- Estudo da Universidade de East Anglia aponta que supermercados podem ajudar consumidores britânicos a migrar de importações para peixes locais mais sustentáveis, como sardinhas e anchovas, em vez dos “cinco grandes” (bacalhau, pescada, atum, salmão e camarão).
- A pesquisa mostra queda de vinte e cinco por cento no consumo de frutos do mar no Reino Unido na última década, com os jovens sendo os menos prováveis de comer peixe.
- O governo recomenda duas porções semanais de peixe sustentável, sendo uma de peixe oleoso; porém mais de oitenta por cento do consumo é importado e muito da pesca local é exportada.
- O estudo aponta que, apesar da abundância de peixes britânicos, há desequilíbrio que eleva emissões de carbono e aumenta a dependência de cadeias globais; supermercados poderiam ajudar a mudar esse comportamento.
- Os pesquisadores destacam que há curiosidade entre consumidores para experimentar espécies menos conhecidas, desde que sejam frescas, locais e com preço acessível, o que pode ser incentivado por promoções e cards de receitas.
A pesquisa da Universidade de East Anglia (UEA) aponta que supermercados podem incentivar o consumo de peixes locais, mais sustentáveis, em vez de depender amplamente das espécies importadas conhecidas como o “big 5” (bacalhau, bacalhau, atum, salmão e camarão). O estudo sugere que sardinhas, anchovas e outras pequenas espécies locais ganhem protagonismo no cardápio britânico.
O levantamento confirma que a população não consome a quantidade recomendada de peixe. A pesquisa analisa hábitos, disponibilidade em lojas e o impacto ambiental de escolhas alimentares, destacando que o consumo caiu 25% na última década.
O trabalho revela que mais de 80% da pesca consumida no Reino Unido é importada, mesmo com presença de peixes locais nas águas britânicas. Peixes regionais, como sardinhas de Cornwall, costumam ser exportados em parte da produção local.
Para entender o comportamento do consumidor, a equipe reuniu dois grupos de foco, uma pesquisa nacional com consumidores e dados de vendas de supermercados, além de informações da Office for National Statistics sobre custos de vida e alimentação.
A pesquisadora-chefe Dr. Silvia Ferrini explica que a redução no consumo contribui para maior emissão de carbono e vulnerabilidade a cadeias de suprimento globais. A mudança poderia ampliar a disponibilidade de espécies locais.
Os autores anotam que supermercados podem desempenhar papel relevante na mudança de hábitos. Estratégias como promoções, cards de receitas e sinalização de origem local foram destacadas como possíveis ferramentas.
A análise mostra relação entre oferta de peixe nos supermercados e o que é vendido. Espécies como salmão representaram uma parte relevante das vendas, acompanhando a proporção de disponibilidade nas lojas, o que indica um elo entre oferta e consumo.
Implicações para políticas e hábitos
O estudo sugere que ampliar a oferta de peixes locais poderia melhorar a dieta nacional, conforme as diretrizes do Eatwell Guide, que recomenda duas porções semanais de peixe, com uma sendo oily.
Embora haja abundância de peixe nas águas britânicas, a maioria é consumida após ser importada. A equipe recomenda novas estratégias de comunicação para incentivar o consumo de espécies locais, menos conhecidas.
A pesquisa foi financiada pela UK Research and Innovation, órgão público ligado ao Department for Science, Innovation and Technology. Resultados exigem validação adicional para estabelecer causalidade entre oferta e consumo.
Os especialistas destacam que a curiosidade dos consumidores pode aumentar a adesão a espécies locais menos comuns, desde que haja disponibilidade, frescor e preços acessíveis.
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