- Uma investigação da BBC Three revela casos de criadoras do OnlyFans que relatam ameaças, controle de contas e retenção de parte dos ganhos por gestores, em esquema de exploração.
- O OnlyFans tem mais de 4,6 milhões de perfis globalmente e retém 20% da receita dos criadores; gestores conhecidos como OFMs prometem aumentar ganhos, mas há relatos de prática coercitiva.
- Um caso envolve uma criadora de 29 anos do sul do País de Gales que, após buscar agência, teve controle da conta aumentado, recebeu mensagens abusivas e sofreu violência física, incluindo invasão e agressões.
- Também foram identificadas orientações de recrutamento, formas de tomar conta de contas e técnicas para lucrar com perfis de terceiros, com contratos que retêm entre cinquenta e setenta por cento da receita.
- O OnlyFans informou que não endossa agências ou terceiros e que mantém a segurança dos usuários; autoridades britânicas apontam sinais de exploração e destacam lacunas na proteção legal contra violência fora do ambiente online.
Uma investigação da BBC Three revela relatos preocupantes de criadoras da plataforma OnlyFans, que dizem ter sido alvo de ameaças, controle de contas e retenção de parte de seus ganhos por gestores. Segundo o documentário, esse ambiente favorece estratégias de exploração no meio digital.
O OnlyFans concentra mais de 4,6 milhões de perfis no mundo e retém cerca de 20% da receita dos criadores. Gestoras e OFMs prometem aumentar ganhos, mas relatos indicam coerção, manipulação de dados de acesso e cobrança de percentuais elevados.
Casos envolvendo criadoras brasileiras e de outros países ganham destaque. Rebecca, de 29 anos, do sul do País de Gales, relatou que após aceitar parceria com uma agência perseguição inicial deu espaço ao controle, com abusos verbais, ameaças e violência física, incluindo invasão e agressões à residência. Rebecca chegou a alterar senhas para tentar manter autonomia, e relatos descrevem coerção financeira e restrições à vida social.
Outro caso citado envolve Leanne, ex-criadora de 33 anos, que assinou contrato com repasse de metade dos ganhos e acesso à conta. Ela diz ter sido pressionada a produzir conteúdos sexualmente explícitos e revelou que o conteúdo chegou a ser vendido por valores menores do que o autorizado, conforme relatos apresentados no documentário.
Relatos de recrutamento, tomada de controle de contas e táticas para lucrar com perfis alheios aparecem em comunicações internas, incluindo mensagens que sugerem a criação de e-mails e senhas para acesso aos perfis. A prática de controle permaneceu como tema central nas investigações, com acusações de retenção de parte da receita entre 50% e 70%.
Em resposta, o OnlyFans negou que haja omissão quanto a problemas de segurança, afirmando levar a proteção dos usuários muito a sério. A plataforma ressaltou que não mantém vínculo com agências de gestão nem endossa terceiros, mantendo relação apenas com criadores e fãs, e citou investimentos em medidas de proteção e cumprimento da legislação local.
Autoridades britânicas compartilham preocupação com os relatos. A comissária contra a escravidão moderna, Eleanor Lyons, aponta sinais de exploração como controle e coerção, dificultando o rompimento do vínculo. O regulador de segurança online, Ofcom, classificou os relatos como muito preocupantes, destacando a necessidade de plataformas avaliarem riscos. Por outro lado, o Ofcom ressaltou que crimes cometidos inteiramente fora do ambiente digital não ficam cobertos pela Lei de Segurança Online, abrindo espaço para lacunas de proteção.
Entre na conversa da comunidade