- Macron é pressionado a abrir um processo formal de diálogo sobre justiça reparatória pela escravização e o papel da França nesse histórico, em meio a um discurso sobre o legado da escravização.
- O Palácio do Eliseu disse que a “memorialização sobre a escravidão e o tráfico de escravos é um projeto permanente de reconhecimento” do presidente.
- A demanda por um mecanismo de diálogo cresce em meio a controvérsias sobre racismo na política, na mídia e na sociedade francesas, com a ultradireita ganhando espaço nas pesquisas para 2027.
- Boutrin e Guillon de Princé enviaram carta a Macron pedindo que seja iniciada a discussão sobre justiça reparatória, buscando restaurar a confiança entre comunidades e reconhecer a história.
- Contexto histórico: entre os séculos XVI e XIX, a França foi o terceiro maior traficante de pessoas escravizadas, e há relembranças de dívidas históricas com o Haiti, incluindo a cobrança de 1825 que só foi quitada em 1947.
Emmanuel Macron enfrenta pressão para abrir um processo formal de diálogo sobre justiça reparatória pela participação da França no tráfico de escravos e no período de escravização de povos africanos. O objetivo é discutir caminhos de reparação e reconhecimento.
O governo francês afirma que a “memorialização” da escravidão e do tráfico é um projeto permanente de reconhecimento do presidente. A oposição e comunidades afetadas pedem passos práticos para enfrentar o legado histórico.
A comemoração deste ano coincide com críticas de frustrações internacionais e um certo estresse político interno, já que o país debate racismo, direitos sociais e a influência de forças de oposição antes das eleições de 2027.
Contexto histórico e reivindicações
Desde o século XVI, a França foi um dos maiores traficantes de escravizados, responsável por cerca de 13% do total transportado para as Américas, entre outras regiões. A crítica recente questiona a abstinção francesa em votações da ONU sobre reparações.
Atualmente, lideranças de comunidades descendentes e representantes de territórios ultramarinos defendem que o país assuma um processo de diálogo público para reparar danos históricos, raciais e socioeconômicos herdados da escravização.
Entre os signatários, destaca-se o senador Victorin Lurel, que chamou a abstinção de erro moral, histórico, diplomático e político. Ele argumenta que o país precisa reconhecer responsabilidades para restabelecer confiança.
Pedidos por diálogo e ações
Outra linha de apoio vem de Dieudonné Boutrin, que coordena uma federação de descendentes e solicita que Macron autorize discussões formais sobre reparação. O objetivo é promover entendimento entre comunidades e reduzir o racismo estruturado.
A Fundação da Memória da Escravatura, chefiada por Aïssata Seck, com apoio do ex-primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault, também pediu a liderança do governo para abrir o tema de reparação e enfrentamento das desigualdades herdadas.
Paralelamente, a França mantém debate sobre reparações para Haiti, dada a dívida histórica imposta no século XIX. Um comitê conjunto com o Haiti foi anunciado em 2025, com prazo para conclusão neste ano.
Entre na conversa da comunidade