- Paul Nurse, vencedor do Nobel, foi reeleito presidente da Royal Society, cargo que ocupa pela segunda vez desde 2010.
- A nomeação gerou polêmica, com críticas de que a instituição seria um “boys’ club” e que não haveria espaço para uma presidenta; Nurse afirma ter sido indicado anonimamente e ressalta o processo de escolha com entrevista e voto de dois terços.
- O cientista enfrentou questões sobre o papel de líderes científicos na administração, destacando que o cargo é de fato uma função, não apenas honra, e que é pago apenas como aposentado.
- A Royal Society enfrenta o caso de Elon Musk, fellow da instituição, cuja conduta gerou debates sobre conduta e possível expulsão; Nurse defende revisão do código de conduta e afirma que Musk não foi expulso.
- Além disso, Nurse aborda desafios como financiamento à ciência no Reino Unido, sistema de vistos para pesquisadores em início de carreira e a influência da right-wing populism na ciência, defendendo a busca pela verdade, evidência e debate civilizado.
Paul Nurse, ganhador do Nobel, está à frente da Royal Society pela segunda vez. O histórico do cientista, que já liderou o Francis Crick Institute e a Rockefeller University, destaca-se pelo peso internacional. A reeleição, porém, gerou controvérsia entre pares.
Nurse diz que aceitou o cargo depois de ser indicado anonimamente por colegas, em meio a eleições com candidatura aberta e uma votação que exigia dois terços dos votos. Ele ressalta que o posto é efetivamente uma função remunerada de liderança, não apenas um título honorífico.
A nomeação reacende debates sobre gênero e tradição na Royal Society, instituição criadora de 1660. críticos argumentam que o cargo deveria já ter mudado de mãos para uma mulher, para romper um histórico de dominância masculina.
O desafio com Elon Musk
A administração de Nurse herdou o caso Musk, eleito fellow pela sociedade por seu trabalho nos setores espacial e automotivo. Questionamentos sobre conduta de Musk ficaram no centro de debates, com propostas de ações disciplinares que não foram aplicadas pela entidade.
Nurse classifica o cenário como complexo e destaca que a Royal Society raramente expulsou membros, com apenas duas expulsões em quase 370 anos. Ele defende que ações devem seguir evidência científica, sem inflamar questões políticas.
Ele ressaltou que escreveu a Musk, sugerindo que reconsiderasse a permanência como fellow, dependendo de alinhamento com a missão de promover ciência. O empresário não respondeu, segundo o relato do presidente.
Governo e financiamento da pesquisa
O tema vai além de casos isolados: Nurse aponta críticas à forma de financiamento da ciência no Reino Unido e ao sistema de vistos que, segundo ele, dificulta a entrada de jovens pesquisadores. Ele afirma que a instituição precisa de reflexões sobre conduta, governança e políticas públicas.
Nurse afirma que a Royal Society não é um palco para disputas pessoais, mas um órgão técnico dedicado à promoção de evidência e debate responsável. Ele enfatiza que críticas são parte do funcionamento democrático da entidade.
Perspectivas futuras
O presidente destaca a importância de manter a ciência livre de ataques políticos, especialmente diante de tendências de populismo e de debates ideológicos. Para ele, o foco deve ser a busca pela verdade, pela evidência e pelo diálogo respeitoso.
O papel da Royal Society, segundo Nurse, envolve também apoiar pesquisadores em mobilidade global, ampliar oportunidades e modernizar práticas institucionais. O objetivo é manter a instituição relevante e confiável no cenário científico internacional.
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