- John Cannon é repórter de destaque na Mongabay, com foco em conectar ciência de conservação ao dia a dia das pessoas e em uma cobertura baseada em evidências.
- Possui bacharelado em biologia pela Ohio State University e pós-graduação em escrita científica pela University of California, Santa Cruz; começou na Mongabay como correspondente em 2014 e é hoje redator sênior de recursos.
- Trabalha de forma global, com atuação em países da África, Ásia e América Latina, e vive na Califórnia; foi voluntário no Peace Corps no Níger.
- Um dos projetos mais impactantes foi a cobertura do acordo de crédito de carbono na Sabah, Birmânica de Sabah, entre 2021 e 2024, que acobertou comunidades indígenas e RECEBEU atenção de órgãos internacionais.
- Em entrevistas, defende a importância do jornalismo baseado em evidências, a educação do público e a continuidade de histórias relevantes, mesmo com as mudanças no cenário midiático.
John Cannon, jornalista da Mongabay, mantém a prática de contar histórias embasadas em evidências ao abordar temas ambientais. Em entrevista para a série Inside Mongabay, ele descreve esse método como essencial para explicar crises de clima e biodiversidade, conectando ciência com a vida cotidiana das pessoas afetadas.
O repórter, com formação em biologia pela Ohio State University e mestrado em ciência da escrita pela UC Santa Cruz, atua há anos em múltiplos continentes e já morou no Níger como voluntário do Peace Corps. Atualmente, vive na Califórnia com a esposa e dois gatos adotados durante uma passagem por Gaza.
Desde 2014 na Mongabay, Cannon entrou como correspondente, tornou-se efetivo em 2016 e hoje atua como redator de recursos especiais. Seu trabalho também é publicado em veículos como New Scientist, Slate e Yale Environment 360, além de participações na BBC e NPR.
Ao longo da entrevista, ele reforça a importância de manter o foco em reportagens baseadas em evidências, destacando a conexão entre ciência da conservação e as comunidades que vivem os impactos das políticas públicas e da exploração de recursos naturais.
Perfil e projetos de destaque
Cannon comenta que grande parte de sua atuação envolve ligar a ciência da conservação às vidas diárias das pessoas afetadas por mudanças climáticas, exploração de minerais, madeira e outras atividades que afetam florestas e terras. Esse fio condutor guia a escolha de temas e entrevistas.
Entre os casos citados, ele destaca a cobertura de um acordo de crédito de carbono em Borneo, Malaysia, ocorrido entre 2021 e 2024. A investigação revelou impactos sobre comunidades indígenas em Sabah, com relatos de restrições de direitos de manejo de florestas por décadas e críticas ao benefício prometido no acordo.
Segundo ele, a reportagem contribuiu para abrir o debate e provocar respostas oficiais. Indígenas e líderes comunitários passaram a se mobilizar, e organizações internacionais iniciaram apurações sobre o tema, ampliando o escrutínio sobre contratos de capital natural.
Narrativas que informam
A entrevista também aborda histórias consideradas significativas, como a cobertura sobre a transição de práticas pesqueiras para tecnologias sem cordas, que busca proteger baleias-azuis. O material buscou ouvir cientistas, pescadores e engenheiros, além de equipes de resgate que atuam no mar.
Cannon aponta que a coragem de contar essas histórias envolve lidar com informações sensíveis, relações de longa data com fontes e a construção de uma rede de contatos preparada para revelar dados complexos. Ele ressalta a relevância de manter o jornalismo vivo para esclarecer temas ambientais.
Orientação profissional
Ao orientar futuros jornalistas, ele enfatiza a importância de escrever com clareza e veracidade, mantendo o foco em perguntas relevantes e fatos verificáveis. A ideia é manter o público informado sem divagação ou opinião pessoal, em um cenário de mídia em constante transformação.
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