- Estudos de 2025 (ANA e EPE) alertam que mudanças climáticas reduzem a vazão dos rios da Amazônia e exigem adaptação rápida, com quase metade da energia do país vindo de usinas hidrelétricas.
- A bacia do rio Xingu deve enfrentar seca mais longa e intensa; o caudal máximo pode cair até 50% e períodos secos podem chegar a 40 dias, com algumas secas de até 150 dias ao longo do século.
- Em 2024, Belo Monte só atingiu a produção média de 145 MW durante a seca, bem aquém de seu parque instalado de 11.233 MW, com apenas uma das 18 turbinas funcionando no fim da seca.
- A usina, inaugurada em 2016 como usina de curso forçado sem grande reservatório, fica mais vulnerável a secas prolongadas devido ao seu desenho hidrelétrico.
- Para compensar a menor confiabilidade da hidroeletricidade, o setor pode exigir até 121 GW de capacidade adicional, com investimento total estimado em cerca de 144 bilhões de reais, incluindo storage, solar e eólica.
Belo Monte, a maior usina hidrelétrica da Amazônia, enfrenta o desafio de menos água devido às mudanças climáticas. O projeto, aberto em 2016 no Xingu, depende de regimes hídricos cada vez mais voláteis, o que compromete sua geração sem grandes reservatórios.
Estudos divulgados em 2025 apontam que o clima está reconfigurando os sistemas hídricos e energéticos do Brasil. A ANA alerta que, se as águas históricas forem usadas para dimensionar usinas, a geração pode cair até 40% nas próximas duas a três décadas. O Rio Xingu tende a seca mais longa.
A EPE analisa as consequências para o conjunto do sistema elétrico. Será necessário ampliar significativamente a capacidade de outras fontes, com 121 GW adicionais, especialmente em armazenamento, solar, e vento. O investimento total no setor poderia crescer cerca de 70%.
Belo Monte opera como usina de fluxo variável, sem grande reservatório. Em 2024, nenhum dia atingiu a potência projetada; a maior produção diária foi de 10.397 MW em 30 de abril. Em agosto, apenas uma das 18 turbinas estava em funcionamento.
A geradora Norte Energia contesta a ideia de obsolescência da usina, destacando que chegou a suprir até 19% da demanda nacional em determinados períodos. A empresa aponta que a hidrografia acordada durante o licensing ainda está vigente, sujeita a decisões ambientais.
Especialistas defendem que o projeto deveria ter incorporado cenários climáticos desde o planejamento. Há crítica sobre a falta de dados hidrológicos de longo prazo da bacia do Xingu, o que aumenta a incerteza sobre o fluxo futuro de água na região.
Panorama técnico
Paiva, da UFGRS, afirma que a região já vive queda nos caudais, mesmo com cenários moderados de emissões. A avaliação sugere que reduzir a dependência de hidrelétricas será essencial para manter a segurança energética. Adaptar operações é indispensável.
Kelman, da PSR, ressalta que o sul do Brasil tem topografia difícil para novas barragens, o que reduz as opções de substituição da geração hidrelétrica. Demanda por ar condicionado também deve crescer com as temperaturas, aumentando o consumo.
A reportagem não traz conclusão. O caminho apontado pelos especialistas é ajustar políticas públicas, incorporar cenários climáticos e planejar novas capacidades para manter o equilíbrio entre oferta e demanda de energia no país.
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