- Milhares de flying foxes morreram durante a onda de calor que atingiu o sudeste da Austrália na semana passada, o maior evento de mortalidade em massa desde o período conhecido como black summer.
- Regiões atingidas: sul da Austrália, Victoria e New South Wales; as “grey-headed flying foxes” (raposas-voadoras de cabeça cinza) — listadas como vulneráveis — foram as mais afetadas.
- Entre os cadáveres, voluntários encontraram centenas de filhotes órfãos e dezenas de mães mortas; muitos dos filhotes podem morrer de estresse térmico, fome ou predação se não forem resgatados.
- Pesquisadores estimam entre mil e dois mil morcegos mortos na Austrália do Sul, milhares em Victoria e até mil em New South Wales; temperaturas acima de quarenta e dois graus centígrados agravam a mortalidade.
- Especialistas destacam que o calor dificulta o voo, reduz a disponibilidade de néctar e aumenta o estresse térmico, com humanos alertando para não tentar resgatar morcegos sozinhos e contatar organizações de vida selvagem.
Centenas de milhares de pteróptéros, conhecidos como flying foxes, morreram durante a onda de calor que atingiu o sudeste da Austrália na semana passada, marcando o maior evento de mortalidade em massa desde o período negro. O calor extremo provocou óbitos em acampamentos em South Australia, Victoria e New South Wales, com os grey-headed flying foxes entre os mais afetados.
Voluntários de resgate relataram cenas de devastação: milhares de morcegos mortos em Brimbank Park e centenas em acampamentos de Yarra Bend e Tatura. Equipes de resgate recolheram filhotes que se agarravam a mães mortas, enquanto adultos morriam por estresse térmico em áreas mais expostas, como árvores sem sombra e margens de rios de solo batido.
Estima-se que, no sul da Austrália, entre 1.000 e 2.000 morcegos tenham morrido, com milhares de óbitos em Victoria e até 1.000 em New South Wales. Pesquisadores ressaltam que temperaturas acima de 42°C já são fatais para essas espécies, agravando o risco de mortalidade em escala bíblica.
Causas e impactos
Especialistas destacam que o calor afeta os flying foxes tanto pela desidratação direta quanto pela dificuldade de alimentação, já que voar e buscar néctar se tornam mais desafiadores com o calor extremo. O desaparecimento de mães com filhotes compromete a recuperação das populações, segundo investigadores.
Um veterinário e pesquisador da Universidade de Adelaide descreveu sinais iniciais de estresse, como respiração ofegante e movimentos repentinos entre árvores, que evoluem para desidratação e insolação acima de 42°C, dificultando a sobrevivência.
Organizações de resgate intensificaram ações de emergência. A Wildlife Victoria ampliou a capacidade de resposta, enviando serviço veterinário móvel a uma colônia crítica de flying foxes. Autoridades reforçam orientação à população para não realizar resgates domésticos de morcegos feridos.
Contexto e referências
Especialistas comparam o episódio aos picos de mortalidade observados durante os chamativos eventos de calor de anos anteriores, incluindo episódios de 2019-2020, quando milhares de morcegos morreram em várias regiões. Estudos recentes indicam que eventos de calor, cada vez mais frequentes, afetam não apenas esses animais, mas a fauna de forma ampla.
Os especialistas ressaltam que morcegos servem como indicadores da saúde ambiental, atuando como termômetros vivos de mudanças climáticas. A gravidade do evento atual evidencia a vulnerabilidade de espécies nativas diante de ondas de calor cada vez mais intensas.
Equipes de pesquisa continuam contando os corpos e buscando compreender o alcance total das perdas. A gestão de bem-estar animal e a capacidade de resposta veterinária enfrentam pressão, com a falta de uma estratégia nacional de resgate de vida selvagem citada por autoridades locais.
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