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Elon Musk vê data centers no espaço e brasileiro aposta em levar a computação para a Lua

Queda no custo de lançamentos, explosão da IA e energia abundante colocam a infraestrutura digital fora da Terra no centro do debate.

Elon Musk defende, no episódio 220 do podcast Moonshots, que a combinação entre explosão da demanda por computação com IA e robótica, pressão energética sobre data centers e queda acelerada no custo de lançamentos pode tornar viável levar parte da infraestrutura digital para a órbita e até para a Lua. Ele prevê impactos relevantes já nos próximos três a sete anos, com automação avançando sem “botão de desligar”, atingindo empregos de colarinho branco e tensionando o contrato social. Para evitar um cenário distópico, cita três pilares para orientar sistemas de IA: compromisso com a verdade, curiosidade e senso estético.

A tese ganha tração porque energia vira o gargalo central: treinar e operar IA consome volumes crescentes de eletricidade, pressionando redes terrestres, licenças e custos. Nesse contexto, Musk aponta que foguetes rapidamente reutilizáveis podem reduzir o custo por quilo a patamares que mudariam a conta econômica, abrindo espaço para data centers fora da Terra, com maior acesso à energia solar e menos dependência de infraestrutura elétrica local. Paralelamente, empresas como a Lonestar Data Holdings tentam transformar a ideia em execução, com planos de levar armazenamento e computação ao ambiente lunar. O texto destaca a participação de capital brasileiro via Luís Felipe Silveira, da 2Future Holding, citado como investidor em missões ligadas à estratégia da Lonestar, em uma rodada de US$ 5 milhões em 2021 (com liderança da Scout Ventures, segundo o Crunchbase). Apesar do potencial, permanecem riscos técnicos, regulatórios e geopolíticos, além da incerteza sobre a demanda real por computação espacial.

A ideia de levar data centers para fora do planeta deixou de ser ficção científica e passou a integrar discussões sérias sobre o futuro da economia digital. No episódio 220 do podcast Moonshots, Elon Musk afirmou que a combinação entre inteligência artificial, demanda crescente por computação e queda acelerada no custo de lançamentos espaciais pode empurrar parte da infraestrutura de dados para a órbita e até para a Lua.

Musk, cofundador e CEO da Tesla, fundador da SpaceX e da xAI, afirmou que sua principal preocupação não está em um futuro distante, mas nos próximos três a sete anos. Para ele, esse é o intervalo em que a IA e a robótica devem acelerar de forma tão intensa que vão redesenhar o mercado de trabalho, a produção industrial e a própria lógica de infraestrutura global. Nesse contexto, a computação deixa de ser apenas um setor e passa a ser um insumo básico da economia, com impacto direto sobre energia, geopolítica e soberania.

O choque da IA

Ao longo da conversa, Musk descreve a inteligência artificial e a robótica como um “tsunami supersônico”. Segundo ele, não existe botão de ligar ou desligar para a automação. A tecnologia já está em curso e tende a avançar independentemente da vontade de governos ou empresas. O efeito imediato é a pressão sobre empregos de colarinho branco, especialmente aqueles baseados em tarefas repetitivas ou analíticas, que hoje já podem ser executadas por sistemas de IA em escala e velocidade superiores às humanas.

Esse cenário, segundo Musk, rompe o contrato social tradicional, baseado na sequência estudar, se formar e conseguir um emprego estável. A consequência pode ser paradoxal: aumento de produtividade e abundância, ao mesmo tempo em que cresce o risco de instabilidade social, perda de propósito e tensão política. O desafio central passa a ser como administrar essa transição sem provocar um colapso institucional.

Star Trek ou distopia

Questionado sobre como evitar um futuro distópico, Musk rejeita a ideia de que a tecnologia, por si só, leve ao caos. Para ele, o resultado depende das escolhas feitas agora. O empresário cita três pilares que considera fundamentais para orientar sistemas avançados de IA: compromisso com a verdade, curiosidade e senso estético. Na visão dele, a verdade reduz o risco de sistemas otimizarem objetivos desconectados da realidade, enquanto curiosidade e beleza estariam associadas a um futuro mais criativo e menos puramente utilitário.

Mesmo com esse otimismo cauteloso, Musk reconhece que a transição será turbulenta. Ele chega a afirmar que renda elevada e agitação social podem coexistir, caso não surjam novas formas de organização econômica e cultural para substituir o papel central do trabalho na identidade humana.

Energia como base da nova economia

Para Musk, toda essa transformação tem um ponto de apoio claro: energia. Ele defende que a energia solar tende a dominar a matriz no médio prazo e minimiza a relevância de outras fontes quando comparadas à escala do Sol, frequentemente descrito por ele como um reator de fusão gigante já disponível. Segundo o empresário, o gargalo não está apenas na geração, mas no armazenamento e na distribuição, áreas em que baterias em larga escala ganham protagonismo.

Nesse cenário, a computação passa a ser um dos maiores consumidores de energia do planeta. Data centers que treinam modelos de IA consomem volumes crescentes de eletricidade, pressionando redes locais, licenciamento ambiental e custos operacionais. É nesse ponto que a discussão sobre levar infraestrutura de dados para fora da Terra começa a ganhar força.

Quando o espaço entra na conta

Em um dos trechos mais comentados do podcast, Musk afirma que “seis meses atrás ninguém falava” sobre data centers orbitais, mas que o tema se tornou dominante de repente. Para ele, a explicação está na percepção de um ponto de virada econômico. A queda acelerada no custo de lançamentos, impulsionada por foguetes totalmente e rapidamente reutilizáveis, muda radicalmente os cálculos.

Musk cita custos na casa de dezenas ou centenas de dólares por quilo como referência de ordem de grandeza e afirma que, quando esse patamar é atingido, a migração de parte da infraestrutura para o espaço deixa de ser absurda. Data centers em órbita ou em ambientes lunares teriam acesso mais constante à energia solar, menos limitações físicas e menor dependência de redes elétricas terrestres, cada vez mais sobrecarregadas.

Da teoria à execução

Enquanto Musk descreve o cenário, algumas empresas já tentam tirar essa visão do papel. Uma delas é a Lonestar Data Holdings, empresa americana fundada por Chris Stott. Há mais de quatro anos, a companhia desenvolve infraestrutura de armazenamento e computação em ambiente espacial, com foco em segurança, resiliência e recuperação de desastres, tendo a Lua como ponto de partida.

A empresa ganhou atenção internacional ao anunciar planos de pousar um data center físico na superfície lunar, algo inédito até então. A ideia não é competir diretamente com grandes data centers terrestres em latência, mas oferecer uma camada estratégica de armazenamento fora da Terra, explorando vantagens como energia solar abundante e isolamento físico.

O brasileiro por trás da aposta lunar

Nesse ponto, surge um personagem central para o Brasil. Luís Felipe Silveira, fundador da 2Future Holding, aparece como um dos principais investidores da Lonestar. A 2Future concentra investimentos em venture capital e também no setor de alimentação, mas Luís Felipe passou a se destacar ao apoiar projetos ligados ao espaço quando a tese ainda era considerada arriscada.

Silveira é citado como um dos investidores por trás de duas grandes missões à Lua ligadas à estratégia da Lonestar. Para viabilizar o primeiro data center lunar, a empresa recebeu um investimento de US$ 5 milhões em setembro de 2021. Segundo o próprio Neiva, a 2Future foi uma das principais apoiadoras da rodada, em um momento decisivo para a sobrevivência e aceleração do projeto.

De acordo com dados do Crunchbase, a rodada foi liderada pela Scout Ventures, gestora americana focada em early stage, com participação de outros fundos e investidores estratégicos. O aporte permitiu que a Lonestar avançasse no desenvolvimento tecnológico e na preparação das missões lunares, posicionando a empresa como uma das pioneiras a levar essa tecnologia para fora da Terra.

Ao se associar a uma empresa que tenta colocar um data center na Lua, Neiva posiciona o Brasil, ainda que indiretamente, no debate sobre a próxima fronteira da infraestrutura digital. Em vez de apenas consumir tecnologia desenvolvida no exterior, há capital brasileiro participando da fase inicial de uma tese que pode se tornar estratégica nas próximas décadas.

Europa, Estados Unidos e a corrida global

No podcast, Musk também demonstra ceticismo em relação à capacidade da Europa de acompanhar essa corrida. Ele afirma que os dados sobre startups bilionárias nos Estados Unidos em comparação com o continente europeu são “chocantes” e sugere que a falta de coordenação e ambição pode deixar a região para trás em setores como computação avançada e infraestrutura espacial.

A disputa, segundo ele, tende a se intensificar entre Estados Unidos e China, países que já tratam energia, IA e espaço como ativos estratégicos. Nesse cenário, iniciativas privadas como a Lonestar e investimentos de risco assumem papel central, complementando ou até antecipando movimentos governamentais.

O que ainda pode dar errado

Apesar do entusiasmo, os riscos são evidentes. Missões espaciais falham, cargas se perdem e pousos podem dar errado. Além disso, o custo de lançamento, embora em queda, ainda é alto e sujeito a atrasos. Há também desafios regulatórios, ambientais e geopolíticos, como detritos orbitais, soberania de dados e governança internacional do espaço.

Outro ponto de incerteza é a demanda real por serviços de computação fora da Terra. Embora a pressão energética seja crescente, ainda não está claro em que ritmo empresas e governos migrariam parte de sua infraestrutura para ambientes orbitais ou lunares.

Uma decisão que está sendo tomada agora

O elo entre a visão de Musk e a aposta da Lonestar é a percepção de que a computação se tornou um recurso estratégico, tão essencial quanto energia e água. Se a IA continuar avançando no ritmo atual, a infraestrutura necessária para sustentá-la terá de buscar novos caminhos.

Nesse contexto, o investimento de um brasileiro em uma empresa que tenta levar data centers à Lua ganha peso simbólico e prático. Simbólico, porque coloca o Brasil no mapa de uma discussão que costuma parecer distante. Prático, porque ajuda a financiar projetos que podem definir como e onde os dados do futuro serão armazenados.

Se a visão de Musk se confirmar e data centers começarem a migrar para fora da Terra por necessidade econômica e energética, os primeiros projetos bem-sucedidos serão tratados como marcos históricos. E, nesse roteiro, os pioneiros e seus investidores tendem a ocupar as primeiras linhas da história.

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