- O psicólogo social Jonathan Haidt apresentou na MIT, durante a série Compton Lecture, que smartphones e redes sociais estão reduzindo a cognição, a atenção e o bem‑estar, e pediu medidas para limitar o uso de tecnologia.
- Ele afirmou que esse declínio pode acelerar com a IA, afetando tanto adultos quanto crianças.
- Haidt mostrou dados sobre queda na atenção e no desempenho educacional, destacando que a capacidade de foco tem sido impactada desde a adoção generalizada de smartphones.
- Propôs reformas práticas: crianças sem smartphones antes do ensino médio, sem redes sociais até os 16 anos, escolas sem celulares durante as aulas e mais autonomia e brincadeira livre para as crianças.
- Observou que alguns países já discutem restrições para menores e ressaltou a importância da ação humana e da agência individual para mitigar os efeitos.
Jonathan Haidt, psicólogo social, apresentou na MIT a palestra Compton Lecture, na qual analisa impactos de smartphones e redes sociais na cognição, no civismo e no bem-estar de crianças e adultos. O encontro ocorreu na tarde de quarta-feira, no Huntington Hall, em Cambridge, nos Estados Unidos. O objetivo é sinalizar danos e sugerir medidas para reduzir efeitos.
Haidt mostrou gráficos sobre quedas de desempenho, atenção e satisfação desde a popularização dos smartphones na década de 2010. Ele associou esse quadro ao uso de dispositivos conectados em sala de aula e ao consumo de vídeos curtos, ressaltando consequências além da ansiedade.
O pesquisador, professor na NYU, afirmou que a capacidade de prestar atenção vem sendo corroída e que, sem foco, há menos produtividade e aprendizado. Segundo Haidt, milhares de pessoas são afetadas, inclusive adultos, o que pode comprometer tarefas simples do dia a dia.
Haidt destacou que não é contra a tecnologia, mas defende conter seus efeitos nocivos. Em tom de provocação, citou a necessidade de reduzir a dependência de dispositivos para fortalecer a agência humana na identificação de soluções.
A palestra, intitulada Life After Babel, contou com participação de mais de 400 pessoas e foi aberta pela presidente da MIT, Sally A. Kornbluth. Ela descreveu Haidt como voz relevante na reforma da relação da sociedade com a tecnologia.
Durante a fala, Haidt discutiu o impacto político das redes, mostrando dados sobre o declínio da democracia desde os anos 2010 e a propagação de desinformação online. Ele advertiu que a tecnologia digital testou vínculos factuais comuns.
Ao final, Haidt sugeriu medidas práticas para reduzir danos, como restringir uso de smartphones por crianças antes da escola, adiar o acesso a redes sociais até os 16 anos, manter a escola sem celulares o dia inteiro e incentivar brincadeiras independentes entre as crianças.
O pesquisador afirmou que mudanças são possíveis por meio da agência humana, sem menosprezar a importância da tecnologia. Ele mencionou um movimento de reformulação de hábitos, com propostas que já ganham aderência em alguns distritos escolares e países.
Haidt reiterou que não vê a tecnologia como inimiga, mas como desafio a ser gerido. A discussão também abordou o papel da inteligência artificial e seus potenciais impactos na cognição e nas relações humanas.
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