- A apreensão em Kenia revelou que o comércio global de formigas está prosperando, com mais de 5.000 formigas endêmicas retiradas da natureza para venda a hobistas e colecionadores.
- Conservacionistas pedem proteções maiores para todas as espécies de formigas sob a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES).
- As formigas têm papel ecológico relevante, como dispersoras de sementes e engenheiras do solo, e a extração em grande escala ameaça a biodiversidade do solo; casos semelhantes ocorrem na África Central, América do Sul e Sudeste Asiático.
- Formigas invasoras podem causar danos econômicos e ecológicos significativos, como as jaqueiras doida-da-ilha Christmas (fóssil de ilhas) em Australian, e as formigas-fire de pequenas regiões nas ilhas havaianas custando cerca de 170 milhões de dólares por ano.
- Uma opção prática imediata é incluir todas as formigas na Appendix III da CITES, com monitoramento local, enquanto o aumento a Appendix II ou listagem em I/II, requer processos longos.
O surgimento de um comércio global de formigas é alvo de alertas de conservacionistas após a apreensão recente, no Quênia, de mais de 5.000 formigas endêmicas. A operação revela que indivíduos transnacionais capturam insetos na natureza para vender a colecionadores em todo o mundo. A carta de especialistas pede proteção adicional para todas as espécies de formigas sob o protocolo da CITES.
Conservacionistas destacam o papel ecológico das formigas como dispersoras de sementes e engenheiras do solo. O alerta aponta que a coleta ocorre de forma acelerada e quase toda no mercado cinzento, com tráfego transfronteiriço e envio desregrado.
Dados indicam ocorrências semelhantes na África Central, na América do Sul e no Sudeste Asiático, onde espécies visualmente chamativas ou ecologicamente interessantes são alvos constantes. Muitas são endêmicas de alcance restrito, mais sujeitas a distúrbios por caça ilegal.
As formigas ainda não constam nas Listas de CITES, o que deixa lacunas na proteção internacional. A falta de dados sobre escala, pontos críticos e destinos agrava a situação, segundo os estudiosos envolvidos.
Uma das propostas é incluir todas as formigas na Lista de Anexos II da CITES, que permite comércio comercial com licenças. Sem regulamentação, o tráfico permanece clandestino e pouco monitorado, afirmam os especialistas.
Ações imediatas sugeridas incluem incluir espécies em Anexo III, que dispensa consenso entre as partes para monitoramento inicial. Apoios indicam que essa medida já criaria mecanismos de fiscalização e prevenção de exportações ilegais.
Os conservacionistas ressaltam a necessidade de tratar o comércio de formigas como questão séria, dada a possibilidade de provocar impactos ecológicos profundos. A discussão envolve governos, cientistas e organizações ambientais.
Desafios regulatórios e próximos passos
A transição para regulação mais rígida envolve processos que costumam levar anos na CITES. Até lá, especialistas defendem ações rápidas em nível nacional, com inclusão de espécies em anexos que não exigem votação ampla.
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