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Grandes epidemias da história: varíola, gripe espanhola e sarampo

Erradicada em 1980, a varíola ilustra o poder da cooperação global; porém malária e AIDS seguem entre as maiores ameaças à saúde pública mundial

(Dominio Público/Reprodução)
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  • Ao longo da história, epidemias causadas por bactérias, vírus e fungos marcaram a humanidade, mesmo com avanços médicos.
  • Peste negra (1346-1353) foi a pandemia mais letal, com entre 75 e 200 milhões de mortos, transmitida pela bactéria Yersinia pestis via pulgas de roedores.
  • Cólera (1817-1824) provocou centenas de milhares de mortes; hoje afeta de 3 a 5 milhões de pessoas por ano, com até 130 mil óbitos, e tem vacina de eficácia limitada.
  • Varíola foi erradicada do planeta em 1980 após campanha global, apresentando febre e pústulas que deixavam cicatrizes.
  • Gripe espanhola (1918-1919) matou de 20 a 50 milhões; sarampo tirou cerca de 6 milhões de vidas por ano até 1963, quando a vacinação foi ampliada.

A história da humanidade convive com microrganismos desde os primórdios. Bactérias, vírus e fungos causam epidemias que marcaram civilizações, mesmo com os avanços da medicina. A agricultura, ao concentrar grandes populações, facilitou a propagação de doenças.

Ao longo dos séculos, surtos graves deixaram milhões de vítimas e mobilizaram esforços sanitários, campanhas de vacinação e inovações médicas. A virulência, o ambiente e as condições sociais influenciaram a magnitude de cada crise.

As epidemias lembram a importância da vigilância em saúde, da saneamento e da cooperação internacional na resposta a doenças transmissíveis.

Peste negra

Entre 1346 e 1353, a peste bubônica devastou Europa e Ásia, com estimativas variando entre 75 e 200 milhões de mortos. A expressão popular ficou associada à gravidade da doença e ao impacto demográfico.

A transmissão ocorre pela pulga de roedores contaminados, causada pela bactéria Yersinia pestis. Inflamação dos gânglios e febre alta são comuns, com mortalidade elevada sem tratamento.

O combate incluiu melhorias em higiene, saneamento e quarentenas. Antibióticos modernos reduziram drasticamente o risco, tornando a peste rara nos dias atuais.

Cólera

Entre 1817 e 1824 ocorreu a primeira epidemia global de cólera, com centenas de milhares de mortes. Hoje, o problema permanece em alguns lugares, especialmente pela África e Sul da Ásia.

O agente é o Vibrio cholerae, transmitido por água e alimentos contaminados. Diarreia intensa e desidratação são os principais sintomas, que podem levar à morte sem intervenção.

Tratamentos modernos usam antibióticos e reposição de fluidos; as vacinas disponíveis apresentam eficácia limitada, variando conforme o contexto. A expansão de redes de água e saneamento diminui o impacto na maior parte do mundo.

Tuberculose

De 1850 a 1950, a tuberculose causou milhões de mortes, estimando-se 1 bilhão de pessoas afetadas ao longo desse período. Ainda hoje, cerca de 10 milhões contraem a doença anualmente, com mortes na casa dos milhões.

O bacilo de Koch, identificado em 1882, foi pivotal no combate. A doença é transmitida por vias aéreas e atinge principalmente os pulmões, podendo evoluir para formas graves.

Tratamentos com antibióticos reduzem a mortalidade, mas o ciclo de cura pode levar meses. A tuberculose segue como desafio em muitos países, incluindo cenários de vulnerabilidade social.

Varíola

A varíola ficou associada a uma das campanhas de erradicação mais bem-sucedidas da história. Entre 1896 e 1980, estima-se que milhares de milhões foram afetados globalmente, com centenas de milhões de mortes.

A transmissão era de pessoa para pessoa, por vias respiratórias, causando febre e erupções severas. A erradicação, em 1980, ocorreu por meio de vacinação de massa e cooperação internacional.

O legado inclui a evidência de que a ciência, a vacinação e a cooperação entre países podem eliminar uma doença. Hoje, a varíola não circula mais naturalmente.

Gripe espanhola

Entre 1918 e 1919, a gripe influenza causou de 20 a 50 milhões de mortes, espalhando-se durante a Primeira Guerra Mundial. O ápice ocorreu em muitos países, inclusive no Brasil.

A transmissão ocorre pelo ar, por gotículas de saliva. Sintomas fortes de gripe atingem cabeça, corpo e pulmões; a evolução varia conforme a estirpe viral.

Antígenos sazonais e vacinação reduzem a gravidade, mas o vírus influenza permanece em mutação constante. A vigilância epidemiológica continua essencial para prevenção.

Tifo

Entre 1918 e 1922, o tifo exantemático provocou cerca de 3 milhões de mortes, especialmente na Europa Oriental e na Rússia. Condições de guerra e pobreza ampliaram o impacto.

Causado por bactérias do gênero Rickettsia, o tifo pode ser transmitido por pulgas em diferentes ambientes. Sintomas incluem febre, dor e erupções; o tratamento é com antibióticos.

História e contexto social contribuíram para a propagação, que se concentra em cenários de crise humanitária. Medidas de higiene ajudam a reduzir riscos.

Febre amarela

Entre 1960 e 1962 houve um surto que resultou em aproximadamente 30 mil mortes, principalmente na África. O vírus afeta o fígado, levando à icterícia em casos graves.

O agente é transmitido por mosquitos, com circulação urbana e silvestre. Sintomas variam de febre a falência de órgãos, com risco de desfecho fatal.

Vacinas disponíveis para diferentes faixas etárias ajudam a prevenção. Medidas de controle de vetores complementam a proteção individual.

Sarampo

Antes de 1963, o sarampo era uma das principais causas de mortalidade infantil. A partir da vacinação, a doença foi amplamente controlada, mas houve ressurgimento no início dos anos 2000.

O vírus Morbillivirus espalha-se por secreções respiratórias; pode contagiar até 200 pessoas a partir de um caso. Erupções, febre e complicações respiratórias estão entre os sinais.

A vacinação com doses regulares reduz significativamente a incidência. A resistência à imunização em alguns setores facilita surtos locais. A vigilância epidemiológica permanece crucial.

Malária

A malária continua contribuindo com centenas de milhares de mortes anuais, especialmente na África Subsariana. Em 2021, houve cerca de 247 milhões de casos e 619 mil óbitos globalmente.

Transmitida pelo mosquito Anopheles que carrega o protozoário Plasmodium, a doença afeta células do fígado e do sangue. Não há vacina amplamente eficaz; o tratamento depende de quimioterápicos.

Esforços de controle de vetores, diagnóstico precoce e tratamento adequado são centrais para reduzir o impacto. A malária permanece um desafio médico e sanitário em regiões afetadas.

Aids

Desde 1981, a Aids resultou em cerca de 22 milhões de mortes. Avanços com antivirais transformaram o vírus HIV em uma condição gerenciável, mas não curável.

A transmissão ocorre pelo sangue, esperma, secreções vaginais e leite materno. O vírus ataca o sistema imune, aumentando a vulnerabilidade a infecções oportunistas.

O tratamento com coquetéis antirretrovirais permite maior expectativa de vida, porém requer adesão contínua. A prevenção continua sendo peça-chave na saúde pública global.

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