- Lenacapavir recebeu aprovação da Anvisa no Brasil no início de 2026, na forma de injeção semestral, com eficácia próxima de 100% em estudos de PrEP.
- Estudos realizados em 2024 mostraram alta eficácia da injeção também em regime anual, impulsionando o otimismo de que pode frear o aumento de novos casos de HIV.
- O acesso global enfrenta entraves econômicos e políticos, incluindo custos e acordos de financiamento; no Brasil, há busca por incorporação no SUS.
- Organizações internacionais estabelecem meta de reduzir de cerca de 1,3 milhão de novas infecções por ano para 200 mil até 2030; lenacapavir, junto com cabotegravir, é visto como ferramenta central.
- Enquanto avanços na prevenção ganham fôlego, a cura definitiva do HIV ainda não foi atingida; pesquisas combinadas, tanto no Brasil quanto no exterior, seguem em andamento.
Há uma nova fronteira no combate ao HIV: a injeção semestral lenacapavir recebeu aprovação da Anvisa no início de 2026 e se apresenta como arma poderosa na prevenção e no tratamento. O fármaco atua como inibidor de capsídeo, dificultando três etapas do ciclo de replicação do HIV.
O lenacapavir mostrou eficácia próxima de 100% em testes de PrEP, com administração por injeção semestral. Ensaios com mais de 5 mil pessoas na África e com mais de 3 mil participantes em diversos países indicaram reduções drásticas de infecção entre usuários da injeção, comparados a formulações orais.
Especialistas destacam que a molécula atua ao impedir a entrada do capsídeo no núcleo celular, evitar a abertura do capsídeo dentro da célula e enrijecer a malha proteica, dificultando a cópia do vírus. Esse triplo mecanismo contribui para a alta eficácia observada.
O medicamento já é utilizado no tratamento de pessoas com HIV e tem ganhado destaque pela sua aplicação profilática. Em 2024, dois estudos mostraram resultados promissores com injeções semestrais, em larga escala, em populações vulneráveis.
A Anvisa aprovou o Sunlenca no Brasil no começo de 2026, ampliando o leque de opções para prevenção e tratamento. A expectativa é que o fármaco possa integrar o SUS, contribuindo para redução de novos casos, junto de outras estratégias.
Entretanto, a ampliação do acesso enfrenta desafios. A Organização Mundial da Saúde recomendair acesso equitativo, especialmente em África Subsaariana, onde a epidemia é mais concentrada e o financiamento é essencial.
O financiamento internacional é fator crítico. O programa PEPFAR, criado para apoiar HIV em países pobres, passou por mudanças com mudanças de governo nos EUA, levantando dúvidas sobre continuidade de recursos.
Em 2025, primeiras entregas de lenacapavir a preços acessíveis chegaram à Zâmbia e à Essuatíni, com planos de venda a preços reduzidos para países de baixa renda. Ainda assim, a discussão sobre genéricos e preços em renda média persiste.
O Brasil tem histórico de liderança no acesso a antirretrovirais desde 1996 e registrou avanços importantes contra a transmissão vertical, eliminada no país no fim de 2025. Pesquisas nacionais seguem avançando na busca por uma cura definitiva.
No campo científico, pesquisas brasileiras combinam terapias antirretrovirais com imunoterapia para tentar controlar ou eliminar o HIV. Em estudos recentes, alguns pacientes tiveram remissão por meses, sem tratamento contínuo, embora a cura ainda não tenha sido alcançada.
A cura completa permanece evasiva, mas avanços seguem. Estudo internacional publicado recentemente mostrou resultados promissores em imunoterapia com controle do vírus por períodos prolongados, abrindo caminho para novas abordagens conjugadas.
Em paralelo, a inovação tecnológica e clínica aponta para um cenário em que lenacapavir, cabotegravir e PrEP oral podem coexistir e ampliar a prevenção. A mobilização governamental e social é vista como essencial para transformar essas descobertas em vidas salvas.
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