- A Patagônia, entre Chile e Argentina, vive conflito entre rebanhos de ovelhas e pumas que atacam o gado.
- No Chile, a caça de pumas foi proibida em 1980 e medidas de proteção, como cercas e guarda-chãos, ajudam na convivência; o ecoturismo cresce na região de Torres del Paine.
- Na Argentina, pumas são considerados praga em Chubut, com recompensas para caçadores e casos de uso de strychnine para eliminar felinos; estudo de 2017 aponta perda média de US$ 3.400 por fazenda por ano.
- A redução da presença humana permitiu a retomada da presença do puma na Patagônia, com estimativas de 50 a 200 indivíduos em Torres del Paine.
- Iniciativas de conservação, lideradas por ONGs, buscam redirecionar a predação para presas nativas e promover coexistência, inclusive via turismo com pumas.
Os seus limites de fronteira são também o palco da vida dos pumas na Patagônia. A convivência entre o rebanho e o felino mudou conforme o país, a política de caça e as alternativas de manejo. A região se estende por mais de 1 milhão de km², entre Chile e Argentina.
Vincente Navarra, pecuarista de 71 anos, cresceu ouvindo que pumas eram piores inimigos. Hoje trabalha no lado chileno da Patagônia, onde a guarda de animais e a proteção de áreas naturais influenciam a relação com os felinos. O passado de família inclui cruzar a fronteira para produzir lã.
O conflito se intensificou quando o predador começou a atacar o rebanho. Navarra relembra mortes de ovelhas e explica que as perdas financeiras afetam diretamente o sustento da família. Em paralelo, a caça ao puma ganhou notoriedade em várias zonas fronteiriças.
O pest de leste
Pumas são carnívoros oportunistas, adaptam-se aos presas disponíveis. Na Patagônia, cabras, ovelhas e cavalos costumam ser alvos, especialmente onde o pecuarista domina a paisagem. Em Torres del Paine, autoridades estimam que um único animal pode provocar múltiplas perdas em uma noite.
Na Argentina, especialmente na província de Chubut, pumas são tratados como praga por muitos criadores. Dados locais indicam perdas significativas de capital anual com ataques a rebanhos, elevando a pressão para medidas de controle. A situação é agravada pela história de incentivos à caça.
Mudanças de abordagem e fronteiras
Historicamente, leis argentinas favoreceram a caça de pumas como forma de proteção de animais de criação. A prática de remunerar caçadores com recompensas por pelos de puma seguiu vigente em várias províncias, alimentando quedas populacionais em Patagônia argentina. Em contraste, o Chile proibiu a caça ao puma desde 1980.
A proteção legal de predadores no Chile levou a estratégias não letais para evitar ataques, como cães de guarda e cercas anti-predação. Em Torres del Paine, a presença de pumas passou a ser vista como parte do ecossistema, com o turismo de observação ganhando importância econômica para fazendas vizinhas.
Ecoturismo e coexistência
Alguns produtores no Chile transformaram áreas de cria em lodges de ecoturismo, oferecendo visitas para observação de pumas. A prática reduz a caça e aumenta oportunidades de renda, fortalecendo a ideia de que a presença do felino pode trazer benefícios econômicos.
ONGs e iniciativas locais buscam replicar estratégias de conservação lideradas no Chile, incentivando o uso de predação nativa como alternativa à exploração do rebanho. Mesmo com avanços, o status da fusão entre conservação e produção segue em aberto.
Futuro e controle regional
A recuperação da população de pumas na Patagônia tem passado por mudanças na ocupação de habitat e na prática de manejo humano. A redução da pressão humana e a promoção de hábitos mais sustentáveis aparecem como caminhos defendidos por diversas organizações.
Em meio à mudança, produtores como Navarra destacam a necessidade de envolvimento de governo, comunidades e produtores na conservação. A trajetória dos pumas na Patagônia segue marcada por fronteiras físicas e institucionais que moldam o futuro das espécies.
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