- Após décadas de silêncio, lobos, ursos e linces recebendo atenção, o gato-selvagem europeu volta a ser visto em várias partes da Europa, com fotos de alta qualidade registradas recentemente.
- Em dois episódios isolados, fotógrafos conseguiram imagens do gato-selvagem na República Tcheca (região de Doupov, 2020) e na Itália (vila abandonada de Chiapporato, 2020).
- A observação é feita principalmente por meio de armadilhas fotográficas e amostras de pelos, usadas para confirmar a espécie e entender sua genética, já que o animal é muito furtivo.
- Estima-se que haja cerca de cento e quarenta mil gatos-selvagens na Europa, distribuídos por mais de duas dezenas de países, com avanços em áreas onde antes havia registro zero.
- Em setiembre de 2025, pesquisadores tchecos capturaram o primeiro gato-selvagem macho na região militar Hradiště, instalaram um colar de telemetria e passaram a acompanhar seus deslocamentos, revelando áreas de vida maiores e preferência por paisagens mosaicas, não apenas florestas.
Em 2020, o fotógrafo de vida selvagem Vladimír Čech Jr. entrou a pé numa zona militarizada dos Montes Doupov, na República Tcheca, para registrar o lince-europeu. O animal, porém, é tão evasivo que sua presença já foi associada à extinção em partes da Europa.
Esses felinos são lembrados como símbolos de recursos naturais frágeis. Embora pareçam com um gato doméstico de rabo mais curto, apresentam uma pelagem distinta. A espécie já foi documentada no território tcheco apenas por imagens de armadilhas fotográficas de baixa qualidade.
O que mudou na região
Nos últimos anos, câmeras de armadilhamento e avanços científicos revelaram que o animal persiste em outras áreas da Europa, apesar da caça histórica. Estima-se que haja cerca de 140 mil wildcats na Europa, distribuídos por mais de duas dezenas de países, embora estimativas precisas sejam difíceis pela timidez da espécie.
André De Giovanni, biólogo italiano, captou em 2020 um vídeo de um wildcat em Chiapporato, vila abandonada nos Apeninos. O registro, feito com uma câmera escondida, confirmou a presença do animal na região, ajudando a ampliar o conhecimento sobre seu comportamento.
Técnicas e identificações
Krojerová, zoóloga tcheca, ressalta que a identificação de indivíduos é feita por padrões de pelagem ou por genótipos, o que exige amostras de pelos obtidas com métodos específicos. A camuflagem e o comportamento imprevisível complicam estudos de campo.
Em Itália, Sforzi mantém um banco de dados com aproximadamente 1.600 imagens de wildcats, coletadas por cientistas, fotógrafos e público. O reconhecimento de áreas de expansão ocorre onde leis de conservação fortaleceram a proteção do animal desde o fim do século XX.
Novas descobertas e monitoramento
Este ano, a equipe de Čech e Sochor iniciou o uso de telemetria por GPS. Em fevereiro de 2025, capturaram o primeiro wildcat macho na área militar de Hradiště, no Doupov, e instalaram colar rastreador para monitorar movimentos.
Dados preliminares indicam que territórios ocupados são maiores do que se pensava, abrangendo dezenas de quilômetros quadrados. A fotografia e o rastreamento apontam para um wildcat que depende de um mosaico de florestas, prados e clareiras, não apenas de áreas boscosas.
Perspectivas de conservação
Pesquisas recentes em Austria mostram que, com armadilhas fotográficas e análises genéticas, a espécie voltou a aparecer em regiões onde era considerada extinta. Em diferentes países, a recuperação do wildcat é associada a políticas de proteção e à observação de padrões de deslocamento que ajudam na gestão de habitats.
De Giovanni comenta que Chiapporato simboliza o processo de abandono humano nas montanhas, abrindo espaço para o retorno de predadores como o lince e o wildcat. A fotografia do animal na vila destaca a relação entre mudança humana e conservação da fauna.
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