- Médicos dizem que pacientes no NHS perdem acesso a radioterapias inovadoras, como SABR e MRT, por burocracia e financiamento inadequado na Inglaterra.
- Apenas metade dos centros de câncer oferece SGRT (radioterapia com câmeras 3D em tempo real) devido à falta de financiamento pela NHS England, que não cobre o equipamento.
- Hospitais com a tecnologia costumam conseguir apenas por doações locais ou de organizações beneficentes, não pela NHS, elevando a desigualdade de acesso.
- SABR já é utilizado para câncer de pulmão; para fígado, próstata e rim, há poucos hospitais que oferecem, mesmo com evidência de eficácia.
- NHS England afirma que o plano nacional de câncer ampliará o acesso a tratamentos inovadores e que todos os trusts de radioterapia podem oferecer SABR onde há evidência clínica.
O NHS enfrenta o que médicos descrevem como uma “loteria de código postal” no acesso a tratamentos radioterápicos de ponta. Pacientes ingleses perdem opções eficazes com SABR e MRT por tramitações, recursos e políticas de financiamento complexas.
A Royal College of Radiologists e a Radiotherapy UK pedem ao secretário de Saúde, Wes Streeting, que use o plano nacional de câncer em preparação para ampliar o uso dessas terapias. A intenção é reduzir entraves burocráticos que limitam hospitais.
Segundo as entidades, a restrição afeta a difusão de SABR e MRT no NHS England, dificultando que centros ofereçam esses tratamentos de forma ampla, mesmo com evidências de eficácia para diversos tipos de câncer.
Ainda de acordo com os médicos, apenas metade dos centros no país oferece SGRT, tecnologia que aumenta a precisão da radioterapia com câmeras 3D em tempo real. A limitação decorre principalmente da falta de financiamento.
Alguns hospitais que dispõem do equipamento o fazem por meio de doações locais ou de organizações de caridade, pois o NHS não financia a aquisição. A situação impacta a disponibilidade de tratamentos mais curtos e com menos efeitos colaterais.
Dr. Nicky Thorp, vice-presidente clínico da oncologia na RCR, aponta que várias terapias comprovadamente eficaz continuam subutilizadas no NHS England, privando pacientes de opções com menos sessões.
Pat Price, presidente da Radiotherapy UK, afirma que a burocracia e o atual sistema de financiamento freiam a melhoria de sobrevida em cânceres, por meio de tratamentos avançados como SABR e SGRT.
SABR já é utilizado no NHS para câncer de pulmão, mas sua aplicação para fígado, próstata e rim é restrita. Evidências sugerem benefícios, porém a oferta permanece limitada.
A organização Cancer Research UK alerta que as desigualdades de acesso contribuem para que a sobrevida no Reino Unido fique abaixo de países com padrões semelhantes, mesmo após diagnóstico semelhante.
Para o NHS England, o plano nacional de câncer visa ampliar o acesso a tratamentos inovadores. Segundo o governo, todas as unidades que oferecem radioterapia podem disponibilizar SABR quando houver evidência clínica sólida.
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