- O primeiro-ministro polonês Donald Tusk pediu verdade e respeito mútuo durante o evento de recuperação da Ucrânia, em Gdańsk.
- Volodymyr Zelenski não participou da abertura; a delegação ucraniana foi comandada pela primeira-ministra adjunta Yulia Svyrydenko, após atrito sobre a nomeação de uma unidade militar ligada à UPA.
- A polêmica envolve a unidade ligada à Organização de Nacionalistas Ucranianos (UPA), visto por muitos ucranianos como herói da independência, mas acusado por Polônia de genocídio contra poloneses.
- A Ucrânia busca bilhões em ajuda e investimentos para reconstrução e pretende avançar em negociações de adesão à União Europeia, já iniciadas em Luxemburgo.
- O presidente polonês Karol Nawrocki chamou a decisão de nomear a unidade de “ultrajante” e “incompreensível”, enquanto Tusk trabalha para reduzir tensões durante o encontro.
Polônia e Ucrânia vivem uma tensão diplomática desdobrada durante a Conferência de Recuperação da Ucrânia em Gdansk, onde o primeiro-ministro polonês Donald Tusk pediu por verdade e respeito mútuo. Zelensky não participou do evento, após polêmicas ligações a uma unidade militar associada a combatentes da Segunda Guerra Mundial.
A controvérsia envolveu a decisão da Polônia de nomear uma unidade militar com uma referência à Organização Ucraniana de Insurgentes (UPA). Tal referência é vista pela Ucrânia como símbolo de resistência, mas a Polônia aponta para atos de violência contra poloneses em Volínia entre 1943 e 1945.
Tusk abriu a conferência sem a presença de Zelensky, que já liderou a delegação em anos anteriores. Neste ano, a missão ucraniana é conduzida pela primeira-ministra adjunta Yulia Svyrydenko. O presidente polonês Karol Nawrocki chamou a nomeação de agressão histórica e afirmou que a discussão não afetará o apoio de Varsóvia a Kiev.
Conflitos diplomáticos à parte, a conferência reúne representantes de Bulgaria, Estônia, Finlândia, Letônia, Lituânia, Romênia e Suécia, além de Ursula von der Leyen e Antonio Costa. Ucrânia busca apoio e investimentos para reconstrução e avanços nas negociações de adesão à União Europeia.
Zelensky informou, nesta semana, que devolveu a Ordem de White Eagle, conferida em 2023. O presidente ucraniano disse que o país permanece aberto a formatos de cooperação com a Polônia, buscando evitar leituras conflitantes do passado comum.
Embora Nawrocki tenha destacado que a crise não deve desviar o apoio à Ucrânia, a polêmica ocorre em um momento em que Kiev busca bilhões em ajuda e investimentos para a reconstrução, além de demonstrar andamento nas negociações de adesão à UE.
Avanços e mensagens
Participantes destacam que a Ucrânia tem aspirações de se tornar membro da UE e participou da primeira fase de negociações de adesão na semana passada, em Luxemburgo. A conferência continuará por dois dias, com foco em reconstrução e cooperação regional.
Tusk ressaltou que o futuro só é viável com verdade e respeito mútuo, ressaltando a importância de entender a história de forma compartilhada. O evento ocorre em meio a pedidos internacionais por estabilidade e apoio à resistência ucraniana.
Nawrocki afirmou que a divergência histórica não deve comprometer a cooperação atual entre Polônia e Ucrânia. O governo polonês mantém, entretanto, uma linha firme sobre o tema da memória histórica e suas implicações diplomáticas.
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