- A análise do Met Office, com dados de nove anos, mostra que, para cada aumento de 1 °C na temperatura em novembro e dezembro, surgem, em média, 2,5 espécies a mais em flor na virada do ano no local avaliado.
- Em dois mil e vinte e cinco, foram registradas 310 espécies nativas em flor, valor que excede bastante as estimadas para o período; incluindo não nativas, o total chegou a 646 espécies.
- Os cientistas dizem que isso é um “sinal visível” de que o aquecimento global está alterando os ciclos naturais de plantas e da fauna no Reino Unido.
- Os resultados preliminares de dois mil e vinte e seis indicam que margaridas e dentes-de-leão, entre espécies nativas, já aparecem em flor; entre as não nativas, destacam-se fleabane mexicano e urtigas brancas e vermelhas.
- Especialistas ressaltam que o aquecimento e eventos climáticos extremos estão mudando os padrões de florescimento, evidenciando impactos diretos do desgaste climático.
Daisies, dentes-de-leão e centenas de espécies nativas estão em flor no Reino Unido, em um fenómeno que pesquisadores chamam de sinal visível do aquecimento global. A observação vem do plant hunt de ano novo, atividade liderada por cidadãos e instituições. O conjunto de dados indica que mudanças climáticas estão alterando os ciclos naturais de plantas silvestres.
A análise é proveniente do Met Office e utiliza nove anos de registros do plant hunt. Com cada aumento de 1°C na temperatura de novembro e dezembro anteriores, surgem, em média, 2,5 espécies a mais em flor na época. Nesta edição do levantamento, as safras começaram na quinta e seguem até o domingo.
Em 2025, a BSBI informou registro de 310 espécies nativas em flor, valor acima do esperado para o período, e 646 espécies em flor quando incluem espécies não nativas. A organização ressalta que o cenário aponta para impactos generalizados das mudanças climáticas na fauna e na flora britânicas.
Sinais de aquecimento e participação da comunidade
A pesquisadora do BSBI, Kevin Walker, descreve o padrão como um sinal visível que pode ser observado em jardins e áreas urbanas. A relação entre temperatura em ascensão e mudanças nos ciclos das plantas é descrita como evidência de efeitos generalizados do aquecimento global sobre a biodiversidade.
Resultados preliminares de 2026 apontam que flores comuns, como margaridas e dentes-de-leão, já aparecem fora do esperado entre as nativas. Entre as espécies não nativas, aparecem folha-de-flecha mexicana (Mexican fleabane) e urtigas-brancas e vermelhas.
Contexto climático e perspectivas
O aquecimento global é associado a poluentes fósseis que elevam a temperatura média do planeta em torno de 1,4°C acima dos níveis pré-industriais, contribuindo para eventos climáticos extremos e alterações de habitats. A Met Office informou recentemente que 2025 pode ter sido o ano mais quente já registrado no Reino Unido.
Debbie Hemming, especialista em vegetação do Met Office, descreve o conjunto de evidências como tangível: o aumento das temperaturas e a intensificação de eventos climáticos extremos estendem os ciclos naturais das plantas e da vida selvagem. A equipe reforça que os dados ajudam a entender como mudanças climáticas influenciam ecossistemas de forma ampla.
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