- Em fevereiro, um golfinho-jovem da espécie golfinho-asa do oceano Índico (Sousa plumbea) foi capturado e morto em redes de tubarões perto de Richards Bay, na região de KwaZulu‑Natal.
- Redes de tubarões, instaladas junto com tarrafas (drum lines), visam reduzir encontros com humanos, mas capturam também baleias, golfinhos e outras espécies.
- Tinley Manor pretende instalar uma rede na praia pública, próximo ao novo resort Club Med; a autoridade responsável pela segurança de banhistas, a KwaZulu-Natal Sharks Board, recomenda a medida.
- Cientistas e conservacionistas contestam a posição, apontando que as redes afetam espécies protegidas e citando a disponibilidade de abordagens não letais.
- A proposta está sob avaliação do Ministério da Florestas, Pesca e Meio Ambiente (DFFE); pode exigir avaliação de impacto ambiental (EIA) se a instalação for autorizada.
O que aconteceu
Um projeto para instalar rede de proteção de banhistas e drum lines perto de Tinley Manor, na província de KwaZulu-Natal, na África do Sul, gerou controvérsia. A proposta envolve uma rede de 214 metros de comprimento e seis drum lines. A medida visa reduzir o risco de ataques de tubarões a pessoas, especialmente com a proximidade do novo resort Club Med.
Quem está envolvido
O projeto envolve a KwaZulu-Natal Sharks Board (KZNSB), responsável pela segurança de banhistas, a administração municipal de Tinley Manor e a empresa desenvolvedora Collins Residential, que atua com o Club Med. Cientistas da SouSA Consortium defendem que as redes prejudicam a biodiversidade local. A comunidade científica também debate a eficácia de alternativas não letais.
Quando e onde
A discussão ganhou destaque após o incidente envolvendo uma jovem toninha (ducho) na costa de Richards Bay, em 13 de fevereiro. Tinley Manor fica a cerca de 1h30 de carro de Richards Bay, em uma área com aumento previsto de visitantes com a gestão do Club Med.
Por quê
O uso de redes e drum lines é defendido como forma de reduzir ataques a banhistas, segundo a autoridade, especialmente com o novo resort em construção. Críticos argumentam que esses dispositivos causam mortalidade de espécies não-alvo, como golfinhos, tartarugas e tubarões menores, e pedem alternativas não letais e avaliações ambientais mais rigorosas.
Contexto e desdobramentos
Os equipamentos não são seletivos; grande parte das mortandades envolve não-alvo, incluindo mamíferos marinhos. Em dados recentes, a KZNSB informou perdas significativas de animais entre 2018 e 2022, com o volume de fauna afetada maior entre não-alvo. A área de Tinley Manor fica próxima a uma reserva marinha importante e a habitats de espécies vulneráveis.
Discussões sobre impactos e alternativas
Especialistas críticos apontam que soluções como observadores de tubarões, drones, barreiras de exclusão e drones com linhas de bobina podem ser exploradas, mas há dúvidas sobre sua viabilidade prática em Tinley Manor. Defensores das redes ressaltam a redução de fatalidades observada ao longo de décadas, embora reconheçam limitações.
Questões legais e ambientais
Processos legais e questionamentos sobre participação pública têm ganhado força. Advogados afirmam que a participação pública não atende a padrões de justiça processual e que estudos de impacto ambiental podem não ter sido adequadamente realizados. O Departamento de Desenvolvimento Ambiental está avaliando se há necessidade de uma Avaliação de Impacto Ambiental.
Próximos passos
Caso a avaliação determine necessidade de EIA, isso pode influenciar o andamento do pleito para as obras no local. O Club Med não comentou até a publicação. A abertura do resort está prevista para julho, o que eleva a expectativa de fluxo turístico na região.
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