- O neurocirurgião e professor da USP, Fernando Gomes, afirma que fazer muitas coisas ao mesmo tempo é uma grande falácia e pode prejudicar o cérebro e o corpo.
- O cérebro consegue lidar com até nove itens abertos, mas alternar entre tarefas reduz a qualidade final e aumenta o gasto metabólico ao exigir mudança de fluxo sanguíneo e de oxigênio.
- Esse multitarefa leva ao cansaço e à exaustão, além de poder impactar memória de longo prazo e aprendizado; estudo da Universidade de Stanford, em 2009, é citado para apoiar essa ideia.
- A prática aumenta o nível de alerta do cérebro e ativa o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, elevando a adrenalina e, a longo prazo, o cortisol, conhecido como hormônio do estresse.
- O especialista ressalta a importância do sono e de uma “faxina mental”: durante o sono, o hipocampo organiza experiências e o sistema glinfático realiza a limpeza de toxinas, destacando que o sono é sagrado.
O neurocirurgião e professor da USP, Fernando Gomes, concedeu entrevista ao podcast O Assunto para falar sobre os efeitos de realizar várias tarefas ao mesmo tempo. O episódio foi ao ar na sexta-feira, 2 de janeiro de 2026. O tema principal foi a ideia de multitarefa funcionar como uma falácia, com impactos no cérebro e no corpo.
De acordo com o especialista, o cérebro consegue manter até nove itens abertos ao mesmo tempo, mas o desempenho costuma cair quando várias atividades são alternadas rapidamente. O gasto metabólico aumenta, com demanda maior por oxigênio e glicose, o que altera o fluxo sanguíneo cerebral conforme a atenção muda entre tarefas.
Essa mudança de foco, segundo Gomes, leva ao cansaço e à exaustão mental. Ele cita estudo da Universidade Stanford, de 2009, que aponta problemas de atenção seletiva e de memorização em quem realiza várias tarefas simultaneamente. Há, ainda, impacto no grau de alerta e na liberação de hormônios relacionados ao estresse.
Sono e faxina mental
O professor ressalta a importância do sono como pilar da saúde. Durante o sono, experiências do dia anterior são consolidadas no hipocampo e em circuitos neurais, e o sistema glinfático facilita a remoção de neurotoxinas. O sono é descrito como sagrado para o funcionamento cerebral.
Ele orienta que períodos de tédio e de pausa para a mente são úteis para a recuperação. Em síntese, a multitarefa constante é apresentada como prejudicial ao cérebro a longo prazo, enquanto o descanso adequado contribui para a organização das informações e a saúde cognitiva.
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