- Sítios arqueológicos, protegidos há décadas, tornam-se refúgios acidentais para plantas e animais, como geckos cinza‑acinzentados em Lima, Peru.
- O gecko de Lima vive quase que exclusivamente perto de huacas, monumentos pré‑hispânicos, e a população está criticamente ameaçada pela expansão urbana.
- Em Grécia, estudo em 20 sítios culturais revelou quatro mil quatrocentas e três espécies, cerca de 11% da biodiversidade do país, concentradas em áreas muito pequenas.
- A pesquisa mostrou que os sítios costumam abrigar populações animais mais densas que as regiões ao redor, e destacam a importância de manejo que combine conservação de patrimônio com proteção ambiental.
- O projeto Biodiversidade em Sítios Arqueológicos pesquisa relações entre natureza e história, com planos de ampliar o trabalho a mais sítios e incluir informações ecológicas em placas orientativas.
A preservação de sítios arqueológicos tem ganhado importância dupla: proteger património histórico e favorecer a biodiversidade. Estudos recentes mostram que ruínas e monumentos podem servir de refúgio para plantas e animais, em especial quando cercados por áreas isoladas.
Na Grécia, pesquisadores analisaram 20 sítios culturais e identificaram mais de 4.000 espécies, cerca de 11% da biodiversidade nacional, concentradas em apenas 0,08% do território. Os locais funcionam como pontos de biodiversidade para várias espécies.
Geckos e outras espécies também aparecem em outros contextos históricos. No Peru, o gecko Lima leaf-toed habita huacas e pirâmides pré-ispânicas ao redor de Lima, onde ainda existem remanescentes do ecossistema desértico costeiro.
A pesquisa liderada por Panayiotis Pafilis destaca que os sítios não são apenas paleontologia, mas cenários de paisagem que conectam arqueologia e ecologia. O conceito é tratar o local como ambiente biodiverso, não apenas como vestígio cultural.
Entre os achados, destacam-se espécies endêmicas em Machu Picchu, onde o isolamento protege novas formas de lagartos, além de plantas que se adaptaram às condições locais. A restrição de atividades humanas ajuda a conservar esses organismos.
Em Nicópolis, um sítio romano, pesquisadores encontraram sinais de plantas possivelmente trazidas de outras regiões, revelando migracões históricas de espécies associadas a períodos de ocupação humana. Esses dados revelam intercâmbios entre culturas e ecossistemas.
Outra linha de estudo aponta que em Atenas a suposta flor específica não é exclusiva do ambiente da Acrópole, sendo uma variação de uma planta comum. O mesmo trabalho registra carvalhos antigos em Dodona, sugerindo continuidade de orelas ao longo dos séculos.
A colaboração entre arqueologia e biologia aparece como desafio e oportunidade. Falta de linguagem comum entre áreas pode dificultar políticas conjuntas de proteção, mas resultados já influenciam planos de manejo.
A ministra da Cultura da Grécia encoraja ampliar a integração entre preservação de patrimônio e conservação da biodiversidade, defendendo ações que alcancem metas globais de proteção de ecossistemas.
Em outros países, estudos mediterrâneos já apontam que centenas de sítios arqueológicos hospedam milhares de espécies, incluindo plantas de risco. As pesquisas enfatizam que a proteção de sítios históricos também beneficia a natureza local.
Experimentos e campanhas apontam caminhos: incluir metas de biodiversidade no manejo de sítios, ampliar áreas protegidas e monitorar impactos do turismo. A ideia é manter o equilíbrio entre turismo, conservação e valorização histórica.
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