- Gary Tabor defende que a conservação deve medir a “arquitetura” dos ecossistemas, ou seja, a conectividade entre lugares, não apenas acres protegidos.
- Sua carreira passou por África e América do Norte, destacando que parques isolados falham sem corredores que conectem paisagens, como ocorreu em Kibale e Queen Elizabeth, na África.
- Criou e ajudou a ampliar iniciativas de grande paisagem, incluindo Yellowstone to Yukon (Y2Y), que protegeu mais de 24 milhões de acres de habitat e corredores.
- Em parceria com governos e organizações, ajudou a estabelecer políticas de conectividade, como a Lei da Conservação de Corredores de Vida Silvestre nos Estados Unidos e campanhas globais de conectividade.
- A Center for Large Landscape Conservation (Centro de Conservação de Grandes Paisagens) foca na fragmentação de hábitats, defendendo conectividade como estratégia central para conservar ecossistemas em áreas humanas.
Gary Tabor, ecologista e veterinário de vida selvagem, tem moldado a visão de conservação em grandes paisagens. Em vez de somar vitórias pontuais, ele valoriza a arquitetura dos sistemas que resistem a pressões ao longo do tempo.
Sua experiência começou na infância, com nove verões num acampamento na Adirondack Park. Lá, a ideia de coexistência entre wilderness e população gravou-se em sua prática futura de conservação em rede.
A visão de conectividade
Tabor viveu quase uma década na África Oriental, observando parques isolados que não conectavam o ambiente regional. A fragilidade de reservas cercadas por fronteiras abriu caminho para a noção de conectividade como salvaguarda essencial.
De volta à América do Norte, ajudou a desenhar planos de investimento iniciais da Yellowstone to Yukon. O projeto visa manter corredores ecológicos ao longo de uma vasta faixa, protegendo mais de 24 milhões de hectares.
A Center for Large Landscape Conservation
A partir da experiência com Y2Y, nasceu a Center for Large Landscape Conservation, criada para atuar em grandes redes de conservação. A organização apoia iniciativas com mais de 400 projetos de grande escala nos EUA e em outros países.
Tabor defende que a conectividade é a “arquitetura” da conservação em territórios degradados pela intervenção humana. Para ele, redes ecológicas permitem recuperação e resiliência frente às mudanças climáticas.
Avanços políticos e globais
Entre 2007 e 2021, a atuação da coalizão resultou em marcos legais e políticas públicas, incluindo campanhas globais de conectividade com parcerias privadas e governamentais. Em 2021, a ONU apoiou cooperação transfronteiriça para biodiversidade.
A iniciativa também influenciou políticas nacionais. Nos EUA, houve avanços em leis estaduais e no financiamento de estruturas de travessia de fauna, como pontes e túneis, para reduzir atropelamentos.
Desafios e caminhos futuros
Tabor aponta que a fragmentação do habitat é um problema central. A conectividade não se limita a áreas protegidas, mas envolve espaços entre elas, onde há demanda humana e necessidade de soluções criativas.
Ele ressalta que a conectividade também se aplica aos ambientes marinhos, com redes e corredores subindo em três dimensões para atender ecossistemas aquáticos em diferentes fases da vida das espécies.
Legado e atuação
Ao deixar a liderança diária, Tabor vê o objetivo de conservar a natureza em perpetuidade, entendida como processo dinâmico. Ele pretende permanecer envolvido, orientando organizações locais e nacionais.
Para jovens conservacionistas, ele enfatiza criatividade e projetos práticos. Incentiva trilhar caminhos não lineares e buscar colaborações com comunidades locais para ações efetivas.
A prática de conectividade continua a ganhar relevância globalmente, com várias nações expandindo corredores ecológicos e parques nacionais. A visão de Taboré reforça que ligar habitats é essencial para a sobrevivência da biodiversidade.
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