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Alvo da PF no caso Master, Thiago Miranda encerra agência MiThi

Publicitário diz que fará um ano sabático após ser apontado pela PF como operador de estratégia para minar credibilidade do BC

Daniel Vorcaro e Thiago Miranda | Reprodução/Instagram
Daniel Vorcaro e Thiago Miranda | Reprodução/Instagram

Após ser alvo da Polícia Federal por ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o publicitário Thiago Miranda anunciou na segunda-feira (13) o fechamento da agência MiThi, da qual é fundador, e afirmou que irá tirar um “ano sabático”.Vorcaro pagou até R$ 2 milhões para influenciadores atacarem BC

Após ser alvo da Polícia Federal por ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o publicitário Thiago Miranda anunciou na segunda-feira (13) o fechamento da agência MiThi, da qual é fundador, e afirmou que fará um “ano sabático”.

“Estou cansado. Foram dez anos ininterruptos, vivendo a agência 24 horas por dia, sem parar. Agora, quero aproveitar um ano sabático antes de pensar no meu próximo negócio. Estou bem e profissionalmente realizado”, afirma Thiago na nota divulgada pelo advogado Rafael Martins.

 

+Vorcaro pagou até R$ 2 milhões para influenciadores atacarem BC

Thiago Miranda foi o único alvo da 10ª Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira (9).

A investigação aponta que o publicitário teria atuado diretamente no recrutamento de influenciadores e jornalistas para integrar uma estratégia de comunicação voltada à defesa dos interesses do ex-banqueiro, controlador do extinto Banco Master.

De acordo com a Polícia Federal, os profissionais contratados assumiam compromisso de confidencialidade e, em troca da remuneração, deveriam publicar conteúdos que colocassem em dúvida decisões de instituições públicas, especialmente do Banco Central, com o objetivo de enfraquecer sua credibilidade perante a opinião pública.

“As propostas de pagamento a influenciadores chegavam a R$ 2 milhões para publicação de conteúdos favoráveis ao Banco Master e críticas à atuação do Banco Central no contexto da liquidação da instituição financeira”, registra a decisão de André Mendonça ao resumir os elementos apresentados pela investigação.

Projeto de gerenciamento de crise

A decisão também descreve o chamado “Projeto DV“, apontado pela Polícia Federal como uma estratégia criada para administrar a crise de imagem de Daniel Vorcaro após o início das investigações envolvendo o Banco Master.

Segundo a PF, Thiago Miranda relatou que apresentou ao ex-banqueiro um plano de reestruturação de imagem, que previa a produção de conteúdos jornalísticos sobre sua prisão e sobre as investigações relacionadas ao banco.

Ainda conforme o documento, Thiago confirmou que fazia pagamentos a influenciadores utilizando recursos provenientes da venda de parte do portal LeoDias, do qual é fundador e foi sócio.

Esses valores, segundo a investigação, eram abastecidos por repasses feitos pela empresa Super Empreendimentos e Participações, ligada a Daniel Vorcaro.

Para a Polícia Federal, os elementos reunidos indicam que Thiago desempenhava papel central na execução do projeto, coordenando a contratação de profissionais e a estratégia de comunicação.

Ataques ao Banco Central

Além da contratação de influenciadores, a investigação afirma que o grupo promovia outras ações para fortalecer a imagem do Banco Master e reduzir o impacto negativo das investigações.

Segundo a decisão, a Polícia Federal identificou indícios de inserção coordenada de comentários positivos nas redes sociais, tentativa de derrubar conteúdos considerados prejudiciais ao grupo, aumento artificial da avaliação de aplicativos e negociações com veículos de imprensa para publicação de reportagens favoráveis ou redução da repercussão de notícias negativas.

O ministro André Mendonça também registra que a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) identificou uma série de ataques ao Banco Central nas redes sociais com indícios de atuação coordenada.

Busca e apreensão

As suspeitas levaram o ministro a autorizar mandados de busca e apreensão contra Thiago Miranda. Segundo André Mendonça, a medida é necessária para preservar documentos, equipamentos eletrônicos e registros de comunicação que possam esclarecer a estrutura do suposto esquema.

Além da suspeita de manipulação da opinião pública, a Polícia Federal investiga se integrantes do grupo utilizaram informações pessoais obtidas ilegalmente para intimidar jornalistas, empresários e pessoas ligadas ao presidente do Banco Central.

A Procuradoria-Geral da República manifestou-se favoravelmente às medidas.

O que diz a defesa?

Em nota enviada ao Portal Tela, a defesa de Thiago Miranda negou a participação do publicitário em atos destinados a intimidar, coagir, constranger ou violar direitos de terceiros.

Os advogados disseram que a existência de investigação em curso não autoriza juízo antecipado de culpa e que devem ser preservadas as garantias do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência. A defesa também afirmou que Miranda está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e demonstrar a regularidade de sua conduta.

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