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Patinho Feio: a história do primeiro computador brasileiro

Do Patinho Feio aos primeiros computadores nacionais, Brasil perde fôlego tecnológico na década de oitenta e busca reinvenção com o Pix

(Juliana Krauss/Superinteressante)
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  • Em 24 de julho de 1972, a demonstração do Patinho Feio na Escola Politécnica da USP foi interrompida quando um repórter tropeçou em cabos, apagando a máquina e exigindo reinício manual para reativá-la.
  • O projeto inicial levou ao G-10 e, em seguida, ao MC 500, com apoio da Marinha e da Cobra, consolidando a indústria brasileira de informática sob regime protecionista.
  • A partir dos anos oitenta, crise econômica e pressão externa levaram à flexibilização de importação e ao fim da reserva de mercado, enfraquecendo o setor; a Cobra foi incorporada pelo Banco do Brasil.
  • A fuga de talentos e a dificuldade de competir com gigantes internacionais marcaram o cenário, ainda que haja exemplos de inovação, como o Pix, símbolo de reinvenção tecnológica.
  • A história mostra que o Brasil tem competência para criar tecnologia, mas precisa de condições para transformar conhecimento em novos produtos e mercados.

Em 24 de julho de 1972, a Escola Politécnica da USP recebeu a demonstração do Patinho Feio, o primeiro computador brasileiro. Em meio a ajustes no espaço, autoridades presentes assistiram à apresentação que terminou abruptamente com o desligamento do equipamento por um tropeço de um repórter. O incidente revelou a fragilidade de um sistema que carregava instruções manualmente.

O episódio marcou o início de uma trajetória de inovação tecnológica nacional apoiada pela Marinha e por entidades como a Cobra. O Patinho Feio deu lugar a plataformas mais estáveis como o G-10, com manual de operação e desenho de funcionamento. Em seguida, surgiu o MC 500, primeiro computador comercial fabricado no Brasil.

Transformação e desafios

A partir dos anos 1980, a crise econômica e a pressão externa expuseram entraves para a indústria nacional de informática. Aberturas técnicas e fim da reserva de mercado fragilizaram o setor, levando à incorporação da Cobra pelo Banco do Brasil e à migração de talentos para o exterior.

O ambiente mudou com a abertura tecnológica impulsionada pelos EUA entre 1985 e 1988, que reduziu barreiras à importação. As universidades sofreram com orçamento e atualização de laboratórios, enquanto empresas nacionais enfrentaram queda de competitividade.

O Brasil hoje e o futuro

Apesar do retrocesso, o Brasil continua a avançar em projetos de inovação, como o Pix. O país mostra potencial ainda não plenamente materializado, com profissionais capacitados que atuam no exterior ou em iniciativas locais. Especialistas destacam que a competência existe, mesmo diante dos desafios de mercado.

O que restou da história do Patinho Feio é um marco de reinvenção. A trajetória revela que, com condições adequadas, o Brasil pode transformar conhecimento em novos produtos e tecnologias. O próximo passo envolve consolidar pesquisa, indústria e financiamento de forma estável.

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