- O canal Funan Techo, de aproximadamente 180 quilômetros, ligará o Mekong ao mar em Kep, com um custo estimado de quase 1,2 bilhão de dólares, para reduzir gastos logísticos e gerar empregos.
- A construção foi aprovada em 2023 e começou a ganhar impulso, mas moradores ao longo da rota dizem ter recebido pouca ou nenhuma informação oficial sobre impactos e compensações.
- Em Kep, pescadores temem perder áreas de pesca e suas casas com a construção do porto e das novas rotas de navegação, além de pressões de assoreamento e poluição.
- Ambientalistas e especialistas alertam sobre possíveis impactos em habitats marinhos, como pradarias de segrascal e corais, devido à dragagem e ao aumento do tráfego marítimo.
- O governo espera que o corredor reduza a dependência de Vietnam para exportações, mas há dúvidas sobre prazos, financiamento (com participação de 49% da China Road and Bridge Corporation) e como será a real efetivação de reassentamentos e compensações.
O governo cambojano avança com o Funan Techo Canal, um projeto de navegação hidroviária de aproximadamente 1,16 bilhão de dólares, com 180 quilômetros de extensão, ligando o Mekong ao mar na província de Kep. A obra pretende reduzir custos logísticos, gerar empregos e impulsionar o desenvolvimento econômico.
O projeto já enfrenta ceticismo entre comunidades ribeirinhas, que afirmam ter recebido pouca ou nenhuma informação oficial. Pequenas áreas de Kep devem receber um porto e novas rotas de navegação, enquanto inlandes, há o temor de deslocamento e impactos sobre terras cultiváveis e habitats marinhos.
O Funan Techo Canal foi aprovado em 2023 como investimento de longo prazo e teve a cerimônia de início em 2024, associada a uma celebração política de alto escalão. Em 2025, fontes oficiais anunciaram financiamento parcial de um consórcio estatal chinês, sob modelo de concessão de construção, operação e transferência por décadas, com o custo total revisado.
Locais costeiros em Kep temem a alteração de acesso aos ambientes marinhos e às áreas de pesca tradicionais. Comunidades da Ampaeng, entre outras, relatam insegurança sobre títulos de terra, possíveis indenizações e o uso futuro de áreas que hoje dependem da pesca artesanal para subsistência.
Além do risco de mudanças no litoral, especialistas citados no acompanhamento do tema destacam que a dragagem e o aumento do tráfego marítimo devem afetar sedimentos, bancos de seixos e ecossistemas como pradarias de ervas marinhas e recifes, com impactos potenciais sobre espécies locais e sobre a capacidade de recuperação de peixes.
(intervenções e planejamento) Em Kep, a construção do canal deve atender a uma nova zona portuária e ligações com portos mais a oeste, incluindo áreas de complexo logístico. A administração pública aponta compensações e relocação, mas moradores relatam falta de informações claras e demora na comunicação sobre as medidas de apoio.
O território de Kep já concentra mudanças, com privatizações de trechos da costa e pressões sobre comunidades de pescadores. Observadores e analistas ressaltam a necessidade de gestão integrada entre setor público, comunidades locais e entidades de conservação para mitigar efeitos ambientais e sociais.
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