- Um estudo mostrou que dados de monitoramento de embarcações (VMS) podem detectar, mais cedo, mudanças na distribuição de atum- albacora e atum-azul-pacífico em resposta a ondas de calor marinhas ao longo da costa oeste dos EUA.
- Entre 2010 e 2024, os pesquisadores analisaram atividades de pesca e comparisons com modelos de distribuição de espécies para identificar deslocamentos norteados ou para perto da costa.
- Três ondas de calor relevantes ocorreram na região: 2014–2016 (The Blob), 2019 e 2023. Em 2019 e 2023 houve possíveis “falsos positivos” se apenas SST fosse usado.
- Em 2023, houve queda na capturabilidade de albacora, ainda que não tenha ocorrido um deslocamento extremo; dados de VMS poderiam ter sinalizado esse problema previamente.
- Os autores defendem que dados de rastreamento de frotas podem servir como aviso prévio de mudanças ecológicas e sugerem ampliar o uso para outras regiões e outros tipos de dados de monitoramento.
O estudo aponta que dados de rastreamento de embarcações podem indicar mudanças rápidas na distribuição de atum-azul e atum-rabilho em resposta a ondas de calor marinho. A pesquisa foi publicada em 22 de dezembro de 2025 na Proceedings of the National Academy of Sciences.
Conduzido por Heather Welch, ecologista marinha da University of California, Santa Cruz, o trabalho analisou dados de Vessel Monitoring Systems (VMS) de 2010 a 2024, focando os estoques da costa oeste dos Estados Unidos. Os autores buscaram sinais de deslocamento norte ou para perto da costa.
A metodologia comparou os dados de VMS com modelos de distribuição de espécies para validar se os sinais de atividade de pesca anteviam mudanças reais na localização das espécies frente às ondas de calor. Em alguns cenários, os dados de VMS mostraram maior acurácia que a temperatura da superfície do mar.
Detalhes dos resultados
Os pesquisadores identificaram três ondas de calor relevantes na região: 2014-2016, 2019 e 2023. Em 2015, durante a chamada The Blob, houve deslocamento claro de distribuição de albacora e bluefin. Em 2019 e 2023, houve mudanças menos abruptas, mas impacto na disponibilidade e na captura.
A conclusão indica que o uso combinado de VMS com modelos de distribuição permite detectar antecipadamente deslocamentos norteados ou recuantes, bem como situações em que a temperatura elevada não gerou mudanças de localização.
Implicações e limitações
Os autores destacam que o monitoramento rápido evita conflitos sociais, falta de infraestrutura e sobrepesca. Ainda assim, nem todas as espécies respondem da mesma forma; peixes de fundo, por exemplo, mostram pouca sensibilidade a ondas de calor.
Os pesquisadores ressaltam a importância de ampliar o uso de dados de rastreamento, incluindo AIS e detecção noturna por luzes ou radar SAR, para ampliar a capacidade de detecção de alterações ecológicas.
Contexto e possíveis desdobramentos
Ao discutir aplicações, o estudo sugere que a abordagem pode servir de alarme para mudanças oceânicas em outras regiões, desde que haja dados de rastreamento confiáveis. A investigação encontrou benefícios ao combinar observações de pesca com modelos ambientais.
Entre na conversa da comunidade