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Ex-seminarista vira agente de combate a incêndios e prega táticas para queimadas

De seminarista a agente de defesa civil, Santos coordena brigadas voluntárias via WhatsApp para frear queimadas na Amazônia, diante de infraestrutura ausente

As COP30 unfolded in Belém this past November, civil defense coordinator Edson Abreu dos Santos decided to revisit the areas that had burned in Acará. Image by Carla Ruas.
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  • Em agosto de 2024, incêndio atingiu Acará, no Pará, região sem brigada de incêndio, sem caminhões-pipas e com acesso ao fogo apenas por barco pelo Itapecuru; Edson Abreu dos Santos organizou resposta pela comunidade.
  • Mais de 100 moradores participaram, transportando água em carotes por cerca de um quilômetro até as chamas, enquanto bombeiros chegaram de Macarena, a mais de 100 km de distância, com apoio de mochila-regadores e uma mangueira improvisada.
  • Foram três dias e três noites de trabalho intenso para controlar o fogo e cerca de duas semanas para extingui-lo completamente, totalizando mais de sessenta hectares de área uterrada.
  • O episódio desencadeou uma série de queimadas na região; em 2024 a seca extrema e altas temperaturas contribuíram para o aumento de queimadas, com Pará entre os estados mais afetados e Acará frequentemente entre os mais atingidos.
  • Em dezembro de 2024, Acará inaugurou o seu primeiro corpo de brigadistas voluntários; há planos para uma brigada profissional futura e para ações de prevenção, como contenção de fogo com cerca de proteção, uso de tratores para manejo de áreas e educação comunitária.

O Itapecuru, um afluente da Mata Atlântica, foi palco de um grande incêndio em Acará, no Pará, em agosto de 2024. Sem brigada de incêndio, sem caminhões-pipas e sem helicóptero, moradores recorreram a água do rio para conter as chamas. Ações ocorreram em área de difícil acesso, apenas por barco.

Edson Abreu dos Santos, coordenador da Defesa Civil Municipal, montou um posto de comando improvisado numa casa palafítica à beira-rio. Do alpendre, organizou a mobilização via WhatsApp com moradores, reunindo mais de 100 voluntários em rabetas para transportar água em carotes até o fogo.

Voluntários formaram uma linha de tiro de água, com bombas improvisadas e canos de irrigação conectados a uma fonte no perímetro. A operação exigiu deslocamento a pé de quase 1 km para alcançar o foco, enquanto muitos usavam chinelos sob o calor intenso.

A chegada de 30 bombeiros de Macapá, cidade a mais de 100 km, mudou o cenário. Eles trouxeram pistolas de pulverização e uma única mangueira, conectada a uma linha de irrigação para abastecer reservatório móvel próximo às chamas.

O combate durou três dias e três noites até o fogo passar a ser controlado, levando outras duas semanas para ser totalmente extinto. Ao fim, mais de 60 hectares de floresta haviam queimado, deixando danos significativos à fauna e ao solo.

Santos relembra o episódio como um dos mais desafiadores de sua carreira. O fogo ocorreu em planície alagável, mas a vegetação estava seca como se fosse prato para combustível, com raízes queimando no subsolo e reascendendo em pontos distantes.

Acará fica a 116 km de Belém, cidade sede da COP30 em 2025. O município é rural, com grande parte da população em assentamentos afastados por estradas de terra ou igarapés. A região registra degradação por desmatamento, expansão de soja e pecuária.

Antes, Santos criou o COMPDEC em 2022, órgão de proteção civil. Ao assumir, encontrou estrutura precária: apenas ele próprio, uma sala de prefeitura e poucos recursos; desdobramentos posteriores ampliaram a capacidade da gestão de risco.

Entre 2023 e 2024, eventos climáticos extremos acentuaram o desafio. Chuvas intensas e estiagens alternadas provocaram alagamentos, secas e incêndios frequentes. Em 2024, Pará concentrou a maior área queimada do país.

Em 2024, queimadas isoladas são comuns em Acará, mas o fogo se arrasta com frequência para áreas de floresta. Fatores históricos de manejo do fogo, uso de áreas para roças e legalidade de queimadas coexistem com leis nacionais de manejo e fiscalização mais rígidas.

A secretaria ambiental municipal admite falhas na fiscalização e ressalta a importância de que a queima seja permitida apenas para subsistência, com medidas de prevenção. Entre 2023 e 2024, o número de multas foi baixo e a maioria envolve incêndios de grande proporção.

O diretor de meio ambiente de Acará aponta ainda a confusão sobre posse de terras, o que complica imputar responsabilidades. O registro fundiário local está incompleto, dificultando ações legais contra infratores e proprietários.

Após o grande incêndio, a cidade ampliou a equipe de defesa civil, contratando oito servidores em 2024 e recebendo uma nova picape em 2025. Em dezembro de 2024, nasceu a primeira brigada de voluntários, com 30 membros, prontos para atuação emergencial.

Paralelamente, o governo estadual criou ações de prevenção e resposta, com aquisição de equipamentos, treinamento e brigadas permanentes. Estudos de especialistas destacam a necessidade de planejamento municipal mais robusto para eventos extremos.

No decorrer de 2025, a situação levou a debates sobre manejo do fogo, inclusão de aldeias e comunidades tradicionais e possibilidades de reflorestamento com agroflorestas. Líderes locais buscam máquinas agrícolas para reduzir queimadas.

Casas e plantações próximas ao Itapecuru sofreram com os impactos; alguns produtores perderam áreas de agrofloresta. Moradores relatam problemas respiratórios e abalos emocionais, com relatos de medo de novos incidentes.

Acará continua buscando soluções de longo prazo, incluindo brigadas formais, monitoramento em tempo real e educação comunitária sobre prevenção de incêndios. Obras de reabilitação ambiental devem levar anos para recuperação completa.

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