- Entre 2021 e 2023, seis empresas de renováveis estrearam na BME Growth: EIDF, Energy Solar Tech, Umbrella Global Energy, Enerside Energy, Greening e Solarprofit, com cerca de 82,0 bilhões de euros em investimentos, sendo 32,0 bilhões em 2022, segundo dados da ONU.
- O excesso de oferta de energia renovável fez preços negativos no mercado maiorista espanhol e europeu, impactando especialmente produtores menores.
- As seis companhias listadas na BME Growth levantaram 114,0 milhões de euros para desenvolver seus negócios, mas as ações caíram até 99% desde os máximos; duas terminaram o último ano sem apresentar contas e EiDF virou título de negociação suspenso.
- Solarprofit comunicou insolvência e pode pedir concurso voluntário liquidativo sem um plano de reestruturação; Greening realizou aumento de capital de 30,0 milhões de euros para reorganizar a dívida e evitar OPA, segundo fontes.
- Grandes companhias, com negócios globais e contratos de venda de energia a longo prazo, enfrentam menos pressão, mas o setor como um todo enfrenta dificuldade de crédito e queda de receita, com excesso de oferta de geração solar conectada à rede.
Entre 2021 e 2023, seis empresas de renováveis entraram na BME Growth, mercado espanhol para pequenas e médias empresas. As IPOs ocorreram em um momento de forte expansão do setor, com aportes recentes na Espanha estimados em cerca de 82 bilhões de euros, segundo dados da ONU.
O excesso de oferta de energia renovável derrubou os preços no mercado mayorista nos últimos dois anos. A queda afeta especialmente projetos solares, que convivem com horários de geração intensa e preços próximos de zero ou negativos. A situação pressiona caixa dessas companhias.
A reação das empresas cotadas incluiu várias ampliações de capital para manter operações. Duas delas não apresentaram contas de 2025: EiDF foi suspensa de negociação há pouco tempo, e Solarprofit comunicou insolvência potencial sem plano de reestruturação.
Panorama do setor
Mesmo com capital fresco total de 114 milhões de euros para desenvolver modelos de negócio renováveis, o segmento enfrenta perdas em atividades como o autoconsumo, que caiu cerca de 80% desde 2022. A lucratividade depende de contratos de venda de energia de longo prazo.
Queda de demanda, menor subsídio e juros elevados aumentam a pressão financeira. Bancos consultados destacam que o excesso de oferta de energia e a volatilidade de preços elevam o risco de novas captações e elevam custos financeiros para promotores menores.
A situação de duas grandes empresas da lista, Greening e EiDF, diverge. Greening tenta reestruturar dívida após uma rodada de capital de 30 milhões de euros, enquanto EiDF figura entre as companhias com maior exposição ao risco de insolvência.
Perspectivas e impactos
Greening chegou a propor uma fusão com Energy Solar Tech, buscando consolidar ativos renováveis em operação e ampliar a geração de caixa estável. A operação visa reforçar a visibilidade financeira do grupo e sustentar o crescimento com base de receita recorrente.
Especialistas apontam que o problema não se restringe às pequenas empresas. Grandes companhias possuem reservas de liquidez, mas também enfrentam pressão adversa pela queda de preços, maior custo de crédito e rolagem de contratos até que o setor se ajuste ao novo equilíbrio de mercado.
Entre na conversa da comunidade