No último fim de semana, São Paulo recebeu a Virada Cultural 2026, evento que transformou a capital paulista em um grande palco de música, arte, teatro e outras manifestações culturais. Na música, a Virada teve como tema “O Festival dos Festivais” e reuniu diversos artistas em mais de 21 palcos espalhados por várias regiões de […]
No último fim de semana, São Paulo recebeu a Virada Cultural 2026, evento que transformou a capital paulista em um grande palco de música, arte, teatro e outras manifestações culturais.
Na música, a Virada teve como tema “O Festival dos Festivais” e reuniu diversos artistas em mais de 21 palcos espalhados por várias regiões de São Paulo.
Fim de semana de chuva e frio não abalou a multidão
Segundo a Prefeitura de São Paulo, a Virada Cultural reuniu 4,8 milhões de pessoas, movimentou mais de R$ 1 bilhão na economia e alcançou 99% de aprovação em uma pesquisa da FGV.
Mesmo com chuva e temperaturas baixas, com média de 16 °C, o público mostrou força e ocupou os palcos da Virada Cultural, principalmente no centro histórico, que recebeu 24 horas seguidas de apresentações.
Além disso, o Metrô e as linhas da CPTM funcionaram de forma ininterrupta durante o fim de semana da Virada Cultural, com operação 24 horas para embarque, desembarque e baldeações. A medida ampliou o acesso entre diferentes regiões da cidade e facilitou a chegada do público aos diversos palcos do festival.
Do Pop de Luisa Sonza até o reggae de Manu Chao, virada foi musicalmente diversa
A música foi um dos principais destaques da Virada Cultural, que contou com 21 palcos espalhados por São Paulo e, pela primeira vez, abriu espaço para escolas de samba durante o evento. Ao longo dos dois dias de programação, a cidade recebeu apresentações de diferentes gêneros, do Pop e da MPB ao Reggae, Jazz e Hardcore.
No centro, as principais atrações se concentraram em diferentes palcos, com destaque para o Anhangabaú. No sábado, a Mocidade Alegre se apresentou à tarde, seguida por Péricles, que levou ao público a nostalgia do Pagode dos anos 2000 em um show de uma hora e meia, com músicas do Exaltasamba e até de Djavan.
Depois de Péricles, Luísa Sonza, um dos maiores nomes do Pop nacional, subiu ao palco em um show marcado por frio, chuva e uma tentativa de invasão. No repertório, a cantora aqueceu o público ao passar por diferentes fases da carreira, com destaque para o álbum recém-lançado Brutal Paraíso, e também se apresentou na Zona Leste, no Palco São Miguel Paulista, onde encerrou as atrações do dia.
À meia-noite de domingo, Manu Chao, cantor de Reggae conhecido pelo hit “Me Gustas Tu”, levou um show energético ao público e ajudou a espantar a garoa e o frio durante a madrugada. Entre cantos anti-imperialistas e bandeiras da Palestina na multidão, o artista interagiu com o público ao apontar o microfone para a plateia, em uma apresentação com som mais baixo em contraste com as caixas estrondosas do show de Luísa Sonza.
Já na tarde de domingo, o palco do Anhangabaú voltou a se movimentar com Marina Sena, cantora que mistura Pop e MPB e se consolida como um dos grandes nomes da música brasileira atual. A artista abriu um dos shows mais esperados da Virada sob chuva, que logo se dissipou durante músicas como “Coisas Naturais” e “Numa Ilha”.
Logo depois, Seu Jorge, nome conhecido há décadas na música brasileira, trouxe uma atmosfera mais tranquila após o Pop hipnótico de Marina Sena, que foi chamada pelo cantor para cantar “Pontos de Luz”, em homenagem a Gal Costa.
Por fim, o domingo terminou com Alexandre Pires, que cantou sucessos da carreira solo e músicas do antigo grupo Só Pra Contrariar, em um show de 1h30 marcado pela mistura de Samba, Pagode e até Sertanejo.
No Largo do Arouche, a programação começou com a cantora baiana Jadsa, seguida por Catto, em um início de fim de semana mais tímido, com apenas três apresentações. O sábado terminou com Brisa Flow e DJ Lys Ventura, que já mostraram a força do Hip-Hop feminino que marcaria o domingo.
O primeiro show de domingo ficou por conta de Ebony, que se apresentou à 1h da manhã e, mesmo em uma madrugada fria, lotou o palco ao som de hits como “Extraordinária” e “100 Mili”, reforçando a força feminina do Rap que marcaria a programação seguinte.
Depois dela, a cantora de Hip-Hop MC Luanna apresentou o novo álbum Irrefreável, lançado em 18 de março deste ano, e animou a plateia, especialmente durante “44”, música que faz referência ao número de sua casa em São Paulo.
O restante do dia manteve a força feminina no palco, desta vez com gêneros mais diversos, como o MPB Pop e o Groove de Tulipa Ruiz. Depois, o Rap voltou à programação com Ajuliacosta, antes do encerramento de domingo com Céu, que levou à Virada a turnê comemorativa de 20 anos de seu primeiro álbum.
Ainda no centro, desta vez no Palco São João, o clima foi diferente. A programação começou no sábado com Sidney Magal, que enfrentou chuva e público reduzido no início, mas entregou um show enérgico, com músicas de Gilberto Gil e homenagens a nomes da Jovem Guarda.
No domingo, o Palco São João ganhou força logo na madrugada com Gaby Amarantos, vencedora do Grammy Latino em 2023, que agitou a multidão com músicas do álbum mais recente, Rock Doido. A apresentação também foi marcada pelo entusiasmo da cantora, que chegou a ficar de ponta-cabeça, e por críticas à estrutura oferecida a artistas brasileiros após falhas técnicas.
A madrugada seguiu com o pernambucano Johnny Hooker e, depois, com o Piseiro de Rom Santana. Já no fim da manhã, Gretchen subiu ao palco para animar a multidão com um repertório que reuniu covers como “Lambada”, de Kaoma, “Vem Dançar Kuduro”, de Lucenzo, e sucessos autorais, como “Conga, Conga, Conga”.
Na Zona Leste, Vitor Kley, dono do hit “O Sol”, se apresentou no início da noite no Palco Guaianases com um repertório marcado por uma atmosfera leve e ensolarada. No domingo, Michel Teló subiu ao mesmo palco no fim da tarde e levou o Sertanejo à região com sucessos como “Ai, Se Eu Te Pego”, “Fugidinha” e “Casal Modão”.
Antes da apresentação de Luísa Sonza no Palco São Miguel Paulista, a Zona Leste recebeu Latino, que fez um show animado e nostálgico com sucessos dos anos 1990 e 2000.
Entre as principais apresentações da Zona Leste, Thiaguinho fechou o domingo no palco do Parque do Carmo, em Itaquera. Mesmo sob chuva e em meio à lama, o cantor animou a multidão com sucessos como “Teu Segredo” e “Caraca, Muleke”.
Na Zona Norte, o primeiro dia de shows no palco da Freguesia do Ó foi encerrado pelos Titãs, banda de Rock dos anos 1980 que apresentou clássicos da carreira e composições mais recentes, como “Caos”, feita por Rita Lee.
No domingo, o mesmo palco recebeu o Demônios da Garoa, tradicional grupo de Samba da Mooca, seguido pela segunda apresentação de Sidney Magal no festival, que encerrou o dia na Zona Norte.
No palco da Parada Inglesa, Mumuzinho encerrou a programação de domingo à tarde com um show que misturou Samba e Pagode, em clima de resenha, ao som de sucessos como “Fulminante” e “Mande um Sinal”.
Na Zona Oeste, o Palco Butantã foi a casa do Rock na Virada Cultural e abriu a programação de sábado com a força do Black Pantera. A banda de Metal enfrentou a chuva com instrumental agressivo e um moshpit formado apenas por mulheres.
Na sequência, outra banda de Metal subiu ao palco: o Matanza Ritual, liderado pelo vocalista Jimmy London. O grupo levou peso e energia ao público, com um repertório marcado pela pegada Countrycore que consagrou o antigo Matanza e colocou a plateia para cantar em coro e agitar a pista.
No domingo, a programação começou cedo com o Rock do Hurricanes, em uma apresentação mais tranquila, marcada pelo Rock setentista e por influências de Blues. O clima mudou com a entrada da banda Eskröta, focada no Thrash Metal.
Depois, o palco recebeu duas lendas do Rock. No início da tarde, o Butantã viu o CPM 22 celebrar seus 30 anos de carreira com vários sucessos e participação especial do guitarrista Fletcher, da banda norte-americana Pennywise, em uma versão do clássico “Blitzkrieg Bop”.
Logo depois, o Palco Butantã recebeu os Raimundos, banda de Hardcore que mistura a agressividade do Rock com ritmos nordestinos e tocou clássicos da carreira, como “Mulher de Fases”.
Na Zona Sul, o Sertanejo dominou os palcos com duplas como Kaique e Felipe, Guilherme e Santiago, no Palco Campo Limpo, Bruninho e Davi, no Palco 7 Campos, além de Felipe e Rodrigo, no Palco Jardim Myrna, entre outras atrações.
A Zona também recebeu o segundo show de Péricles na Virada, realizado no domingo, no Palco 7 Campos.
Museus e exposições também fizeram parte da virada
Além da música, a Virada Cultural também contou com outras atividades, como o Masp, que ficou aberto durante toda a noite pela primeira vez na história.
Outros espaços também receberam programações especiais, como o Instituto Moreira Salles, a Japan House, o Itaú Cultural e algumas unidades do Sesc na capital.
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