- O selênio é um micronutriente essencial com dose estreita entre o adequado e o tóxico; na prática, a alimentação já costuma suprir a necessidade para a maioria das pessoas.
- Em doenças da tireoide, a deficiência pode estar ligada a maior risco de alterações autoimunes; a suplementação pode ajudar como complemento ao tratamento em quadros graves, mas não substitui a terapia indicada.
- Mitos comuns envolvem imunidade, câncer e doenças cardiovasculares; não há evidência consistente de benefício da suplementação indiscriminada para pessoas sem deficiência.
- Em gestantes, consensos internacionais não recomendam suplementação rotineira para tireoidite de Hashimoto; porém, estudos recentes mostram que níveis baixos de selênio podem associar-se a desfechos gestacionais adversos, com resposta variável à suplementação.
- Dosagens: recomendação diária de 55 mcg para adultos (60 mcg para gestantes, 70 mcg para lactantes) e limite máximo de 400 mcg por dia; a castanha do pará é fonte concentrada; o uso deve ocorrer apenas com avaliação clínica, evitando excessos que trazem danos à saúde.
O selênio é um micronutriente essencial presente na alimentação, mas a quantidade necessária é pequena e a diferença entre a dose adequada e a tóxica é estreita. O tema ganha destaque em debates sobre tireoide, imunidade e saúde geral, com interpretações que variam conforme o estudo.
A tireoide, localizada no pescoço, produz hormônios que regulam o metabolismo e influenciam órgãos como coração e cérebro. Em muitos países, including o Brasil, estima-se que doenças dessa glândula são comuns e que até 60% da população pode apresentar alterações ao longo da vida.
O que se sabe sobre o selênio envolve seu papel em enzimas que ativam hormônios tireoidianos. Estudos associam deficiência de selênio a maior risco de doenças tireoidianas autoimunes, como Hashimoto e Graves. Em quadros graves, a suplementação pode acompanhar o tratamento, com melhora de sintomas e qualidade de vida.
Mitos e realidades sobre o mineral
É falso afirmar que o selênio aumenta a imunidade de forma geral acima das necessidades. Ele é essencial, mas não há evidência de benefício universal em suplementação sem deficiência. Também não há comprovação consistente de proteção contra câncer ou doenças cardíacas pela suplementação indiscriminada.
A literatura aponta que, para a população em geral, a alimentação costuma suprir a quantidade necessária. A dose diária recomendada é de 55 mcg para adultos, com 60 mcg para gestantes e 70 mcg para lactantes. O limite seguro diário é 400 mcg.
Gestação, evidências e indicações
Para gestantes, as evidências exigem cautela. Consensos internacionais não recomendam suplementação rotineira em mulheres com tireoidite de Hashimoto, pela inconsistência de resultados e riscos potenciais em doses elevadas. Em análises recentes, níveis baixos de selênio materno foram associados a desfechos adversos da gestação.
Estudos publicados entre 2024 e 2025 sugerem que a reposição adequada de selênio pode reduzir autoanticorpos e TSH em Hashimoto, quando associada ao tratamento convencional. Contudo, a resposta varia conforme o nível basal e o acompanhamento médico.
Quando vale a pena considerar o suplemento
O selênio pode atuar como suporte no manejo de inflamação e autoimunidade em doenças da tireoide, desde que indicado pelo médico. A suplementação não substitui tratamento medicamentoso e deve ser ajustada a necessidades específicas.
O mineral é obtido principalmente por carne, frutos do mar, ovos e grãos. Castanha-do-pará é uma fonte particularmente concentrada; apenas 1–2 unidades diárias já atendem boa parte da necessidade.
Cuidados com a dosagem e riscos
Excesso de selênio pode trazer efeitos adversos como queda de cabelo, fragilidade de unhas, fadiga e distúrbios gastrointestinais. Em casos mais graves, há relatos de alterações neurológicas e danos renais ou cardíacos.
A orientação profissional é essencial, especialmente para pessoas com doenças autoimunes da tireoide ou condições específicas. Diante do cenário, a recomendação é evitar suplementação indiscriminada e acompanhar dose e indicação com precisão.
Conclusão informativa
O conjunto de evidências indica que o selênio pode ocupar lugar complementar no cuidado de certas tireoidopatias autoimunes, desde que usado com dose definida e sob supervisão médica. Mais selênio não significa necessariamente mais saúde.
Fontes: estudo e revisão de literatura sobre tireoide e selênio. A matéria original foi publicada no The Conversation, com participação de especialista em Endocrinologia da USP.
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