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Com Milei, Tarcísio e Bolsonaro em IA, PL confirma Flávio para presidência

Senador e filho do ex-presidente lança candidatura com críticas a Lula e ao que chamou de tentativas de "matar" Jair Bolsonaro

Ricardo Nunes, Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas
Ricardo Nunes, Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas (Crédito: Nelson Almeida/AFP)

A candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência da República foi oficializada neste sábado na convenção nacional do Partido Liberal. O evento, realizado no estádio do Pacaembu (Mercado Livre Arena), em São Paulo, começou com mais de uma hora de atraso. O nome do candidato à vice na chapa ainda não foi definido. O […]

A candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência da República foi oficializada neste sábado na convenção nacional do Partido Liberal. O evento, realizado no estádio do Pacaembu (Mercado Livre Arena), em São Paulo, começou com mais de uma hora de atraso. O nome do candidato à vice na chapa ainda não foi definido.

O primeiro a discursar foi o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, que apresentou Flávio como “o filho da esperança”. Enquanto o candidato se encaminhava ao palco, músicas de campanha eram tocadas e alguns vídeos foram exibidos.

Por um momento, foi possível ouvir uma breve fala na voz do ex-presidente Jair Bolsonaro: “Deus, pátria, família e liberdade. Obrigado, meu Deus, por esse momento” – a imagem do ex-presidente, contudo, não exibida.

Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de estado, Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar. Além disso, ele foi proibido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, de divulgar manifestos político-eleitorais por qualquer meio. Também foi proibido de se expressar nas redes sociais, inclusive por meio de terceiros.

Antes do hino nacional, o locutor do evento pediu 22 segundos de silêncio. 22 é o número do PL na urna eletrônica. Pouco depois, uma fala gravada de um dos irmãos de Flávio, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos, foi exibida. Na parte inicial da apresentação, não se ouvia perfeitamente o som do vídeo.

O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), falou em seguida. Ele disse que Flávio “subirá a rampa (do Palácio do Planalto) ao lado de Jair Messias Bolsonaro”.

Outro filho de Jair Bolsonaro, o ex-vereador do Rio de Janeiro e candidato do PL ao Senado em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro, também participou com um vídeo gravado. Carlos disse que o irmão, Flávio, sofre agora a mesma perseguição que o pai já sofreu. Ele afirmou também que esta é “a última chance de livrar o país do sistema tóxico da esquerda e de salvar a democracia do país”.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), discursou. Ele fez uma comparação com a Argentina e disse que o Brasil está “numa situação muito crítica do ponto de vista da irresponsabilidade fiscal”. Nunes criticou ataques que afirmou ter sofrido de adversários, que chamou de “imundos da esquerda”. Concluiu falando em “dar o sangue” pela campanha de Flávio Bolsonaro.

A mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, participou por vídeo. Michelle disse não ter comparecido por estar em casa cuidando do marido. Ela fez referência à uma guerra de narrativas que, segundo ela, tem “uma dimensão espiritual”. Destacando o crescimento do PL Mulher e a presença feminina na política, Michelle desejou sorte a Flávio. Ela disse que “a vitória chegará para todos nós”.

Anteontem, Flávio fez um pedido de desculpas público (em vídeo nas redes sociais) pelos atritos com a ex-primeira-dama. Esse pedido foi depois também publicamente aceito por ela.

O governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi apresentado como “o homem que enfrentou o cartel da Cracolândia”. Ele disse que “o Brasil não nasceu para ser pequeno”. Também se referiu à convenção do PL como “o dia D, o dia de Flávio Bolsonaro”.

Com críticas à esquerda e menções à própria candidatura ao governo estadual, Tarcísio disse que a campanha vai “eleger, ouso dizer, o maior presidente da história, porque ele ainda vai ser maior que o pai.”

Presidente Argentino, Javier Milei em discurso na convenção de confirmação de candidatura de Flávio Bolsonaro | Créditos: Jean Carniel – Reuters

O presidente da Argentina, Javier Milei, que mais cedo havia se encontrado com Tarcísio, também compareceu. Sem tradução simultânea, o discurso em espanhol teve palavras de ordem e alguns palavrões. Houve muitas críticas à esquerda e ao que chamou de “injustiças”. Também destacou a “busca pela mudança”.

Milei agradeceu o convite para participar do lançamento da candidatura de Flávio. Ele disse que, desde que assumiu a presidência do país vizinho, os argentinos são os “profetas de um futuro distópico”. Citando a situação fiscal do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ditador de Cuba, Fidel Castro, Milei concluiu dizendo que “socialistas são ladrões”. Ele ainda disse que “confia em Flávio para parar o socialismo”.

Flávio Bolsonaro começou o discurso agradecendo à família. Ele chamou ao palco o irmão Jair Renan Bolsonaro, que anunciou candidatura a vereador em Balneário Camboriú, Santa Catarina. Ao falar sobre o pai, de quem é o filho mais velho, Flávio se emocionou.

Neste momento, uma fala do ex-presidente Jair Bolsonaro feita com inteligência artificial foi exibida em vídeo.

Depoimentos gravados foram enviados pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Ferreira justificou a ausência pela dificuldade em pegar um voo.

Sem apresentar detalhes de como pretende executar as mudanças que propõe, exceto por alterações na Constituição e endurecimento das leis, Flávio falou em uma “lula do bem contra o mal”. Ele também criticou o que chamou de “corrupção no PT” e os três mandatos de Lula como presidente. “O Brasil foi sequestrado, e a gente vai liberar o país desse cativeiro”, disse.

Com críticas à “censura” que considera haver no Brasil e fazendo referência à facada recebida por Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018 e às condenações e restrições impostas ao ex-presidente, Flávio chegou a dizer que “tentam matar meu pai pela terceira vez”. O agora candidato à Presidência, que bateu no braço ao afirmar que tem “sangue de Bolsonaro”, concluiu o discurso com as conhecidas palavras de ordem do pai: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

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