- Maria, de 11 anos, mora em Târgoviște e cuida da avó, acompanhando-a ao médico e, às vezes, perdendo aulas, enquanto os pais trabalham no exterior.
- Segundo serviços sociais da Romênia, são mais de cinquenta e três mil crianças com ao menos um pai ou mãe trabalhando fora; mais de dez mil têm ambos os pais ou o principal provedor fora do país.
- A dimensão real é difícil de medir: muitos pais não registram um tutor legal por medo de intervenção do Estado, o que dificulta matrícula escolar e acesso a atendimentos médicos.
- Estudos estimam números maiores que os oficiais: mais de quinhentos mil crianças com pelo menos um dos pais ausente; setenta e seis mil com ambos os pais longe, conforme períodos diferentes.
- O efeito emocional é significativo: culpa, ansiedade e distúrbios comportamentais são comuns, com apoio psicológico escasso; Save the Children mantém programas após a escola em várias cidades, incluindo dois em Târgoviște.
Maria, de 11 anos, vive em Târgoviște e cuida da avó todos os dias. Enquanto colegas acordam ainda, ela garante que a avó tome as pílulas pela manhã. Após a escola, auxilia na cozinha, na limpeza e repete a medicação da avó.
Durante as consultas, Maria fica frente ao médico, anota nomes de remédios, dosagens e o que cada exame indica. Às vezes, isso a faz perder parte das aulas, mas sem reclamar. Ela diz que não se incomoda em cuidar da avó.
Maria mora com os avós desde os três meses de idade. Seus pais deixaram a Romênia para trabalhar na Espanha e na Alemanha, separaram-se e a mãe foi para Londres. O pai continua em Târgoviște, mas permanece pouco presente.
Panorama dos impactos
Atualmente, mais de 53 mil crianças romenas têm, pelo menos, um progenitor trabalhando no exterior. Destas, mais de 10 mil contam com apenas um provedor fora do país ou com os dois ausentes.
A escala real é difícil de medir. Muitos pais não registram um guardião legal, temendo intervenção estatal, o que dificulta matrícula escolar e acesso à saúde sem tutela formal.
A crise migratória começou após a adesão de Romênia à UE em 2007 e conferiu ao país a maior diáspora da região, com mais de 3 milhões de romenos no bloco. Ainda assim, salários no país permanecem baixos.
Diana Sabu, mãe de Edi, está na França desde abril. O filho, de oito anos, fica com a avó na cidade. A família relata que a distância é dolorosa, mas a renda de cerca de €1.600 por mês, com moradia e comida cobertas, é mais estável do que as opções locais.
Desafios e respostas institucionais
A Save the Children opera programas de pós‑escopo escolar em 50 escolas, incluindo duas em Târgoviște, para apoiar crianças com pais no exterior. As ações oferecem atividades, apoio aos deveres, passeios e uma refeição quente.
Anca Stamin, gerente de programa, destaca que a ligação emocional com os pais é um desafio constante. Estudos apontam impactos como culpa, ansiedade e retraimento, com acesso limitado a suporte psicológico.
Darius Gavriș, hoje com 17 anos, passou a infância sem os pais perto. Nascido em Târgoviște, cresceu com os avós e vários primos na mesma situação, mantendo contato com os pais apenas em visitas esporádicas.
Para Maria, a dinâmica familiar se mantém firme: a avó é a presença constante. Ela não planeja ir para Londres agora, prefere ficar para cuidar da avó, mesmo com prazos de leitura difíceis.
A reportagem segue acompanhando as histórias de famílias que vivem com a distância, buscando informar sobre as condições, dados e caminhos de apoio disponíveis.
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