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Entrevista de Deschamps acontece após ato contra prisão de jornalista

Entrevista de Deschamps é marcada por protesto pela libertação do jornalista Christophe Gleizes, preso na Argélia desde maio de 2024

Manifestação contou com a presença dos pais do jornalista; na imagem, equipes de veículos de imprensa erguem faixas com o pedido de liberdade
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  • A entrevista coletiva de Didier Deschamps, em Nova Jersey, foi marcada por protesto em defesa da liberdade do jornalista Christophe Gleizes, preso na Argélia desde maio de 2024.
  • Gleizes, de 37 anos, é repórter da revista So Foot e foi condenado a sete anos de prisão por “apologia ao terrorismo” durante viagem à Cabília, no nordeste argelino. Também trabalhava para a revista Society.
  • O protesto contou com a participação dos pais de Gleizes e de jornalistas que ergueram faixas com a frase “liberdade a Christophe Gleizes”; a FIFA havia emitido a credencial de imprensa para o jornalista na semana anterior.
  • Deschamps declarou apoio ao jornalista, afirmou ter visitado os pais e disse que espera que Gleizes possa retornar para fazer perguntas.
  • A RSF (Repórteres Sem Fronteiras) sustenta que a prisão é infundada e pediu que profissionais da cobertura da Copa repetirem o apelo pela libertação em todas as partidas até o fim do torneio, que teve início no dia seguinte ao ato.

A entrevista coletiva do técnico Didier Deschamps, nesta segunda-feira (15.jun.2026), foi marcada por um protesto em defesa da liberdade do jornalista Christophe Gleizes, preso na Argélia desde maio de 2024. O ato ocorreu no MetLife Stadium, em Nova Jersey, com faixas exibidas na frente de Deschamps e dos pais de Gleizes, presentes na ocasião. A mobilização veio dias após a FIFA credenciar o jornalista para a cobertura da Copa do Mundo.

Gleizes tem 37 anos e atua para a revista So Foot. Ele foi condenado a 7 anos de prisão por suposta apologia ao terrorismo durante uma viagem à Cabília, na Argélia, onde produzia relatos sobre o clube JS Kabylie. Também trabalhava para a revista Society no momento da detenção.

Durante a entrevista, Deschamps manifestou apoio ao jornalista e afirmou ter conversado com os pais de Gleizes. Disse esperar que o correspondente possa retornar em breve para fazer perguntas. Ao lado, cerca de 20 faixas erguidas por jornalistas franceses continham o pedido de liberdade para Gleizes, presente pela primeira vez na Copa do Mundo em menção ao caso.

Prisão de Christophe Gleizes

A pena foi anunciada com base em acusações de publicar conteúdos considerados pela defesa argelina como propaganda contrária aos interesses nacionais. A acusação cita contatos com integrantes do MAK, organização associada à autodeterminação da Cabília e rotulada como terrorista pelo governo argelino. Os pais do jornalista agradeceram a decisão da FIFA de credenciar Gleizes e pediram clemência ao governo argelino, ressaltando o isolamento do filho na prisão.

A RSF (Repórteres Sem Fronteiras) afirmou que a prisão de Gleizes é infundada e que jornalistas esportivos devem atuar nos estádios e nas redações, não atrás das grades. Thibault Bruttin, diretor-geral da RSF, pediu aos profissionais de cobertura da Copa que unam vozes em defesa da libertação do repórter em todas as partidas.

A manifestação no MetLife Stadium ocorreu na véspera da estreia da França no torneio, marcada para enfrentar o Senegal, às 16h (horário de Brasília). As mesmas ações lembram a continuação do apelo pela libertação durante a Copa, com o objetivo de manter o caso sob a atenção da imprensa internacional.

Copa do Mundo 2026 e contexto

A Copa do Mundo é um evento esportivo realizado pela FIFA, com natureza privada e fins lucrativos, que ocorre a cada quatro anos. As seleções são definidas por meio de eliminatórias, e a comissão técnica é composta por entidades privadas. No caso do Brasil, a definição do treinador e dos jogadores envolve a entidade reguladora, sem influência direta do governo.

Essa condição reforça que a representação na Copa é institucionalmente distinta de uma atuação governamental, com decisões sobre a equipe baseada em critérios organizacionais e mercadológicos, e não políticas oficiais.

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