta de fé, fraqueza espiritual ou problema de oração.
A especialista defende que comunidades religiosas precisam olhar para a pessoa de forma integral. Isso inclui vida espiritual, mas também saúde física, saúde emocional, contexto familiar e segurança.
Veruska é criadora de um projeto voltado para igrejas cristãs no Estado de São Paulo, com foco em protocolos de prevenção, diagnóstico e intervenção em casos de violência doméstica, depressão, ansiedade e outros sofrimentos emocionais.
No episódio, ela afirma que igrejas precisam estar preparadas para lidar com situações delicadas. Boa intenção não basta. É necessário saber ouvir uma vítima, identificar sinais de sofrimento, agir com prudência e evitar que a pessoa seja colocada em mais risco.
“Muitos podem até aparentar espiritualidade e falar com unção, mas a pergunta é: quem essa pessoa é por trás da máscara?”, questiona Veruska.
Igrejas precisam de preparo, não apenas de boa vontade
Outro ponto discutido no TelaCast é a necessidade de protocolos dentro das comunidades cristãs. Para a especialista, igrejas que recebem relatos de violência precisam ter caminhos claros de acolhimento, proteção e encaminhamento.
Isso significa preparar lideranças, orientar equipes, estabelecer limites seguros e compreender que certos casos não podem ser resolvidos apenas em conversas internas. Quando há risco à integridade de uma vítima, a resposta precisa ser responsável e concreta.
A discussão também mostra que o acolhimento não deve colocar a vítima em posição de culpa. Muitas vezes, pessoas em situação de violência já chegam fragilizadas, confusas e com medo. Se encontram julgamento, pressão ou descrédito, podem desistir de pedir ajuda.
Por isso, o episódio reforça uma mensagem direta: acolher não é apenas ouvir. É proteger.
Fé não pode ser usada para justificar silêncio
O novo episódio do TelaCast propõe uma reflexão necessária para igrejas, famílias e comunidades. A fé pode ser uma fonte de força, restauração e cuidado. Mas não pode ser usada para esconder violência, relativizar abuso ou convencer vítimas a permanecerem em perigo.
Quando denúncias são tratadas como escândalo, fofoca ou ameaça à reputação de uma instituição, o silêncio passa a fazer parte do problema. Por outro lado, quando a comunidade escolhe ouvir, proteger e agir com responsabilidade, ela se aproxima do cuidado que diz defender.
O TelaCast vai ao ar nesta terça-feira, 12, às 19h, no canal do YouTube, com cortes publicados nas redes sociais.
O episódio coloca no centro do debate uma mensagem urgente: é preciso encarar o problema. A fé não pode servir de esconderijo para a violência, nem de justificativa para culpa, silêncio ou permanência em situações de risco.
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